quinta-feira, novembro 29, 2007

See you .. :)

.. por aqui vamos certamente continuar a crescer .. com mais ou menos episódios hilariantes ou sofridos ou de lágrima no canto do olho que somos mesmo “mariquiti” como diz a mummy ..
Continuaremos sem dúvida com a vizinha do lado utmost da cusquice e as suas investidas mais ou menos inoportunas que nos provocam barrigadas de riso que temos de conter .. isto se entretanto não nos mudarmos outra vez .. ;) .. a mummy continuará provavelmente a encher os seus caderninhos de vida .. com episódios de vida e muitas memórias da outra vida .. aquela que vai ficando para trás.

Ter-vos a todos, sem excepção, como leitores foi uma “conquista” que não esperava conseguir quando há quase um ano decidi substituir o branco das folhas de papel pelo azul da blogosfera.

Mas .. plagiando a minha querida amiga sine .. “aproximam-se tempos sem tempo” .. não há como negá-lo ou esconder-lhe as evidências.
E o tempo, meus caros, é um bem por demais precioso para fazermos de conta que de tudo conseguimos dar conta.

Voltarei .. só não consigo escrever hoje, o quando :)

Um abraço a todos e o meu bem-haja *

quarta-feira, novembro 28, 2007

Teaching .. :)

“avó .. ensinas-me?” .. e a avó cheia de paciência e de sorriso nos lábios, punha de lado o que estava a fazer, pegava-lhe nas mãos pequenas e rechonchudas e ensinava-a.
Ensinava-a a pintar a paisagem que se via da janela da sala que dava para o terraço. Uma paisagem que ora era verde e amarela, perlada de flores coloridas, grandes tufos verdes bem podados á beira do muro e roseiras com rosas vermelho sangue que pareciam dançar na brisa suave, ora era castanha, as pequenas árvores de galhos secos e nús e a terra mais escura das chuvas.
Ensinava-a, ainda com mais paciência, a segurar a agulha e a linha e o botão e o tecido .. “mas avó não consigo, só tenho duas mãos” .. e não podes usar todos os dedos ria-se a avó verificando que o botão estava em riscos de ser cosido na pele fina da mão, tal o empenho e a concentração que ela colocava na aprendizagem.
Ensinava-a a colocar talheres, de peixe, de carne, a colher da sopa, o guardanapo e o copo, para que serve tanta coisa, perguntava a sua cabecinha de menina curiosa e pequena, optando por colocar tudo como via fazer.
Ensinava-lhe as notas da escala musical, de ouvido claro, e a posição dos dedos no piano, dedos que de rechonchudo passaram a finos, em mãos esguias e unhas pequenas mas perfeitas, como as da avó.
Ensinava-a a apertar o avental, bem esticado, direito e limpo antes de iniciar uma qualquer experiência culinária entre temperos, doses e medidas, tudo a olho que não havia por onde medir que não fosse de experiência feito.
Ensinava-a a falar, a pronunciar palavras complicadas que procuravam as duas no Léxico Universal numa altura em que ninguém sabia ainda o que era um computador, motor de busca ou Internet. As buscas, na altura chamadas pesquisas, eram feitas com o pesado livro em cima das pernas tapadas por uma manta quentinha, candeeiro aceso e lápis na mão.
E assim ela descobria o significado de vociferar ou onde ficavam as ilhas Andaman.

A avó ensinava a descobrir.
Ensinava-lhe a paciência para procurar o detalhe.
A importância de um pequeno detalhe sem o qual “you may well ruin everything dear” ..
She might.
But she didn’t.

terça-feira, novembro 27, 2007

Crescendo (XV)

Mummy hoje fiz uma boa acção mas custou-me um euro!
Dou uma gargalhada e ponho o meu ar interrogativo para que continue ..
.. Há um menino na turma, o Nuno, que é como eu .. começa ela .. como tu? Como assim?
Assim mummy .. meio “mariquiti” como tu dizes .. risos .. ah .. chora fácil é? E tem aqueles medos que tu tinhas é isso? Que eu tinha e que às vezes ainda tenho mummy mas agora já não choro né? .. sim .. sim .. continua.
Bom .. hoje quando entrámos na sala de Português, a professora estava atrasada e ficámos um tempo sozinhos e eu vi que ele estava a chorar. Perguntei imensas vezes o que é que ele tinha e ele não queria dizer. Até pensei que tinha feito qualquer coisa nas calças .. é que há um outro menino numa outra turma que tem um problema e os colegas gozam com ele e .. Stop .. continua lá a história da boa acção! Ok .. então ao fim de uma eternidade (sic) .. (mais risos) ele contou que se tinha esquecido do dinheiro para a senha do almoço do dia seguinte e que a mãe já o tinha avisado que se tal voltasse a acontecer ficaria sem almoçar porque ela não estava para estar sempre a pagar multas da compra da senha no próprio dia. Sabes mummy (tudo de seguida .. ) eu até estranhei porque a multa são vinte cêntimos e eu nem quero acreditar que aquela mãe prefira que o filho não almoce para poupar vinte cêntimos, achas bem mummy? Farias isso também se eu me esquecesse do dinheiro para comprar a senha do almoço? .. Talvez rio-me perante o ar indignado da princesa lá de casa. Bom .. e então que fizeste tu? perguntei adivinhando o desfecho que lhe custou ao fim e ao cabo duas senhas de almoço (ainda a rir) ..
.. Ora, quando comprei a minha comprei uma para ele. Depois fui à procura dele e tive de dar a volta toda à escola porque não o encontrava em lado nenhum e até achei que se tinha fechado na casa de banho dos rapazes a chorar .. e na casa de banho dos rapazes eu não posso entrar obviamente (outro sic .. ), mas não, estava encostado a uma das colunas ainda a chorar! Bolas .. eu quando chorava era por coisas mais complicadas não era mummy? Sim sim .. do tipo os outros meninos são muito grandes e chamam-me formiga e mandam-me embora .. canto eu com voz de falsete .. ela ri-se .. do ridículo do que a fez chorar e da minha voz, aposto !
Bom .. lá encontrei o Nuno e entreguei-lhe a senha. Se visses como ele ficou mummy .. todo contente, deu-me um abraço e passou a tarde a dizer-me obrigado. Muito bem ! Que ele não faça disso um hábito atiro eu à laia de aviso .. Mas sabes mummy, o pior foi que quando eu quis a minha tosta mista já não tinha dinheiro para a comprar .. !
Outra gargalhada .. !

segunda-feira, novembro 26, 2007

Sem tempo ..


para .. :) o que convenhamos logo no inicio de uma semana é .. (aceitam-se sugestões .. risos)


sexta-feira, novembro 23, 2007

Pedaços de uma história qualquer .. (III)

.. o tempo estava gélido, um frio de cortar os lábios que se esforça por manter húmidos, piorando a situação .. não estava muito bem agasalhada, pensou, tenho de comprar um casaco daqueles .. e sorriu. Como poderia?
O caminho a pé era imenso. Olhava os carros que passavam por si em marcha lenta, no trânsito insuportável das 18h30, observando as pessoas encasacadas no quente da viatura e pensava de si para si “tenho de tirar a carta.. se não este Inverno, quem sabe para o próximo” .. sorrindo de novo. Ao entrar no bairro admirou-se do presépio já feito com honras de centro de rotunda. Era um presépio simples, apenas três figuras, um menino de barro envolto num pano branco que arrepiava do frio que se sentia. Figuras de Pai e Mãe ladeavam a criança, num ar amoroso que a inclinação dos corpos dava a entender. Não havia manjedoura, nem animais com bafos quentes a fazerem nuvens no ar, e muito menos reis magos ou sem magia carregados de prendas para ofertar. Não haveria prendas neste Natal, pensou sem mágoa. As finanças não o permitiam, continuando a andar em passo apressado, apertando mais o casaco ao peito numa rajada gelada e repentina. Há coisas piores .. há certamente vidas piores, martelavam os passos na calçada, a par do barulho do seu estômago vazio, barulho que a incomodava, tenho obrigatoriamente que passar no sapateiro .. esta bota. A loja dos trezentos do Senhor Manuel estava cheia de gente. Gente como ela agarrada a um casaco fraco que não protegia. Pensou que se calhar não era má ideia passar por lá, talvez houvesse uma lembrança engraçada que pudesse comprar para a irmã ou para a mãe. A padaria da Dª Emília, um pouco mais abaixo na mesma rua, igualmente cheia. Como os entendia, sorriu de novo, aquele cheiro a pão quente e estaladiço quase a agoniava tal a fome que tinha.
Entrou na quietude do pequeno apartamento, modestamente mobilado, e acendeu a vela. A luz estava cortada pela companhia que não se compadecia com atrasos .. finanças, pensou ao passar na fruteira e retirar a única maçã com ar de roída.
Dez horas de trabalho em cima e ainda um texto de cento e quarenta e cinco páginas para dactilografar, rever e entregar dois dias depois. Tem de ser, pensou enquanto ajeitava uma manta gasta nas pernas que gelavam. Vai fazer-me jeito este dinheiro para a conta da luz.
Não deu pelo apagar da vela que cansada, de pavio gasto e quase sem cera tombava pingo a pingo em cima da pilha de papeis limpos, escritos e revistos, que terá terminado lá pelas três da madrugada.
Triste surpresa a acolheria quando acordasse.
.. se acordasse.


(talvez continue .. ou não. Talvez o objectivo seja tão só escrever sobre algo ao qual não consigo ser indiferente. A passividade alheia perante a miséria vizinha.)

quinta-feira, novembro 22, 2007

Dicas (I)

Ladra Alternativa
24 de Novembro – 09h – 21h00
25 de Novembro – 10h – 19h00

A 10ª edição da Ladralternativa é inspirada no espírito natalício e, acima de tudo, baseada na originalidade do trabalho dos criativos portugueses.
Entre artigos de decoração, acessórios de moda, cerâmica, roupa, joalharia, fotografia e pintura, encontram-se peças verdadeiramente únicas e presentes originais para o Natal.
A instituição Ajuda de Mãe - uma associação que apoia mulheres durante a gravidez - é a convidada especial do evento. Os visitantes podem contribuir levando leite de primeira infância, fraldas ou produtos de higiene.

Informações Úteis:
Entrada livre
ladralternativa@gmail.com

Centro Cultural Dr. Magalhães Lima
Endereço:
Rua do Salvador, 2 A, 1100-465 Lisboa
Tel. 218 875 838
Vamos ver que andam a fazer os "nossos" criativos? .. e de caminho aproveitamos e ofertamos umas lembranças a quem mais precisa ? .. "bora" .. como diz a princesa lá de casa .. termo pouco dignificativo da condição real mas .. ;)
Divirtam-se ! *

quarta-feira, novembro 21, 2007

Real insanity ..

A Companhia de Jesus (em latim, Societas Iesu, abreviadamente S. J.), cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola (Santo Inácio de Loyola).
É hoje conhecida principalmente por seu trabalho missionário e educacional.

Infelizmente não é por isto que é hoje conhecida.

Alguém mais próximo que faça o favor de lhes passar a informação do que é suposto manifestarem, advogarem, incutirem .. á luz do que recentemente é notícia acredito que se terão esquecido ..

terça-feira, novembro 20, 2007

Virtual insanity ..

..”você incomoda-me minha cara ..” e segue-se uma lenga-lenga semi-filantropa, pautada por uma ou outra bajulice à escrita, muitos desvarios and so on ..

Caro comentador anónimo, que gentil e anonimamente (se tivesse tempo ainda descobria como isso se faz .. mas não tenho) me enviou um email com este início de conversa a que no círculo dos meus amigos eu chamo de “chacha” ..
Passando por cima (literalmente falando) do mal empregue determinante possessivo, faça um favor a si mesmo e leia aqui este post que escrevi há uns tempos a propósito de uma iniciativa em tudo idêntica à sua .. ah .. julgava-se único? .. lamento .. ;)

Volta não vira acontece isto.
Pelo que leio em outros blogs onde se publica mensagem idêntica para ninguém em especial e para todos ao mesmo tempo, com a inerente injustiça feita a quem não tem nada a ver com o assunto, parece que a coisa é recorrente aqui na “blogo” .. porque será?
.. fruto de troca de comentários escritos, protegidos por um écran de computador, em vez de troca de olhares, expressões, esgares, entoações e manias? talvez ..
.. frustrações em cima da mesa a par e passo com o rato, o tapete e as teclas enter, esc .. back, back, back .. ? também acredito.
.. curiosidade quase mórbida, tentativa de chamar a atenção de alguma forma, ou simplesmente o não ter rigorosamente mais nada que fazer ? .. hum ..
Invejas? como me dizia alguém há uns tempos .. mas inveja de quê for Christ?

Não é que me incomode por aí além.
Se assim fosse não teria tornado visível o meu endereço de email, e provavelmente não publicaria a mensagem referida ou esta. Passaria simplesmente por cima, tipo tractor ou enfardadeira .. mas aproveito também a coisa que de divertida tem 0 para sugerir um conselho .. Get a life mate! A real one! ;)

segunda-feira, novembro 19, 2007

Sweet Week End .. :)

Segredinhos, conversas sussurradas e galhofas .. muitos shiuuuuu e risinhos que interrompem frases, piscadelas de olho e trejeitos de menina grande .. “só mais um bocadinho ..” “são só cinco minutos mummy ..” são frases recorrentes quando chamo para jantar, para o banho ou para finalmente e a custo porem ordem no quarto que parece um acampamento de ciganitas sem galinhas à solta .. corridas em bicos de pés, esconde esconde atrás do sofá da sala ou no canto da cozinha onde me esqueci de espreitar .. “Vou lá abaixo beber café princesas ..” “nós ficamos mummy ..” .. risos .. mais risinhos .. saudável .. trocas de roupa, “temos de ir de igual”, camisola verde e saia a condizer .. “tenho collants laranja” ? “e posso calçar botas iguais”? .. gargalhada minha que de repente tenho duas filhas .. e gémeas ainda por cima .. !
Comem bem, ajudam, brincam e divertem-se .. sem esforço .. inventam de grande como só as crianças sabem fazer. “Que idade teríamos se andássemos no 10º ano”? .. e lá arranjam as sacolas, que nessa altura já não usarão mochilas pesadas, dossier numa mão e telemóvel na outra, numa perfeita (até eu me espanto ..!) assumpção de idade que ainda não têm ..!

São a princesa e a melhor amiga em casa de fim-de-semana *
Numa cumplicidade salutar de ver, assistir, aproveitar .. um tempo partilhado assim que ficará na memória .. memória que eu não tenho, mas que vivo .. com elas :)

Obrigada meninas *

sexta-feira, novembro 16, 2007

Porque sim ..

Porque gosto de amarelo claro .. e de castanho .. e de esverdeado .. e de todas as cores deste Outono que parece afinal chegou de repente ..

Porque me apetece mudar .. que não seja o penteado ou a maneira de vestir ou de ser .. (valha-nos isso!) .. e porque não estando na silly season é tanto o silly que não tarda .. ;)

Bom fim-de-semana *

Can we save them ..


"A criança desperta-me dois sentimentos:
ternura pelo que ela é e respeito pelo que poderá vir a ser."
Louis de Pasteur

Em 20 de Novembro de 1959, a ONU fez a Declaração dos Direitos da Criança, com 10 artigos:
1- A criança deve ter condições para se desenvolver física, mental, moral, espiritual e socialmente, com liberdade e dignidade.
2- A criança tem direito a um nome e uma nacionalidade, desde o seu nascimento.
3- A criança tem direito à alimentação, lazer, morada e serviços médicos adequados.
4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de segurança..
5- A criança prejudicada física ou mentalmente deve receber tratamento, educação e cuidados especiais.
6- A criança tem direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.
7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber protecção e socorro.
8- A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono e exploração. Não deverá trabalhar antes de uma idade adequada.
9- As crianças devem ser protegidas contra prática de discriminação racial, religiosa, ou de qualquer índole.
10- A criança deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade, fraternidade e paz entre os povos.
Já leram ? tudo ? e assimilaram? .. creio que sim.
Então agora expliquem-me, se puderem, como é que temos à frente de um centro de acolhimento a crianças desfavorecidas, abandonadas, órfãs, e ainda assim vítimas de abusos por quem é pago por zelar pelo seu crescimento feliz, pelo seu desenvolvimento, por lhes minimizar a sua condição, o tipo de pessoas que foram entrevistadas pela nossa persistente Judite?

O melhor “grito de alerta” que li até agora, num português que toda a gente entende.
Até a personagem que de “madeira” deve inclusive ter os neurónios.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Crescendo (XIV)

.. ou apreciando o crescer .. :)

.. vamos ter mais um menino na nossa turma mummy .. e eu hoje fiquei aflita porque achei que para um entrar .. alguém tinha de sair.
Sorrio.
Não fosse ela filha de quem é .. cenários e extrapolações, conclusões algo precipitadas e o filme logo todo à frente .. muito à frente .. ás vezes tão à frente que se tropeça numa “impossibilidade” deitando a estrutura bem montada pelo cano .. ;)
Ninguém tem de sair, assegurou a fantástica DT (para quem, como eu, não sabe a sigla significa Directora de Turma), e quero-vos atentos e pacientes, recomenda.
Atentos porque é a 2ª mudança de turma do referido garoto. Comportamento beyond any limit, incompatibilidades com quase todos os colegas, passando á velocidade luz da agressão verbal à física .. um desassossego permanente com a cadeira a dançar na sala e bolas de papel que primam pela pontaria certeira à cabeça seja de quem for ..
Pacientes porque o menino acabou de perder os pais num acidente de viação há pouco tempo atrás. Uma família desfeita. Estrutura pelo cano. Realidade dolorosa. Entregue aos avós, bastante idosos, que fazem o que podem. E o que podem é muito pouco perante a revolta, a dor, a tristeza de um garoto de 11 anos que de repente se vê .. sozinho no mundo. Contra o mundo.
Consigo perceber a decisão em fazê-lo rodar directamente para a melhor turma da escola. Consigo perceber que o que se espera é que estes garotos sossegados, estudiosos, brincalhões mas respeitadores e unidos (já unidos ao fim de dois meses de aulas) consigam com a sua latente infantilidade e responsabilidade voltar a puxá-lo para o seu meio, apoiando-o e penalizando-o como só as crianças sabem fazer..

Esta situação tem duas semanas. Ontem perguntei á minha mais que tudo como estavam a correr as coisas com o novo membro da turma. Levanta os olhos ao céu num ar de pura paciência levada ao extremo e responde-me cheia de detalhes sobre a forma miraculosa como o caixote de lixo da sala de Área de Projecto apareceu no beiral da janela, e como a cartolina branca imaculada da Carolina apareceu carregada de impressões digitais negras, e como apareceu cheio de bostik o cadeado do cacifo do Manuel, e como se fura, implacavelmente à custa de pisadelas e encontrões, a fila do refeitório para atestar o tabuleiro deixando depois toda a comida no prato e petiscando um yogurte e uma fruta.
Chega! digo-lhe à beira do riso .. e ela continua ..
Mas sabes mummy .. hoje quando fui á papelaria que fica do lado de fora da escola, ele, quando me viu no portão, perguntou-me onde íamos. E eu disse-lhe.
Sabes o que fez? .. tinha uma leve suspeita, mas deixei-a falar.
Acompanhou-nos mummy. Dizendo-nos com aquele ar de gozo que somos muito pequenas para ir pelo passeio sozinhas e que podia acontecer alguma coisa.
Acompanhou-nos, não nos pediu nada e ficou á nossa espera para voltarmos á escola.

.. que as duas recentes estrelas que vejo brilhar á noite no céu possam começar a piscar ..

Boa sorte menino que homem terás de ser .. um pouco mais depressa *

quarta-feira, novembro 14, 2007

Thanks, but no thanks..

Depois do que escrevi aqui, tenho acompanhado com muita curiosidade os posts de Pedro Correia aqui sobre os ditadores que vamos acolher na cidade capital.
Confesso a existência de algum desconhecimento da minha parte sobre as nuances de todos estes governos .. os menos mediáticos talvez .. Aprendi com o Pedro Correia e a sua “coragem” na denúncia que são vários .. são muitos .. são demasiados.
Mas acredito que haja algures lugar para todos eles.
Que mais não seja dentro de um saco de lixo bem fechado.

Lamentável a postura da nossa "bandeira" ..

Vasculhando o Baú .. (V)

E depois vem o vento
E o vento traz a chuva
E a chuva tempestade
As árvores enormes balançam
Como que em danças de salão
Ouve-se um ramo partir
Uma raiz a gemer
Como que a deixar ir
Quem a fez crescer

E depois vem um grito
Do fundo da escuridão
Pés pesados
Portas a bater
E a garota assustada
Puxa os lençóis para a cara
E pensa: é um sonho, aquilo que estou a viver.

E de sonho passa a vida
Atenta, serena e calma
E a garota assustada
Mulher crescida
Formada
Promete que enquanto viver
Não deixará cair
As raízes que vê crescer


Escrito em 1987. Porque sim.

terça-feira, novembro 13, 2007

Hope not ..

Depois de ler esta notícia, que notícia foi há alguns anos, pergunto-me de novo, tal como na altura .. são estes ignóbeis – porque quem assim se dedica a passar o tempo não passa de um ignóbil .. e é bom que seja psiquiatricamente instável também para haver alguma atenuante pela “performance” .. mas perguntava, são estes os ignóbeis que gastam mais numa noite de bebedeira que um pai de família recebe numa semana de trabalho, que conduzem os carros que vejo parados à frente das universidades aqui da zona, que se dedicam a enxovalhar, humilhar, maltratar e chegam a atentar contra a vida dos próprios colegas naquilo a que vulgo se chama de “praxe”, os mesmos que engordam as manifestações para proclamar contra o ensino deficiente, a ausência dos professores ou o valor de propinas a pagar?

Espero que não ..
Espero que estes sejam só uma imbecil e mentecapta minoria.
E espero que não seja a esta minoria que estamos, alegremente cantando e rindo, a entregar os destinos de um país onde os nossos netos viverão.
E ainda espero que sejam punidos.
Exemplarmente punidos.

segunda-feira, novembro 12, 2007

..magic days

.. era um tempo mágico .. as primeiras semanas do mês de Novembro eram tempos mágicos ..
Da despensa da avó saíam como que por milagre uma série de pequenas cestas de verga.
Cestas com um cheio característico. O cheiro do Natal.
E todos os anos, por esta altura, ela esforçava-se por decifrar de onde vinha aquele brilho, aquela .. neve (?) assim que as cestas eram colocadas no chão da cozinha.
Convenientemente embrulhadas as pequenas figuras de gesso, pintadas à mão, preparavam-se para tomar os seus lugares no presépio forrado a musgo apanhado no jardim da casa da avó. Um presépio decorado com pinhas, folhas amarelas secas dentro dos livros, uma prata amachucada e depois alisada que fazia de rio, pequenas ovelhas, pastores, meninos e meninas de prendas na mão, os Reis Magos, camelos e vacas e burros .. e a “casa” do Menino Jesus.
Era com um cuidado ensinado e quase de respiração suspensa que se desembrulhava a pequena manjedoura, o Menino e seus Pais, aquela vaca e aquele burro que tinham honras de com o seu bafo quente aquecerem a figura do pequeno bebé envolto num pano branco. Era um fim-de-semana de alegria antecipada, a decoração da casa levava um dia inteiro, com estrelas brilhantes feitas de papel e fitas de todas as cores a pender das portas. Na entrada principal uma grande coroa feita por ela com a ajuda da avó em pequenas e delicadas folhas verdes, pintalgada de vermelho e branco, dava as Boas Festas aos visitantes. A vela acendia-se perto do presépio e assim ficava até à noite do dia 24 de Dezembro por altura do nascimento do Menino.
Não havia Pai Natal .. a expressão era-lhe então desconhecida. As compras eram feitas em conjunto, grandes sacos e papel de embrulho para que em casa, uns fim-de-semana antes do grande dia, serem todas embrulhadas com etiquetas personalizadas. Os desenhos no papel pardo de sua autoria e a avó comprava grandes rolos de ráfia para fazer laços e prender os embrulhos cuidadosamente. Avolumavam-se junto à árvore de Natal e ela sabia de cor para quem era cada um deles.
Eram tempos diferentes, sem dúvida.
A alegria da surpresa só ultrapassada pelo pequeno-almoço copioso com direito a plum-pudding no dia 25 de Dezembro, quando ainda meio estremunhada e de camisa de noite às avessas chegava à sala e via as suas próprias prendas por abrir ..
Tempos em que tudo tinha o cheiro da castanha assada, das filhós a fritar, das fatias douradas carregadas de açúcar .. do bacalhau que até se comia com gosto na consoada, e dos tachos ao lume carregados de couve e batata a gotejar perante o “desespero” alegre da avó que “no hands for all of this .. no hands at all”.
.. tempo de férias e de celebração. Tempo da Missa do Galo à meia-noite em ponto, casacos grossos, cachecóis e gorros de lã, e o beijinho no pé do bebé que tinha acabado de nascer para salvar os homens dos homens.
Tempo de Natal.

sexta-feira, novembro 09, 2007

.. momentos de leitura (II)

.. dei um tempo, achei que poderia haver um “v” na ponta, um retrocesso que de regresso fosse feito à escrita, à companhia .. ao dia-a-dia .. não houve.
Sei que outros projectos são sempre empreendimentos importantes que nos tiram o tempo que o tempo precisa para os deixar madurar.
E se a eles nos entregamos de corpo, alma e mente neste corre-corre sem tempo de que é feita a nossa vida, coisas há que, porque sim, serão deixadas para trás.

À Senhora das Letras que aqui se despede deixando-nos as memórias que partilhei, li e me comovi, desejo a sorte para alcançar o que se propõe .. porque o "engenho" esse, entre "sol e brumas", transparece .. na certeza que esta leitora atenta e amiga aqui fica à espera da partilha ;)

Um beijo amiga sine .. e a todos, um bom fim-de-semana *

quinta-feira, novembro 08, 2007

Crescendo (XIII)


.. que vergonha mummy .. tive de ler a minha composição para a turma inteira!


Xiii penso sorrindo por dentro .. para o que ela gosta do protagonismo que não seja de sapatilhas em cima de um palco .. foi difícil, aposto!
As razões do porquê da notoriedade imposta pela professora de língua portuguesa, fizeram-me sorrir de novo ao pegar na composição e começar a lê-la .. o tema era importante. Importante para uma menina que teve um princípio de ano lectivo complicado, uma adaptação que passou por um esforço de querer conseguir, muita paciência, amigas, mãe e professores sempre por perto .. o tema era “a minha primeira semana de aulas” ..
E a princesa de serviço ao reino lá de casa escreve (imenso!) sobre tudo o que sentiu, o que gostou e o que não gostou, como foram os primeiros dias, as tardes, os intervalos e os almoços, as filas para o refeitório, e o pânico de ter de ir sozinha ao wc .. escreve sem pudor, sem “medo” que a gozem, sem temor de expor assim de forma simples e em letra de primária, os seus sentimentos ..
Termina com uma frase que eu, sentimental e mãe, "aposto" que foi a razão para a decisão da professora .. uma frase que me encanta, me enche de orgulho .. pequeno indício que me diz que estamos no bom caminho ..

“.. hoje despeço-me da minha mãe já sem lágrimas e vou ter com as minhas amigas que me esperam ao portão, levo comigo o sorriso da minha mãe e o dia assim, corre sempre bem!”

Ora tomem lá um sorriso de mãe .. e tenham um excelente dia *
(foto imagens do google)

quarta-feira, novembro 07, 2007

Memória (IX)

Chamavam-lhe “patrãozinho” mais por carinho e respeito do que por qualquer pejorativa de condição .. os chapéus erguiam-se levemente à sua passagem, as mãos dos tractoristas em cumprimento respeitoso, os cajados dos pastores no ar para que os visse a acenar ao longe, e o sorriso da Dª Amélia, dona da única mercearia existente na aldeia era aberto e franco quando entrava porta adentro. Todos lhe conheciam o galope no campo, o tractor encarnado que conduzia, o passo cadenciado à entrada da igreja, a forma como abria a porta no café do Amadeu. Costumava bater os pés com força no Inverno como a que deixar o frio de graus negativos lá fora, tirava as luvas grossas que haviam pertencido a seu pai e esfregava as mãos à lareira bradando contra a intempérie que se fazia sentir.
Nascido no seio da família mais importante da pequena aldeia da Beira, um irmão mais novo, educação rígida e disciplinadora ou não fosse o Pai o advogado mais conhecido da região.
Era um bom patrão, o patrãozinho. Acompanhava os seus homens na ceifa, levantando-se às 5 da madrugada para o mata-bicho na mesa de pedra. De regresso ao meio dia para o copioso almoço fazia questão da salada de tomate bem temperada como todos gostavam, o pão casqueiro cortado em grossas fatias regado de azeite, o cabrito assado e o vinho – o bom vinho tinto que eles próprios produziam, abastado na mesa cheia. Fazia contas à divisão de alqueires, tudo medido e bem dividido. Apreciavam-lhe a honestidade e o rigor. E se era de azeitona que se tratava ninguém se despedia sem o azeite de grau quase zero em proporção ao trabalho feito. Gostava de contar histórias durante a vindima, fazendo rir os homens de barba rija e rugas profundas, mãos calejadas e secas do trabalho árduo .. lembrava os tempos do seu pai em que tudo era tão diferente, e muitos deles escondiam a lágrima comovedora ao recordarem-se que para ele tinham trabalhado também. Vários eram os pastores das redondezas que lhe conheciam o bom coração na anuência ao pedido para passarem pelas suas terras sempre mais verdes e férteis que as dos outros, no consentimento de pernoitarem com os rebanhos nos tempos de estio em que a fonte miraculosa acalmava a seca árida que se fazia sentir em muitos quilómetros em redor. Pagavam-lhe com um cabrito ou um borrego na altura do “parir”, carne tenra e saborosa que aparecia miraculosamente congelada no pequeno frigorífico abastecido a gerador. Eram tempos diferentes em que o homem tinha uma palavra que honrava com a vida se preciso fosse e que por nunca o acusassem de mentiroso.
Os ciganos itinerantes conheciam-lhe igualmente a disponibilidade. Apareciam conduzindo enormes carroças de cavalos mais garbosos e altos que aqueles que puxavam as charruas por ali, famílias inteiras de mulheres e dezenas de crianças de vestes esquisitas e fala diferente. Respeitava o seu chefe, tal como este o respeitava a ele. Um homem enorme sempre vestido de negro, chapéu de abas largas e barba por fazer. E numa das propriedades deixava-os descansar uns dias, montando o seu mercado de quinquilharias, abastecendo-se nas feiras, até ser altura de partirem de novo. Na noite da despedida, num até para o ano e obrigada, havia festa à volta da fogueira. Cantares e dançares de uma gente alegre, violas e acordeões em estridente melodia, e uma peça de caça a assar lentamente no espeto.
Era a forma como lhe agradeciam, brindando igualmente os seus filhos com pequenas lembranças feitas ou compradas para a ocasião..

.. encontrei ontem por mero acaso, um par de brincos brilhantes, moedas enfiadas umas nas outras numa corrente pesada que acho nunca usei mas guardei .. oferta a uma garota de dez anos que de olhos brilhantes de assombro assistia à festa pela primeira vez ..

terça-feira, novembro 06, 2007

Mas .. (há sempre um mas ..)

.. de repente instala-se a dúvida.
Instala-se primeiro aquele bichinho que começa a tomar forma num “e se ..” e nós, que damos importância às vírgulas, tentamos que se acalme e se dilua e começamos deliberadamente e porque é importante, a procurar qualidades, dons e virtudes, promessas cumpridas, razões para que assim não seja, mas razões inteligentes e válidas que calem o danado do bicho que de forma começa a tomar personalidade, tamanho e peso.
Chatice ..!
Estava tudo a correr tão bem, pensamos interiormente, porque tenho eu de me agarrar ao detalhe? .. porquê? .. porque o todo é feito de detalhes? E se um engasga a engrenagem a roda deixa de correr solta para ficar a fazer aquele barulho de metal a bater no metal até se instalar a dor de cabeça. Tipo barulho indefinido de ar condicionado a funcionar .. só damos por ele, quando o desligamos.
E de novo o bichinho que sorri sobranceiro e nos afirma “ atenta aí!”
A coisa deixa de ser um aviso suave e passa a tomar a forma de “Não sejas Palerma!” a piscar em letras de néon .. aquelas brancas e chatas que igualmente nos provocam a moinha na cabeça quando as olhamos no escuro da noite. E confesso que “palerma” não é uma das minhas favoritas ..
.. chatice de novo!
Mudamos ligeiramente o comportamento, por vezes tão ligeiramente que nem nós damos conta, ou se damos pensamos que ao fazê-lo desta forma os outros não vão perceber as diferenças e depois, bom .. depois ficamos literalmente furibundos porque realmente não deram por elas e parece que está tudo como sempre.
Tudo bem.
Respira fundo, conta até dez mil. Mais um tempo assim. Acalmando, saboreando, e relevando. Trabalhando, trabalhando, qual formiguinha atarefada a achar que faz muito. Imenso.
.. Sem sucesso!
Ou bem que isto muda ou eu .. começa a formar-se na mente e o “ou eu” acarreta sempre uma série de situações penosas, decisões difíceis que nem sempre estamos aptos a tomar. Ou queremos. Ou ..
.. raios!
A moeda, rápido onde está moeda? ah .. ok .. viremo-la.
A parte brilhante oferecida, cheia de promessas, cheia de pedidos de responsabilização, mais esforço, outros tantos horários complicados, veja bem que isto é um investimento .. nosso obviamente .. e uma responsabilidade .. sua evidentemente. Conversa .. e ainda por cima sem o talento da “treta”!

Hum .. a moeda.. brilhante numa das faces sim .. aquela que nos ofereceram e nós, inchados e orgulhosos da importância do nosso eu nem nos passou pela cabeça na altura, voltá-la, volteá-la, apreciar-lhe a nuance, a mensagem, a segunda, terceira e quarta intenções da prendinha “envenenada” que levámos para casa e colocámos na estante da sala com honras de “bibelot”.
.. bolorenta e cheia de ferrugem isso sim. A sua verdadeira cara sem coroa ou honras de principado camufladas em palmadas nas costas .. é bolorenta e cheia de ferrugem.

Lembrem-me de a deitar ao lixo assim que puser o pezinho em casa hoje, s.f.f…

E para a próxima espera-vos um “no way José” .. fica o aviso ;)


PS_ a propósito do que se pede, do que se incute, novas responsabilidades, projectos importantes onde somos imprescindíveis, insubstituíveis e outros “iveis” sonantes .. e no fim? tudo igual, tudo na mesma, tudo pautado por uma linearidade que vai em tudo contra o esforço desmedido, exigido e cumprido.
Eu já deveria ter aprendido ..! Mas tenho um defeito, posso? ;) sou uma crente!

segunda-feira, novembro 05, 2007

Fígaro .. Fígaro .. ;)

“O Barbeiro de Sevilha”, de Gioacchino Rossini (Pesaro, 29 de Fevereiro de 1792 – Paris, 13 de Novembro de 1868). Libreto de Sterbini segundo Beaumarchais, com Estreia no Teatro Argentina em Roma, a 20 de Fevereiro de 1816. “

E quais Rosinas apaixonadas, as garotas (princess & “sister”) ;) .. deliciaram-se com mais uma brilhante interpretação do nosso TIL (Casa do Artista).
As letras das músicas de Rossini brilhantemente traduzidas, uma peça que me despertou a curiosidade não porque não a conhecesse mas porque a sabia “pesada” para o público infantil .. Resultou em cheio, como em tudo a que este grupo se propõe, e proporcionou-nos uma tarde muito bem passada e uma alegre cantoria até casa .. Fígaro Cá .. Fígaro Lá .. melhor barbeiro não há! ;)

Não percam ..!

E tenham uma excelente semana *

sexta-feira, novembro 02, 2007

Total..

ausência de inspiração ..
"carradas" de trabalho .. daquele que só é feito nestes mesmos dias .. quando 75% da população do escritório acha que trabalha numa empresa de construção civil e "mete ponte" .. e uma vontade enorme de sair daqui para fora depressa, depressa .. :)
Have a nice week-end ;)