quinta-feira, janeiro 31, 2008

Crescendo (XVII)

Mummy o que é a consciência?
E a primeira imagem é a de um grilo preto e verde, irritante, de bengala na mão, “brinquedo” de um menino de pau a quem crescia o nariz de cada vez que falava por meias verdades .. ou seriam meias mentiras .. ? :)
E a outra imagem logo de seguida é a de uma conversa no jardim, sentadas no baloiço, neta e avó e a explicação .. foram tantas as explicações sobre tudo e sobre nada, sobre as grandes questões da vida e a mudança de vida .. mas .. a explicação da avó sobre para que serve a vozinha que tens dentro de ti, por vezes alheia à tua vontade, que te bichana um “tss tss …!” de vez em quando, e tu sabes, só por esse som, tu sabes que estiveste menos bem.
Conscience my dear, is all we have that make us like ourselves..

E começo a minha própria explicação.. dando graças pelos ensinamentos de quem explicou com a vontade que eu entendesse. Consciência princesa, é um bichinho pequeno que vive dentro de nós, ela sorri, que por vezes, quando optamos por fazer algo que não está muito correcto .. levanta-se de um pulo e dá-te uma pancadinha no peito dizendo: “ham ham .. a menina não acha que?” .. gargalhada!
Mummy .. esse aperto no peito eu já senti algumas vezes. E normalmente quando estou a fazer alguma coisa que sei que não posso.
Hum .. sério? .. então a tua consciência está bem acordada, querida. Ouve-a.

A princesa do reino lá de casa tinha talvez uns seis anos quando tivemos esta conversa.

Ontem, lembrou-se dela.
Mummy, lembras-te da conversa que tivemos, quando eu era pequena (?) ;) sobre a consciência? Hum .. sim, lembro mais ou menos porquê?
.. Todas as pessoas têm consciência mãe?
.. sim querida, todas têm.
Ah .. mas numas está com certeza completamente adormecida.

Sem dúvida alguma princess .. oxalá não aprendas à tua custa o quanto custa acordar consciências ..

quarta-feira, janeiro 30, 2008

anything else?

Há semanas complicadas .. mais que outras.
Já todos passaram por isso portanto este post hoje é mais do mesmo ;) há semanas que começam tortas .. numa segunda feira luzidia o bendito despertador não toca. Normalmente até acordamos antes dele e sorrimos maliciosamente num “ainda tenho 10 minutos na na na na na na ..!” mas nestas semanas a que me refiro, não só não acordamos como ainda é o aparelho que nos deita a língua de fora num .. “estás atrasada .. irremediavelmente atrasada”.
Depois de começar desta forma, com o coração aos pulos e a gritar pela princesa num despacha-te despacha-te .. e sendo que tal situação ocorra numa 2ª feira .. pouco ou nada podemos esperar dessa semana.
Está queimada.
Oxalá passe depressa.
Mas não .. a semana arrasta-se num turbilhão de acontecimentos menos bons que nos levam a perguntar “fiz alguma coisa errada eu?” .. é o trabalho que não rola nos eixos como é suposto, esbarrando em burocracias, burrices alheias, esquecimentos e incompetências que normalmente, normalmente!! não acontecem todas de uma vez.
É o idiota do taxista que na pressa de ultrapassar aproveitando sinal amarelo avermelhado nos dá um toque no pára-choques e arranca de nariz no ar! É o almoço que ficou em casa, na bancada da cozinha, bom para ir para o lixo ao final do dia, a bendita vizinha perita na cusquice da vida alheia que decidiu começar a fazer obras das 7h da manhã às 10h da noite, a caixa de correio arrombada sabe-se lá com que intuito.
Anything else?
E não me invoquem a lei de Murphy s.f.f. ;)

Depois .. bom felizmente no caso desta diarista de serviço, depois houve o culminar de tudo isto num sitio paradisíaco, num acordar de fim de semana sem despertadores que não sejam os passarinhos a chilrear nos pinheiros altos que projectam uma sombra agradável num parque infantil que, se não fossem as lagartas, teria feito as delicias da princesa ;) Um pequeno-almoço caseiro, pão em saco de pano pendurado à porta e doce de abóbora servido em malgas de barro à moda da minha terra. Uma vista deslumbrante, calma, luminosa, daquelas que nos fazem encher o peito de ar na certeza de estarmos prontos para tudo. Ou quase tudo.

Ora venha de lá mais uma semana, vá ! ;)

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Um Mundo ..

que não acarinha, respeita, zela, protege, educa, alimenta, faz crescer feliz e ... os seus infantes .. não tem qualquer futuro ..

Infelizmente somos poucos, muito poucos a pensar assim ..

a ler ..
.. e ainda

depois?
.. bom depois há tipos iguais aqueles que provocam isto tudo que porque morrem coitados, têm direito a este mundo e ao outro, com honras de gente especial e única ..

sexta-feira, janeiro 25, 2008

what can I say .. (?)

Mummy .. what? pergunto-lhe tendo apreciado a mudança de expressão ao longo do texto (thanks again Helder) .. expressão que passou de sorridente (vaidosa? imenso ..) a tensa, olhos furiosos e depois algo tristes .. termos repetidos numa entoação própria de menina curiosa .. e finalmente uma exclamação de puro horror numa determinada parte do texto ...

What sweety?

A par de bailarina e professora de ensino especial achas que eu ainda consigo ser jornalista?

.. tenho a certeza que conseguirás ser tudo aquilo que desejares, menina .. :)


tenham um excelente fim de semana .. ;)

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Ainda ..

Sobre o trabalho .. aquele .. tema pesado.

Mummy .. tenho aqui uma dúvida .. yes princess ? pouso o ferro na tábua e aguardo .. a mesa da sala feita sala de estudo, porque é que com escrivaninha, prateleiras de livros arrumados e boa luz no quarto ela insiste em fazer este arraial em cima da mesa .. da sala .. hum.
Sim .. ? chuta ;) atiro-lhe vendo-lhe o olhar perdido e aquela marca na testa que tem desde que me lembro de a ver tentar concentrar-se.
Não sei muito bem explicar, acho, .. começa .. a marca da testa salta em forma de ruga para minha .. mas explica-me uma coisa: porque é que as pessoas que fazem estas reportagens sobre os pobres, que filmam os meninos cheios de moscas na boca, as barrigas grandes, as pessoas doentes e em macas em sítios sem condições, em países distantes .. hum ? sim .. ? Porque que é que em vez de as filmarem e depois transmitirem estas coisas, não pegam nelas e não as trazem para as ajudar? Já que lá estão ..

É nestas alturas que eu gostaria de tudo saber e tudo saber explicar.
Começo por lhe fazer ver que o trabalho dessas pessoas não é esse.
O trabalho do Jornalista é dar a conhecer, alertar, recolher informação, imagens e depoimentos que possam ser transmitidos a quem não tem acesso, e ao mesmo tempo prestar um serviço, neste caso a essas populações, dando a conhecer ao Mundo a situação em que vivem.
Acaba por ajudar porque faz chegar essas imagens a todo o lado.
Mas mummy, contra-ataca, e depois? Acabam a reportagem, guardam a máquina e partem para casa? .. indaga com ar indignado .. consigo entendê-la .. vejo-lhe nos olhos de criança uma zanga própria de quem acaba de esbarrar com uma injustiça tão grande que não a entende .. de quem não se conforma, quer mais, quer entender ..
Digo-lhe .. não acredito que não lhes custe querida .. mas é o que têm de fazer.

Alguém se chega à frente e explica melhor s.f.f.?

Grata ..*

quarta-feira, janeiro 23, 2008

you'd better .. ;)

Quatro piscas ligado, carro em segunda fila, enorme, sem margem para poder "fugir" .. Ok, pensei, não demora certamente.
Ao fim de 5 minutos apito. Convenhamos que 5 minutos em hora de ponta 07h40 da manhã é mais que suficiente para se cumprirem os "índices" da regra do “não se apita dentro de uma localidade” .. não façam essa cara, é verdade sim.. está no código.
Pelo menos naquele por onde eu estudei.
Não será certamente a mesma edição do idiota que decidiu, depois de colocar a criancinha aos berros no colégio, ir tomar o pequeno-almoço ao café do cimo do bairro, com o carro mal estacionado, mas com os providenciais 4 piscas ligados (havias de ter ficado sem bateria, isso sim) atrás do meu, impedindo-me a saída. Certamente que não.
Nem seriam provavelmente os mesmos autores. Os autores do código por onde estudei advogavam acima de tudo o bom senso e a educação, o cumprimento de regras e o respeito pelo próximo.
Coisas simples que deveríamos praticar ao volante .. e a pé.
À terceira apitadela, 13 minutos de espera, aparece-me um cavalheiro de barriga à mostra, calças abaixo da cintura e barba por fazer, aos gritos e de braços no ar num “ o que é que quer?” “tenha lá calma oh sua .. “ .. Inspirei, abstendo-me de responder. Há coisas engraçadas que nos passam pela cabeça em fracções de milésima de segundo .. é simples .. também sei palavrões ora.
Enquanto punha o carro a trabalhar ouvi uma voz sonora: a Senhora não há-de querer mais que conseguir sair daqui, mas encoste aí à frente que eu quero os seus documentos e os da viatura.

Hum .. ok .. escuso de usar os palavrões!
(risada)

terça-feira, janeiro 22, 2008

misfortune ..

Um povo que não preza, acarinha, respeita e venera os seus anciães, o seu passado e a sua história por vezes de estórias feita .. não tem futuro.

A ler

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Crescendo (XVI)

Mummy ajudas-me? .. sorrio perante a lembrança de uma outra frase destas em tudo igual nos termos e “dependência” mas em vez de uma mãe havia uma avó .. e a catraia de 10 anos e interrogação na testa era eu.

Sure. Que precisas princess?
.. pesquisas, imagens .. tema pesado. A Pobreza.
Trazia o tema alinhavado e a forma como queria apresentar o trabalho .. nisto dou a mão à palmatória em relação às dúvidas que tive sobre disciplinas com nomes tão inócuos como Área de Projecto, Estudo Acompanhado ..
Ensinam, mas acima de tudo orientam, colocam uma ordem, explicam como ..
Como queres então fazer, pergunto-lhe, não deixando de me admirar que entre temas como adaptação escolar, vida em família, religião e pobreza, ela se tenha inclinado precisamente para este último.
Quero apontar as causas mummy .. e as consequências, quero dizer quais são os países mais pobres, quero imagens e quero dizer o que fazer para deixar de haver pobreza no Mundo.
.. para deixar de haver pobreza no Mundo? que farias tu .. pergunto-lhe meio a sorrir .. é tão grato quando achamos que tudo podemos mudar, melhorar .. dei por mim a recordar os passeios com a granny e a natural tendência que tinha em afagar as mãos dos cegos que pediam nas ruas da nossa baixa lisboeta há 30 anos atrás .. tocava-lhes nas mãos e afastava-me sem olhar para trás mas acreditando piamente que os tinha confortado. A avó sorria e apertava-me a outra mão com mais força ..
Sim querida? .. que farias tu? .. Mummy eu sozinha não posso fazer muito. Mas farei um pouco de tudo para melhorar a vida das pessoas. Como tu fizeste com a senhora que está no lar, e com os meninos da Aldeia onde vamos deixar artigos para a escola.
E também vou escolher comida para o Banco Alimentar quando for às compras. Isto eu sei que posso fazer.
Quando eu mandar, se algum dia eu mandar, vou pedir a todos que ajudem todos. Vou pedir ao povo de todos os países que se una e ajude o seu vizinho ou aquele menino que aparece na televisão com uma grande barriga sem nada lá dentro, vou-lhes dar um prazo para acabarmos com a pobreza, e com as barracas e com aqueles que dormem na rua dentro dos jornais. E depois vou para a rua ajudar as pessoas que se unirem a mim a cumprir esse prazo.
Achas que posso escrever isto tudo no trabalho como parte da conclusão mummy?

Acho que não deveríamos ter perdido a capacidade de acreditar isso sim .. sorri a minha princess, agora ela feita mulher crescida, a entender onde quer a mãe chegar mas .. a acreditar.

Quando tu mandares .. *

terça-feira, janeiro 15, 2008

Poesia

O sol ensina o único caminho
a voz da memória irrompe lodosa
ainda não partimos e já tudo esquecemos
caminhamos envoltos num alvéolo de ouro fosforescente
os corpos diluem-se na delicada pele das pedras
falamos rios deste regresso
e pelas margens ressoam passos
os poços onde nos debruçamos aproximam-se perigosamente da ausência e da sede
procuramos os rostos na água
conseguimos não esquecer a fome
que nos isolou de oásis em oásis
hoje
é o sangue branco das cobras que perpetua o lugar
o peso de súbitas cassiopeias nos olhos
quando o veludo da noite vem roer a pouco e pouco a planície
caminhamos ainda
sabemos que deixou de haver tempo para nos olharmos
a fuga só é possível dentro dos fragmentados corpos
e um dia
quem sabe?
chegaremos


Al Berto (1948/1997) in "trabalhos do olhar"

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Too sad ..

.. já tinha ouvido falar .. para ser completamente honesta até já vi este tipo de situações bem de perto .. não tão graves ou abrangentes como aqui está descrito, e provavelmente sem consequências tão graves também .. e de todas as vezes que o assunto é tema formulo um voto secreto ..
era bom que os casais, quando a coisa dá irremediavelmente para o torto, não se esquecessem nunca que a responsabilidade na escolha do pai/mãe dos seus filhos foi única e simplesmente sua .. talvez isto os ajudasse a zelar pela felicidade incondicional dos filhos, pela sua estabilidade emocional e afectiva, pelo seu crescimento cuidado e sereno .. talvez isso impedisse que as crianças comecem, em muitos casos de separação e divórcio, a ser encaradas como a arma perfeita para o arquitectar de uma vingança que tem tanto de estúpido como de completamente inglório .. talvez isso, esse objectivo máximo de "acima de tudo o meu filho tem de estar bem" os ajudasse a recuperar alguma auto estima e calma que lhes permitisse atravessar essa fase da vida que de conturbada tem tudo ..
era bom ..

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Gostei de ler ..

A explicação de Pedro Correia para o fabuloso circo sem tenda montada .. ainda .. aqui

A explicação de Miguel Castelo Branco que segundo a minha interpretação se prende com mais do mesmo mas com auras de feitiços virados contra feiticeiros ;) .. aqui

A ternura inspiradora deste texto de Miss Pearls .. que me fez regressar num segundo à minha própria aldeia Natal .. com tanto e ao mesmo tempo, com tão pouco.


Grata *

terça-feira, janeiro 08, 2008

A brand new year ..

Um ano novinho em folha .. a estrear.
Um ano com dias por preencher, lugares vagos em agendas imaculadas, sem notas nem apontamentos.
Um ano novo, e ainda por cima par.. e bissexto .. mais um dia .. Mais 24 horas, não sei quantos minutos.
Tudo novo.
Tudo sem marcas. De aproveitar.
Como se “começar de novo” tivesse ainda algum sentido.

Dou por mim a recordar o primeiro banho do ano, numa altura em que se cumpriam tradições porque sabia bem fazê-lo.
Lembro-me do mais corajoso, o velho Tio, que não obstante a temperatura para lá de mínima, entrava na gélida água de um furioso mar dia 01 de Janeiro cumprindo um ritual com direito a duas semanas de cama logo a seguir.
Recordo ainda a peça de roupa azul, feita em casa normalmente, que todos estreávamos num acreditar que teríamos assim boa sorte, paz e saúde.
Recordo as passas que se engoliam, o salto para cima da cadeira, os votos e desejos em que se acreditava, com toda a força acreditava-se que assim se cumpririam.

A brand new year .. de cada vez que se inicia um novo ano tenho esta sensação .. qualquer coisa de novo, de particularmente bonito .. que me é acessível .. como não preenchê-lo sendo feliz ? ;)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

"Back in Business" ;)

Proibiram-me de fumar no meu local de trabalho.
É justo.
Cumpre-se a lei. A empresa achou por bem não facilitar nem com um pequeno recinto, arejado e agradável, que permitisse aos colaboradores que assim o queiram, manter o vício.
É justo. É a vontade do empregador.
Agora, as dezenas de pessoas que ainda fumam saem em intervalos cadenciados para fumar um cigarro em frente à fachada da empresa, na rua, apagando os cigarros no cartão que levam para deitar ao lixo.
É bonito. Demonstra educação. Sentido cívico. Respeito pelos outros.
A mesma educação que eu recebi e ao abrigo de cujos pergaminhos fui ensinada que uma senhora não fuma na rua.
Nem no passeio, nem na paragem de autocarro, nem à porta do restaurante.
Fica bem. Ou fica mal, como queiram.
Dia 1 de Janeiro de 2008 enchi os bolsos de “nicorettes” que me têm feito companhia por estes dias.
Não me perguntem ao que sabem.
Responderei com um grunhido mal disposto, próprio de quem “ressaca”.
Não vou deixar de fumar.
Mas sei que vou passar a ser olhada como uma “criminosa” de cada vez que na rua, à porta do restaurante ou no passeio acender um cigarro.
E a avaliar pelo “brilhante” trabalho das autoridades competentes, ainda acabarei mais cedo ou mais tarde, por ser dura e exemplarmente multada.
Vale-me a "tradição" do meu “país” que deixa andar na rua pedófilos, violadores, pais que maltratam, estropiam e matam os seus próprios filhos, assaltantes, chulos e outros demais .. vale-me a "tradição" do meu "país" que liberta em ridículas "liberdades" condicionais “pessoas” que nem com 20 anos de bom comportamento me convenceriam, o meu "país" que fecha maternidades, escolas e serviços considerados necessários, que impõe aumentos muito acima da inflação e do que tem obrigação de saber poder o povo .. o meu país que se está literalmente nas tintas para a sobrevivência do seu próprio povo, mas que se estoira em medidas de prevenção da guarda civil contra as manifestações da natureza, e que agora, por nada mais haver a legislar, tratar, cuidar, proteger ou proporcionar sai-se com esta ..

Digam-me cá .. não há-de ser pesada a minha sentença certo? .. e posso sempre recorrer apresentando um rol de testemunhas acabadinhas de sair do forno ..