quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Desafios (II)

Mais um desafio Caro Hélder? Shame on you .. ;)
Desafia-me o meu caríssimo conterrâneo a expor por aqui doze palavras das quais não goste. Como já tive oportunidade de referir no comentário que lhe deixei, há poucas palavras de que não gosto .. mais são aquelas que pelo sentimento que exprimem ou até pela ausência de sentir, me abstenho de usar, verbalizar e por vezes até mesmo pensar.
Amante de letras e de significados, desde cedo descobri na palavra dita, escrita, um universo maior que aquele que me foi dado ver este fim de semana no Planetário (valeu a visita às estrelas .. insignificantes nós e as nossas mesquinhas preocupações e ardis ..) e se há coisa que me custa é ver maltratada a minha língua, atirada em forma de pedra ao charco, adulterada, incompreendida.
Depois, ao efectuar um “teste” destes colocamos sempre a nossa experiência e vida nas escolhas que fazemos, bom .. se calhar não mas eu não sei fazer de outra forma .. ;) Palavras que nos dizem qualquer coisa ou não nos dizem nada, não são tiradas de um qualquer léxico à mão de semear, nem repetidas, qual papagaio, sem se perceber o conteúdo .. no meu caso, são tiradas de mim.

Eu sei Hélder, eu sei .. não era nada disto que era suposto escrever .. cá vai, mas .. sem grandes explicações ;)

Promise
Perjure
Corrupt
Inhuman
Unavailable
Unhappy
Tiresome
Deceive
Disloyal
Annoyed
Sick
Drunk

E depois há várias de que gosto. Imensas. Não ! Não vou alongar-me por aqui mas deixo um exemplo a propósito ;) .. have a nice week-end *

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

"I have no desire to make windows into men’ souls"


Elizabeth I (1533-1603)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Memória (X)

Dobrava pacientemente as meias e a restante roupa interior. Como quem cumpre um ritual. Meia do direito, meia volta sobre o pulso, parte de fora para dentro e assim sucessivamente.
A restante roupa era cuidadosamente colocada no cesto para passar. O ferro de aspecto rude mas leve no trato estava ainda a aquecer. A tábua de madeira com um pano branco, imaculado por cima, devidamente armada no meio da cozinha.
No fogão a lenha crepitavam as brasas e fervia vagarosamente uma sopa de caldo verde. A favorita dos meninos. No tabuleiro do forno rangia a gordura de uma farta peça de carne. Cabrito com batatas pequenas que aloirariam no molho daqui a pouco.
Sentiu-a chegar subindo as escadas devagar em passo cadenciado e murmurando uma pequena melodia que havia trazido na memória numa das ultimas deslocações à cidade. Um “leteendien” era assim que o percebia mas tinha a noção que não seria assim que se diria.. era inglês parecia-lhe e dessa língua áspera que raramente se ouvia por ali, ela não entendia nada. Nem uma palavra.
Entrou na cozinha e abraçou-a. Gostava daquele jeito como a agarrava abraçando-a sem conseguir dar-lhe a volta ao corpo. Ficava a mirá-la com os grandes olhos castanhos e rasgados, curiosos de menina pequena a caminho de menina mulher.
“o Pai está Beatriz?” .. a pergunta sacramental. O Pai está. Como quem se quer assegurar que se está já não sairá e se não está há que ir à sua procura. O que fazia sempre que chegavam as 19h00 e o senhor ainda não estava em casa. Menina a caminho de mulher com responsabilidades bem maiores que os seus treze anos. “Ainda não, menina” respondera-lhe vendo-lhe alterar-se a feição para um ar ligeiramente preocupado.
Girou a cabeça para o relógio de pêndulo pendurado no corredor. Eram 18h45.
“E os manos?” era a pergunta seguinte, enquanto escolhia uma tangerina suculenta da fruteira e a descascava à mão para dentro do balde do lixo. Velho aquele balde. Havia que o substituir rapidamente. “No quintal, menina”
A roupa toda dobrada agora no cesto para passar. Mais uma volta na carne para se assegurar que já poderia deitar as batatas. A sopa feita era a altura de lhe deitar as finas rodelas de chouriço pelas quais discutiam à mesa num “tens mais duas que eu”. Sorria a Beatriz.
Gostava daqueles meninos que tinha visto nascer. Todos eles.
Há muito que servia naquela casa. Ainda antes do senhor se casar, já servira o seu pai. O Senhor Doutor. Homem bom e justo mas de poucas falas. Depois da sua morte, ficou contente por poder continuar a servir o menino. Menino agora senhor.
.. “tal como a menina”! exclamou fazendo-a voltar-se de admiração. “Um dia terei de tratá-la por senhora, sabia?” disse sorrindo, rugas muito profundas ladeavam os olhos, dando-lhe um ar trocista mas meigo ao mesmo tempo.
“Prometes-me Beatriz?” perguntou-lhe, parando de comer e olhando-a séria. Tão séria aquela face de menina. Tão tristes agora os olhos escuros e rasgados.
“Prometo o quê menina?” atirou-lhe parando ela o que estava a fazer e afagando-lhe os cabelos que lhe caíam em cascata pelos ombros.
“Prometes-me que sairás à minha procura se alguma dia eu não aparecer?”

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Crescendo (XIX)

O diagnóstico não podia ter sido mais desagradável.
A princesa sempre teve uma dentição complicada ou não tivesse sido uma apressadinha das dúzias com 4 dentes na boca aos 4 meses de idade .. mas, entre o trata uma cárie que apareceu aqui, e espera pela queda dos dentes de leite, e ainda pelo nascimento dos definitivos, até se perceber que incrivelmente todos os dentes de leite tinham brinde: uma raiz enorme que não deixava irromper os restantes, and so on, se passaram estes últimos 3 ou 4 anos com idas frequentes à cadeira do dentista.
Amoroso. Super paciente. Sempre sorridente.
Agora, a coisa complicou-se. O uso da maledeta “megan” (chucha para quem não saiba traduzir bébês) até aos 3 anos de idade justifica a pouca extensão do céu-da-boca.
Os dentes definitivos não têm espaço e começam a encavalitar.
Riscos de provocar uma alteração óssea na face e consequente dificuldade respiratória.
Credo!
De onde veio isto assim de repente?!
Aconselhada uma clínica fabulosa. Médicas, odontopediatras, consulta de ortodontia e mais uma de limpeza da boca, conjunto de radiografias que faria inveja a um qualquer book de modelo, enfim .. a conclusão? Um aparelho estranhíssimo, so called Hyrax, a usar durante três meses. A mãe, que de mulher, mãe algo ansiosa com estas notícias, trabalhadora e dona de casa, acaba de ser promovida a mecânica dental, com uma pequena (minúscula) chave de fendas tem, diariamente, que dar um volta a qualquer coisa com um nome complicadíssimo, para que o aparelho comece a cumprir a sua função .. alargar o céu-da-boca através do afastamento do maxilar de um modo que me abstive de explicar à princesa de olhos arregalados perante tanto aparato.
Um vai correr lindamente perante o sorriso cândido da médica que lhe enxuga as lágrimas com a luva e lhe faz festas no cabelo .. eu, engulo em seco, tranco as minhas próprias lágrimas a sete chaves no cantinho da menina do olho, abraço-a e afianço-lhe com a minha própria voz (a única na qual ela acredita) .. vai correr tudo bem sim.
Já na sala de espera marca-se a colocação daquela coisa com nome de remédio para os princípios de Março, há ainda testes e rx a fazer para tudo verificar. Nas despedidas entregam à princesa um documento num “dá à mamã que é o orçamento”. Sorrio eu, imaginando os valores de tudo isto.
Curiosa, abre o papel já na rua e arregala de novo os olhos desta vez com uma expressão entre a dificuldade em ler o número e a fúria. Como é que é possível, mummy? Vês o número que aqui está? .. Já desconfiava eu que seria algo parecido. Essas preocupações são muito minhas princess .. gozo-a .. o tudo partilhar tem destas coisas .. há assuntos que era suposto serem só da mãe, como as contas e a renda de casa .. ainda me lembro do dia em que tive de lhe responder à pergunta inocente do porque é que a mãe tinha de comprar candeeiros e lâmpadas e ainda pagar a luz? .. (chorei a rir) ..
Mas .. o facto é que o tudo partilhar cria umas crianças um pouco mais velhas do que é suposto serem .. o que se por um lado ainda bem .. por outro ..

Tenho a promessa da princesa que além de se portar como uma heroína (her words) na marquesa do dentista até ao final de todo o processo, não vai mais pedir, durante três meses, nem cromos do High School Musical, nem little pet shops para acabar a colecção e vai levar sempre o dinheiro certo para a senha de almoço para não cair na tentação de ir gastar o troco à loja das gomas do Sr. Jorge.
Penso intimamente que na sua inocência será mais ou menos este o sacrifício a fazer para a mãe poder pagar o aparelho cujo valor nem conseguiu ler à primeira.
Afago-a e agradeço-lhe, dizendo-lhe na brincadeira que pelos menos uma carteira de cromos por semana pode ser! Ri-se ! e eu rio-me com ela .. e penso intimamente que tenho de facto uma filha fantástica, companheira, cúmplice e muito crescida .. crescida demais talvez.
.. Mas.. sinceramente? a única coisa que pretendo agora é que estes três meses passem a voar .. e que ela sofra o menos possível, já que sofrer eu por ela, não posso.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

soda caustica (II)

Modo pragmático, indolor, brando e sem ondas, anti_sonhadores que acham que tudo podem porque um dia alguém lhes disse que podiam, e outras espécies em vias de extinção, mas escrevia eu .. modo suave e descomprometedor de .. ver as estrelas.

Bom fim de semana *

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

soda caustica (I)

Tanto acreditou e se encantou com o mundo virtual, a ponto de se tornar virtualÓdependente, que hoje vive numa tela branca onde pisca um pequeno cursor que lhe serve de despertador, dorme num tapete de rato que já conheceu melhores dias e respira pela porta usb..

RIP

(a propósito de um pequeno desabafo de alguém que muito prezo. Alguém que precisou de um conselho, de uma solução. E da minha incapacidade de lhe dizer mais que .. nobody is perfect, indeed)

soda caustica

a rubrica soda caustica hoje iniciada visa o desabafo.
No caso desta diarista vai ser inspirada em disparates que oiço, situações que conheço de perto ou de longe.
Sintam-se à vontade para colaborar nesta série de pequenos nonsenses ;)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Life.. (I)

.. desço para fumar um cigarro e, invariavelmente, encontro-a sentada no muro que separa a escadaria da entrada do edifício. Uma senhora de casaco castanho, calças compridas e botas, cabelo que se percebe pintado de cor garrida, um alaranjado que quereria soar a ruivo, mas que o contraste com a pele rugosa e os olhos fundos em brechas de pele que não deixam ver a cor, atesta que é de facto, um cabelo pintado.
Espreita-me de cada vez que me vê descer. As pernas curtas e fortes penduradas no pequeno muro, como se de uma criança se tratasse, oscilam suavemente, quando se inclina. Acho que lhe poderá eventualmente passar pela cabeça que a vou mandar embora, que vou fazer queixa ao segurança ou .. espreita-me discreta, parte da cara e do cabelo assomando de vez em quando na esquina da parede.
Acabo o meu cigarro, apago-o no cinzeiro improvisado, vaso e areia, e finjo entrar no edifício.
Levanta-se de um pulo a senhora do cabelo cor de cenoura e rugas na pele e em passo rapidinho chega ao cinzeiro à procura. Franqueio as portas de vidro, olho para trás e pisco-lhe o olho. Deixei-lhe um cigarro inteiro que ela pega e guarda com cuidado no bolso do casado puído. Devolve-me o sorriso e calmamente regressa ao seu posto de vigia.
Sentada, meio escondida, pernas a oscilar qual criança à espera ..

terça-feira, fevereiro 19, 2008

e nem de propósito ..

everything would be much easier ..

..if "everyone ought to bear patiently the results of his own conduct" .. but, this is not a perfect world, and no matter the strong beliefs and wishing we are definitely not perfect human beings .. sometimes, i'm afraid, we are not even human ..


Thank you for remembering me that Mr. Shakespeare.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Assim de repente ..

não vejo a que se refira o Senhor Primeiro Ministro, quando diz com toda a propriedade que lhe é nata e aquela voz afectada e nasalada que me faz pegar no comando da tv qual arma de arremesso sempre que o vislumbro no meio de toda a gente que lhe quer dizer alguma coisa .. mas dizia, quando diz o nosso primeiro que “o que estamos a fazer é melhorar a escola pública”.

Hoje, como até acordei bem disposta mas o verdadeiro mar de “sargaços” e destroços que tive de atravessar para chegar ao emprego, foi-me arruinando a disposição minuto a minuto, e quando assim é não há optimismo que nos acuda, apetecia-me perguntar-lhe:
- primeiro que nada, quem são as “nozes” que estão por detrás da frase empregue.
- em segundo lugar qual o verdadeiro significado da palavra “melhorar”.
É que provavelmente será diferente daquele que o comum dos mortais, neste caso eu, lhe atribui; a saber: aperfeiçoar, benfeitorizar, prosperar, corrigir, entre outras de igual harmonia e significado.

Mas adiante .. após esclarecidas estas duas pequenas e insignificantes questões no quadro da dinâmica nacional que preenche certamente a agenda do senhor primeiro, tem de compreender meu caro, a mente feminina é complicada, gostaria que me elucidasse se o “o que estamos a fazer é melhor a escola pública” se prende com:
- o número já exorbitante de escolas públicas fechadas no nosso país, país este que goza “ainda” de uma “invejável” taxa de analfabetismo;
- a medida estapafúrdia que ouvi no outro dia, dita por uma voz igualmente nasalada e irritante, mas isto já é mania minha, em que se preceituava que cursos superiores com menos de 19 alunos seriam dados como extintos e os alunos provavelmente “forçados” a escolher outra via/tema/assunto/futuro para a formação a seguir .. antes isso que ter de cavar batatas! Ou talvez não penso agora quando recordo o que paguei por 5kg de batata para cozer ..
- a tentativa de fecho do Conservatório de Música, tabelando pela mediania e pelo básico as oportunidades concentradas em tal Instituição que com tão brilhantes artistas nos contempla;
- o estado degradante de algumas escolas e a falta de condições existente, prova provada - o que se passa hoje em algumas escolas do concelho de Oeiras, sem aulas porque as salas estão alagadas.
Até parece que não costuma chover no país senhor primeiro .. claro que com o S. Pedro o senhor não se mete mas diga-me cá onde andam os fundos da Nação e a que propósitos têm servido, os descontos que fazemos, os impostos que pagamos e tudo mais que anda por aí a circular hein?
É que se ainda nem serviu para mandar comprar uma porcaria de uma “esfregona”, estamos mal!

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

nonsense .. or maybe not

Pisca o cursor negro no branco imaculado da tela .. dois pontos vírgula ponto final.
Alguém me perguntou há algum tempo o porquê dos dois pontos.
É como falo. Escrevo como falo.. com pausas.
E hoje dizem-me, ao ouvirem-me queixar de uma recente falta de inspiração .. “escreves como respiras tu, não precisas de inspiração”.
Sorrio..

No prédio em frente está uma placa em que alguém com nome sonante vende qualquer coisa que não se vê. A placa está na directa proporção do nome sonante da empresa vendedora. É enorme.
E o cursor negro continua a andar um tracinho à frente das palavras que, em desalmada “tontaria”, decidi atirar para aqui hoje. Incansável.

Uma colega espreita à janela e comenta as pessoas que saem. Com mais sorte que nós que aguentamos estóicas até às 19h00 quer faça sol ou chuva, haja ou não o que fazer, porque foi assim que alguém decidiu sem consultar outro alguém. Ou “alguéns”. Nós.
(eu não vou publicar isto no blog, penso neste momento, enquanto me esforço por recordar a explicação do informático sobre como alterar a forma do cursor. Começa a irritar-me este tracinho)

Alguém fala da Gulbenkian e de um qualquer evento musical na moda e eu penso no Conservatório de Música, e no risco que corremos em que o mesmo feche definitivamente as portas. Risco calculado dirão alguns, aqueles que defendem que os professores do Conservatório deveriam estar no ensino público. Risco irreparável direi eu, triste, porque cada vez mais se preza e premeia a mediania e o básico.
(Tenho mesmo de alterar a forma deste cursor)

Um colega chega e pergunta de chofre “há recados?” .. ao que eu arqueando o sobrolho contraponho “para quem?” .. cala-se, percebe a mensagem, e afasta-se arrastando os sapatos italianos e a dobra perfeita das calças que caem elegantes. Detesto pessoas que arrastam os pés como se lhes custasse o peso do corpo, ou o peso do corpo com vida. Ainda gostava de as ver transportar um morto. Levantem os pés, caramba!

Insuportável o incansável cursor negro, tracinho na vertical, que vela discreto e em silêncio pelas palavras com que brindo hoje este meu diário. Mesmo sem idade para .. sem significado.
.. encontro finalmente a página de alterações imediatas (coisa fina) e clico (verbo idiota) num pequeno cavalo. Um pequeno cavalo castanho, muito pequeno, que finge trotar pelo écran enquanto espera a próxima palavra azul escrita na tela branca.
Foi uma péssima opção como talvez chegaremos a saber no próximo episódio desta alucinação semi-inspiratória .. isso se entretanto eu não o fechar no estábulo da folha de alternativas cujo endereço já não sei outra vez.



(para os que pensavam que isto por aqui era tudo muito certinho, direitinho, and so on, o meu mais sentido pedido de desculpa .. ) ;)

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Fábulas ..

Hoje, a culpa deste post é deste amigo que me veio lembrar Esopo .. ;) velhos tempos de estudo sobre o significado dos escritos do melhor fabulista de todos os tempos passados e, atrevo-me, vindouros, mesmo que ainda hoje se duvide da sua origem e nacionalidade ou até mesmo haja quem lhe atribua carácter lendário e pouco real.
Uma fábula, uma lição de moral dizem que ensinada às crianças que sempre rodeavam Esopo para o ouvir. Poeta, diziam alguns que lhe reconheciam estar imbuído da verdade e da serenidade, características que lhe permitiam retirar sempre um qualquer ensinamento positivo dos acontecimentos. E ensiná-lo em forma de pequena estória sobre e com animais, a quem o quisesse ouvir.
Sabe-se que Esopo nunca escreveu uma única das suas fábulas, mas sendo as mesmas ouvidas vezes sem conta e transmitidas de pais para filhos não se perderam. La Fontaine, um dos seus grandes admiradores compilou diversa informação recolhida e João de Deus utilizou muito mais tarde a fábula do Velho Leão com o mesmo significado numa realidade a anos-luz da de Esopo.Actualíssimas, quase todas, merecem uma leitura :)
Uma das minhas favoritas, além de todas as outras preferidas, é a do Homem e a Cobra.
Ainda me lembro de nos termos rido nas aulas de Filologia com a primeira conclusão da Professora, à laia de brincadeira: “Não leves para dentro da tua casa alguém em quem não é suposto confiares”


“O HOMEM E A COBRA
Na força do chuvoso, e frio Inverno andava uma Cobra fraca, e encolhida, e um homem de piedade a recolheu, agasalhou e alimentou enquanto houve frio. Chegado o Verão, começou a Cobra a estender-se, e desenroscar-se, pelo que ele a quis lançar fora; mas ela levantou o pescoço para O morder. O que vendo o homem, tomou um pau, assanhou-se a Cobra, e começaram ambos a pelejar. De que resultou ficar ela morta, e ele bem mordido.”

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Crescendo (XVIII)

A Catequese começou aos 5 ou 6 anos, como para quase todas as crianças.
Os ensinamentos de Jesus são respeitados, e "O Jesus não gosta que..” era frase recorrente na altura.
E O Jesus não gosta de coisas simples como não acabar o prato da sopa ou fazer fita para ir para a banheira.
O Jesus não gosta que os meninos se portem mal, sejam respondões para o Pais ou deixem o quarto desarrumando.
A mãe apoiou-lhe o espírito e cumpriu o horário dos Domingos de Manhã Catequese e Missa Infantil, comovendo-se com a inclinação ..
Conversavam bastante na altura sobre tudo o que aprendia. A mãe, fruto de uma educação religiosa mista, entre um Pai Católico e uma Avó Materna Protestante, orientava-a nas dúvidas e nas perguntas taxativas sobre o como, o quando e o onde.
Passaram-se os meses até Abril do ano seguinte.

Naquele Domingo específico encontrou-a a chorar sentada num degrau da Igreja pouco antes de começar a Missa das 11h00. Quase de joelhos no chão e braços à volta do seu pequeno corpo, pergunta-lhe de mansinho “que foi princess? .. estou aqui” .. A garota deita-lhe os braços pequenos e magros à volta do pescoço e sussurra-lhe “mummy .. hoje aprendi que os homens mataram Jesus, mummy .. hoje aprendi uma coisa horrível.”


.. 4 anos depois a mesma pequena inscreve-se na Igreja da Paróquia local, depois de uma conversa com a madrinha .. proceder à preparação para o baptismo é o objectivo .. e a data querida? Temos de escolher uma data ..
pode ser na Páscoa mummy?
:)

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Excell Idea ..

Numa altura em que nos faltam as ideias, a vontade e o acreditar .. aqui fica uma forma de ajudar anti-desconfiados, cépticos e outros que acham que é melhor nada fazer porque o que se faz só chega em 10% a quem precisa .. eu sempre preferi encarar a coisa ao contrário .. se esses 10% salvarem da fome, da miséria e da doença uma só criança, já valeu a pena .. por nestas coisas de ajudar quem realmente precisa além de se contabilizarem os euros que saem da nossa carteira há que pesar a quantidade de pratos de sopa, neste caso de arroz ;) que chegam a quem deles depende para poder acordar no dia seguinte ..

Esta também não custa nada, nem euros, .. mas .. pode tornar-se viciante, fica o aviso ;)

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

They must be kidding ..

E se é por falta de verbas que tudo isto está a acontecer nada como recuperar as reformas mirabolantes pagas a quem nada fez na vida que as merecesse .. por exemplo .. assim de repente ainda consigo pensar em mais uma ou outra medida mas .. acho que esta é suficiente.

Podem assinar que não dói nada .. nem os ouvidos à Ministra que deve ser completamente surda.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Howdy mates ;)

..um dos meus blogs favoritos, leitura diária que não dispenso, faz hoje 2 anos .. e sendo o 7 um número de vários totais .. que lhes posso desejar eu que não seja mais um bom par de anos a agitar, comover, lembrar ou simplesmente .. a escrever ? :)

Tenho, para mim, que mais gente houvesse assim num reduzido metro quadrado ;) com a coragem, o humor, a sabedoria e a imparcialidade que pauta a vossa postura neste mundo que de virtual tem pouco, e a coisa teria "pernas para andar" .. ;)


Parabéns!

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

A pena ..

..leve sobre o papel branco mas não imaculado .. delicadamente segura em dois dedos que se adivinham elegantes, sensíveis .. a pena .. e a mente em perfeita sintonia de sentires e de quereres .. palavras que de tão bem arrumadas nos transportam no sentimento da escritora .. será que era isso mesmo que ela queria dizer? não interessa.

A mim interessa-me o que sinto quando a leio .. quando a leio e me delicio.
Quando a leio e sinto.
Quando a leio e penso: é assim que eu quero escrever .. um dia.

Parabéns amiga sine .. :)