sexta-feira, setembro 28, 2007

Twilight Zone .. (III)

Parei na bomba de gasolina do Sr. Joaquim para atestar o carro. Eram 20h, poucos carros, a bomba tem dois acessos, um ocupado, parei no outro, desliguei o carro e tirei a chave.
Gestos mecânicos de quem não gosta do self_service nestas coisas de combustível (faltinha de jeito, pura .. ). O Sr. Joaquim atira-me um “vou já menina ..” a princesa dentro do carro ri-se do “menina” e ali fico. Entrego-lhe a chave e no momento em que ele começa o tira a tampa do depósito e arrasta a mangueira, pára um carro ao meu lado direito, preso entre os que estão estacionados e o meu, olho para a condutora que abre o vidro e grita: "não se importa de chegar atrás para eu passar?" .. "desculpe? Eu estou a atestar o meu carro, vai ter de esperar". "Esperar o quê oh sua ..! eu quero ir ver o ar dos pneus e você sua .. está a barrar-me o caminho .. !"
O Sr. Joaquim adverte-me que não responda. É uma tonta coitada. Todas as noites aqui vem ver o ar dos pneus.
Os insultos continuam de vidro aberto, a princesa olha-me espantada num “o que é que ela quer mummy?” a gasolina que não pára de correr, se é para atestar, é para atestar! .. e eu dou a volta ao meu carro e dirijo-me a tão idiota criatura.
Pergunto-lhe de sorriso “ a senhora desculpe, tem filhas ?” .. "e o que é que você tem a ver com isso sua .. ?" .. "é que se tem minha senhora, eu se fosse a si ia direita a casa e pedia-lhes desculpa. Tenha uma boa noite. "
O Sr. Joaquim recebeu o cartão, paguei, recebi as chaves, entrei no carro e arranquei. Tudo com muita calma enquanto pensava .. de onde me conhece a tonta da mulherzinha para me insultar?
.. percebi melhor porque de vez em quando ouvimos notícias de verdadeiras cenas de pancadaria, por vezes com consequências desastrosas, passadas no trânsito.
É que até me abstenho de vos relatar o quanto tive de me controlar para não lhe pregar um murro naquela cara de idiota com uma franjinha ridícula a tapar-lhe os olhos ..

;)
Tenham um bom fim-de-semana .. a pé, de preferência (risos)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Memória (V)

A “cachorrada” barulhenta assim que os sentia chegados de férias na casa de campo invadia o território em alegres latidos a qualquer coisa como 7h da manhã .. havia que aproveitar bem o dia porque o calor insuportável que se fazia sentir ao 12h em ponto durava até ás seis da tarde e estavam todos proibidos de “por a cabeça ao sol” .. os cavalos na estrebaria relinchavam com o barulho dos cães, as cabras dispersas pela planície assomavam curiosas das visitas que nunca sabiam quem eram (diz-se que não têm memória .. ) e assim alegremente de fatia de pão “espanhol” na mão, iniciávamos o dia de aventura.
Uma ida até à horta, com direito a girar a nora dando descanso à mula responsável, a entrada no galinheiro para os ovos frescos postos durante a noite num espavorir de galinhas assustadas e penas pelo ar, o torrão de açúcar que aparecia como que por milagre para a égua mais novinha “cuidado menina .. cuidado com essa” .. a égua que a olhava com os seus lindos olhos cor de mel, sem desconfianças ou avisos de prudência, e que ela gostava de montar em pelo, à revelia das recomendações paternas.
.. a ida à fonte durava o final de tarde até o sol se por. A pequena fonte que nunca secava (das poucas nas redondezas) era constituída por pequenos rectângulos de pedra todos em fila e ligados por um pequeno dique entre eles. A água para a casa caía no primeiro rectângulo e era retirada com um cocho de cortiça .. cristalina e fresca demais matava a sede ao mais sequioso dos seres, os outros rectângulos de pedra destinavam-se aos rebanhos de ovelhas e cabras que por ali terminavam os seus dias de pastoreio. Era vê-las chegar em correria, alinhadas de cabeça baixa, bebendo sem parar o néctar dos deuses em dias de 45º .. dentro de cada uma das pedras concavas verdadeiros habitats de pequenos bichos que nos encantavam.
O casal de sapos que insistíamos em que vivesse junto na mesma “pedra” mas que teimosos, saltavam de uma para outra por vezes com três ou quatro de intervalo, os pequenos girinos, imensos, negros, os mosquitos nadadores como chamávamos a uns pernilongos fininhos que andavam sobre a água sem se molharem .. as abelhas que pousavam delicadamente nos beirais de pedra e que gostávamos de assustar (é verdade .. se bem que não politicamente correcto) .. e debaixo de cada pedra, de cada pedaço de granito, verdadeiros ninhos de tudo e de nada, coisas vivas para as quais não tínhamos nem nome .. nem medo.
Já escuro o Pai tocava um grande chifre trabalhado, que tinha lugar de honra à entrada da casa (aviso que já tinha chamado vezes sem conta, que o banho estava frio na banheira de zinco sem honras de marmorite e que teríamos sobrolho carregado ao jantar com direito a sermão (mais um!) sobre a importância de estarmos todos juntos à mesa!) e a criançada debandava de onde estivesse num desassossego de pó e giestas peganhentas, entrando de rompante num “desculpe, desculpe” ..
.. várias foram as vezes em que encaminhados os mais pequenos para a banheira, olhei para trás de soslaio tentando perceber o tamanho da “pena” e o vi sorrir .. sorrir de felicidade porque os filhos eram ..filhos da sua terra.

Saudade ..

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dreams (the last)

E a borboleta começou cerimoniosamente por lhe agradecer ter-lhe salvo a vida. Ah como se sentiu importante.
Era o salvador da borboleta, assegurava-lhe ela na língua das borboletas que o menino entendia.
Depois, contou-lhe histórias de encantar, cores de países que visitara, rostos de meninos que conhecera. Sonhos que concretizara. Viagens pelo mundo em busca do sol e do calor. As borboletas só gostam do sol e do calor. O sol que lhes põe brilho nas asas, o calor que as aquece e lhes permite voar. Péra lá! Sonhos ?! Ele tinha um sonho .. será que o poderia confiar à borboleta ?
Ela .. adivinhando-lhe os pensamentos perguntou “ e tu meu jovem ? tens sonhos?” Aquela borboleta era mesmo especial! Como adivinhara?
E ele, ingénuo e confiante começou por lhe contar o seu sonho. Queria ser uma borboleta. Treinava todos os dias para isso! Ela quereria vê-lo? E abria os braços pequenos, roliços, e imitava a borboleta planando em corridas curtas pelo quarto. Abanava os bracitos como se de asas se tratassem .. e voava.


A borboleta encantada.
Como dizer a tão grande entusiasmo que não haveria a mais pequena, remota, ínfima possibilidade de se transformar numa sua igual.
Como poderia desiludi-lo dessa forma.
Não podia.
Adivinhando-lhe agora ele os pensamentos, que estas coisas de conseguir ouvir outras linguagens também se prende com a leitura daquilo que se pensa, e terminadas as corridas de treino o menino mirou a borboleta e sorriu: “é só um sonho, eu sei que não poderei transformar-me numa borboleta, não te preocupes menina das cores”.

Riram juntos.
Tão alto que a mãe curiosa assomou à porta do quarto para ver se o rebento estava bem.

E estava.
Sentado na sua pequena mesa de trabalho, como lhe chamava, recortava.
Um perfeito coração de cartolina para colar a mais linda borboleta que já tinha desenhado.
Uma borboleta de papel, asas coloridas pintalgadas de amarelo, em largo voo ..
E lá fora .. de novo o sol e o calor secavam mansamente as grossas gotas de água no vidro da janela.
Voa, voa borboleta ..


Conto dedicado ao meu sobrinho .. e afilhado .. quase neto ;)

terça-feira, setembro 25, 2007

Crescendo (X)

Estratégia, estratégia .. a mãe salta ao toque da 13h00 não em direcção ao ginásio onde se estafa alegremente todos os dias mas em direcção à escola onde a aguarda uma princesa já sorridente na antecipação do almoço .. a conversa é banal o que fizeste, que aprendeste, há tpc ? .. "mummy eu hoje ainda chorei no intervalo", confessa de olhos nos chão .. "mas só uma vez!" .. a mãe sorri, admira-se da paciência das recentes coleguinhas, todas elas ainda algo temerosas mas preocupadas com a princesa que adoptam decisivamente.
A princesa essa muda agora o foco de preocupação, quero superar isto, não quero que as minhas amigas se fartem de mim ;) .. valeu-lhe uma conversa frutuosa com a Tia que a alertou para o facto de ela não estar a mostrar verdadeiramente quem é.

De manhã, aos poucos, volta a animação que sempre caracterizou as viagens até à escola, música “a abrir”, quatro piscas mal estacionada enquanto acompanha a princesa ao portão onde a esperam as mesmas e recentes amigas, será que hoje não há lágrimas? .. não houve! iupii!

A princesa cresce, a mãe cresce com ela, a reacção não foi a esperada e parece .. parece, que nem uma nem outra estavam preparadas para tal.
Não tem afinal nada a ver com a escola. Não tem definitivamente nada a ver com as aulas que está a adorar, aplicada nos imensos trabalhos para casa de disciplinas tão diferentes como Matemática, Português, Ciências da Natureza, História e Geografia .. Não tem a ver com as colegas que amorosas e cheias de paciência para a lágrima teimosa a distraem, acompanham-se, apoiam-se ..
Tem a ver com a mudança.
A itinerante da mãe sempre achou que o gene correria rápido e legítimo.
Não corre.
A princesa é menina de raízes mais fortes, mais únicas, mais agarradas à terra. E de repente a terra dela alagou, transformou-se, um declive desconhecido aqui, um tronco que faz tropeçar ali .. e o “meu mundo” mudou! .. conseguirei voltar a encaixar-me nele?

Claro que sim. Com tempo .. ele próprio se moldará a ti .. de novo.

Parabéns princess .. *

Dreams II


Um dia de Inverno, triste e chuvoso em que nem para o passeio costumeiro na mata podiam sair, o menino estava à janela observando as grossas gotas que de encontro ao vidro faziam um barulho engraçado.
E de repente, mas tão de repente que até caiu com o susto, uma borboleta! Colada no vidro, encharcada .. Uma borboleta?!
Jesus .. abre a janela, pega muito delicadamente naquele corpo mole e molhado, e com todo o cuidado do mundo não fosse partir-lhe as delicadas asas, deita-a suavemente numa folha de papel em cima da pequena mesa-de-cabeceira. E ali fica .. à espera. À espera que seque, soprando muito devagar afastando as pequenas gotículas de água que a encharcavam e falando-lhe mansamente. “Acorda borboleta, acorda .. não morras por favor”!
Será que o ouviu? Haverá porventura um Jesus das borboletas acreditava o menino. Sim que a mãe também lhe ensinara que Jesus é amigo de todos e de tudo, tudo, tudo, portanto ..!
Ele não iria deixar morrer a borboleta.

O certo é que, podem até não acreditar, mas o certo é que, aquela borboleta começou devagar a abanar as suas grandes asas negras pintalgadas de branco e amarelo, levantou as pequenas antenas como se reconhecesse o menino, e sorriu!
Sorriu?
Outro susto!
Como sorriu?
Mas lá estava, um pequeno e trocista sorriso nos lábios da borboleta. Sim, aquela borboleta tinha boca. Ora .. isto é uma estória certo? Posso colocar uma boca na borboleta, não posso?

Então .. não só sorria, já quase seca e em voos rasantes pelo quarto do menino, como falava. As borboletas não falam ! Ai não? Falam pois ..
Com muito cuidado, achando que estava a viver um sonho, e se era sonho então ninguém ouviria nada mas de qualquer forma, não fosse o diabo .. o menino fechou a porta do quarto para poder conversar com a borboleta, sem interrupções!
(...)

segunda-feira, setembro 24, 2007

Dreams I

(a "sorte" .. é que este já está escrito ;)


Era uma vez um menino rabino, cara de anjo, rebelde e reguila como só os meninos sabem ser.
E joelhos sempre esfolados, correrias e quedas próprias de quem tem sempre pressa para chegar a qualquer lado. Caracóis alourados, herança do pai que a mãe essa tem lindos cabelos caju e castanhos e olhos negros, expressivos. Clarinho de pele, uma ou outra sarda na ponta do nariz. Era um menino muito bonito, diziam todos babados do rebento. Ele contudo achava que bonitas eram as raparigas ora, os rapazes .. eram rapazes!
O menino tinha um desejo.
Um sonho.
Acalentava-o dia a dia quando olhava pela janela da cozinha em lutas hercúleas contra o prato da sopa.
Ou quando saía com a mãe para as caminhadas de final do dia pela mata mais próxima. Era uma mata bonita, onde desde sempre a sua mãe gostava de passear. Desde que ele se lembrava aliás .. talvez ainda desde antes disso. A mata tinha uns pinheiros tão altos que lhe doía o pescoço de cada vez que lhes tentava alcançar o cume.
E o chão era forrado de pequenos pauzinhos unidos, castanhos-claros, que ele gostava de juntar enquanto passeava. “agulhas” dizia-lhe a mãe ensinando-lhe os nomes das coisas. “agulhas?” .. estranho. Será que a avó conseguiria coser com aquelas coisas?
E a mãe prosseguia “vês este tronco ? vês os cortes? Servem para se retirar a resina, e a resina fará cola” .. ah .. cola ! isso sim ele sabia o que era. Usava-a na escola para os trabalhos e para ficar todo peganhento nas partidas aos amigos. E mais à frente .. uma borboleta!
Olha filho .. tão linda .. não lhe toques ou podes magoá-la!
Credo .. isso não! Como poderia magoar uma coisa tão linda?

E assim se revela o sonho do menino. Queria ser uma borboleta! Estranho? Não importa. Sabia lá ele naquela altura que os meninos não poderiam nunca transformar-se em borboletas! Se as lagartas o faziam ..!
E borboleta porquê .. pensam vocês agora de sobrolho franzido.
Normalmente os meninos querem ser bombeiros, policias, aviadores e corredores de fórmula um ou até astronautas e jogadores de futebol, não é?
Pois .. mas este menino queria ser borboleta.
Nada a fazer.
Ele estava certo que um dia conseguiria. Apanhar uma fresta de vento e voar por cima das árvores, abanar as asas ao por de sol e deixar por elas passar todos os tons de luz. Encantar outros meninos que como ele, estava certo, ficariam pasmados com o seu esvoaçar. Era uma borboleta e mais nada!
Treinava em casa, em grandes corridas de uma ponta à outra, com os braços bem abertos como se planasse. Olha .. lá anda ele a fazer de avião! Ria-se o pai à chegada de mais um dia .. e o menino sorria por dentro, e pensava .. não é um avião Pai .. eu sou uma borboleta! Repara nas cores.

E lá estavam as cores.
Faces afogueadas do esforço da corrida, caracóis em desalinho alourados, caídos para os olhos castanhos claros que faiscavam na certeza de que estava bem mais próximo de conseguir o que queria: ser uma borboleta.
(...)

sexta-feira, setembro 21, 2007

Não .. não está.

“.. adaptação é qualquer característica ou comportamento natural evoluído que torna um organismo capacitado a sobreviver em seu respectivo habitat.
Pode ser anatómica, fisiológica ou comportamental.”

Não está escrito em lado nenhum que tem forçosamente de ser difícil pois não?!

..

quinta-feira, setembro 20, 2007

Man"kind"? .. (não me lixem!)

.. numa estação de comboios num país longe, longe, o pai entra com a filha de três anos pela mão.
Menina pequena, carinha laroca .. Momentos mais tarde o pai parte sozinho em direcção aos EUA, cidade de Los Angeles, abandonando a criança numa estação frequentada por milhares de pessoas que passam pela pequenita a chorar pensando que de birra se trata? provavelmente ..

Agora teme-se que a mãe da criança tenha sido assassinada.
Corpo descoberto dentro de um carro, averiguações a caminho .. contactos e telefonemas, e vem a lume que a família já teria um historial de maus tratos e violência doméstica.
A menina? a menina perde o Pai não entendendo o porquê de lhe ter largado a mão, pensando naturalmente na sua ingenuidade que a culpa é sua por se ter afastado (como explicar a uma criança de 3 anos que o Pai a abandonou e como fazê-la entender tal realidade?) e a mãe .. desaparecida desde o dia 10 de Setembro sem que, pelos vistos, muito tenha sido feito para a encontrar.

Boa sorte Qian Xun Xue!
.. Que o futuro se encarregue de te fazer esquecer.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Crescendo (IX)..

.. difícil isto

.. e a lágrima teimosa de ansiedade contida e controlada converteu-se ao final do dia em choro convulsivo, agarrada a mãe, sensação que teria estado o dia todo à espera de a ver para assim se abrir num pranto lancinante sem pudor .. Entrou no carro a soluçar e assim foi até casa, a mãe calada, lágrimas bem presas na garganta “nem se atrevam a assomar!” .. À espera.
.. sem perguntas começou .. que o liceu é muito grande, que os meninos são muito crescidos .. que não conhece ninguém e nem sabe onde fica nada .. que não conseguiu ir comprar senhas para o almoço porque a fila era enorme e os mais velhos gritaram-lhe “sai daqui oh formiga!” que não é uma formiga e só lhe apeteceu bater-lhes mas que lhes virou as costas e foi pedir ajuda a uma funcionária .. que entretanto tocou e já estava perdida sem saber como voltar à sua sala .. que a professora lhe perguntou se eram problemas familiares o que a fazia chorar ao que ela respondeu que não tem problemas familiares fazendo a professora sorrir .. que não quer aquele liceu .. quer um mais pequeno, com meninos da sua idade (só!), mais fácil .. como a escola antiga. Que saudades da escola antiga! E como é que faço mummy?!
Tudo num atropelo, entre lágrimas e soluços, encostada no colo, aquele colo que já tinha desaparecido desde os tempos da pré-primária quando ainda nele cabia ..
Como é que eu faço?
.. a mãe conta-lhe uma estória sobre crescer .. uma estória real e inventada do seu próprio crescer e do que custa crescer .. uma história feita de alegrias, algumas tristezas, medos e temores próprios de quem tem de enfrentar algo diferente, algo completamente diferente, de quem tem de conceder ao tempo o tempo necessário para se criar um hábito, uma confiança, um conhecimento que daqui por quinze dias a façam rir deste dia .. deste medo .. deste choro.

Espero que resulte princess *

Changes ..

Vejo da janela do escritório (sortuda, pensarão .. ) as árvores a amarelecer .. até há bem pouco tempo estavam de verde garrido vestidas, cheias de folhas e de folho .. ramos compridos agora algo desnudados, o verde pintalgado de amarelo .. aqui e ali uma falha .. As janelas do prédio em frente, espelhadas como convém aos indiscretos, projectavam até à semana passada o brilho de um Sol fogoso e intenso que me levava a baixar o estore de palhinha que me protege .. hoje já não é necessário, o sol empalideceu, o espelho já não projecta a luz que incomoda ..
Até o rio muda de cor como que em veste outonal preparando-se, sem darmos conta, para aqueles dias de Inverno que quando o observo temo pela segurança de quem tem de o atravessar diariamente. Passou de um azul límpido e transparente a um cinza muito claro, a ondulação é ligeiramente mais forte como se quisesse passar despercebida, e no cais nota-se um oscilo maior das embarcações que pacientemente aguardam os passageiros diários ..
Os pássaros, que até há pouco debicavam o que quer que fosse, distraindo-me e fazendo-me sorrir, desapareceram. Em voos longínquos e provavelmente fatais para alguns, partem em busca do Sol que rareia por aqui ..
Engraçado apercebermo-nos das mudanças de estação .. não tão vincadas como antigamente já dizia a minha avó .. que os homens desde que foram à Lua alteraram isto tudo ..! .. mas ainda assim visíveis, nos vidros dos carros agora fechados e naquele casaco que já não se via há uns meses nas costas do colega de trabalho.
É o Outono. Mudança de hora não tarda, espera-nos um dia mais pequeno mas tão cheio quanto agora, o que o faz parecer ainda mais pequeno, noite escura pelas 18h30 (nos melhores dias .. ) .. sopas, caldos e chávenas de chá em vez do gelado na esplanada!

Se bem que necessário .. que seja curto.
Que eu adoro o Verão! e nunca me dei bem com golas altas ;)

terça-feira, setembro 18, 2007

Wise ..

" The Six Mistakes of Man

The illusion that personal gain is made up of crushing others;
The tendency to worry about things that cannot be changed or corrected;
Insisting that a thing is impossible because we cannot accomplish it;
Refusing to set aside trivial preferences;
Neglecting development and refinement of the mind, and not acquiring the habit of reading and study;
Attempting to compel others to believe and live as we do. "


Ave Cicero

segunda-feira, setembro 17, 2007

Crescendo (VIII)

Um mar de gente esperava-nos à entrada do liceu. É uma escola integrada (título pomposo para explicar o facto de ter 2º e 3º ciclos juntos) .. garotos até ao 9º ano, orgulhosos dos seus já 15 ou 16 anos, misturados com os pequenotes que acabaram agora a 4ª classe .. Ops o 4º ano do 1º ciclo.
Imensas bicicletas de quem já adquiriu uma determinada liberdade que lhe permite vir assim para a escola, meninas de umbigo à mostra e grandes tacões, caderninho e lápis na mão, que hoje é o primeiro dia e não se vai falar de nada importante. Grandes grupos e palmadas nas costas “pá viste o Chico?” “esse .. ? vai chegar atrasado !” risotas e grande gritaria tudo acumulado ao portão verde, guardado por dois porteiros simpáticos que vão cumprimentando e encaminhando “Despacha-te que este ano não há molengas”! advertem ..
O ambiente é de euforia, uma ou outra cara mais fechada num “tenho mesmo de vir?”, carros em quatro piscas q.b. num trânsito insuportável na pequena praceta que não tem capacidade para tanto .. zigue zagues de patins e skates oportunamente descalçados na aproximação do olhar atento do porteiro que arvora um ar de “tu sabes que isso não pode entrar!”.
.. em casa havíamos combinado que "hoje entras mummy mas nos outros dias vou sozinha” .. ao que anui imediatamente. Ao portão o porteiro interpela-nos num “menina de 5º ano entra sozinha” sorriso nos lábios, simpático, concluindo” se precisares de alguma coisa vens aqui ter comigo ok?” .. a pequena princesa atirada assim mundo dentro, lágrima no olho, e olhar aterrorizado perante aquela outra coleguinha que tendo já sofrido a praxe do costume chora desalmadamente com o cabelo cheio de espuma de barbear.
A providência não é divina neste caso, mas aproxima-se a Marta, pega-lhe na mão e pergunta-lhe o nome e a sala .. “14” responde tentando suster as lágrimas e sem me largar a mão ..” boa! .. era a minha antiga sala .. anda que eu levo-te! E não ligues aos rapazes, são todos parvos!” .. risos entre lágrimas, um ar de alívio e um beijo repenicado na mãe, não sem antes sussurrar “nota-se que estive a chorar?” Não princesa .. e se se notar ninguém vai reparar .. há para cima de cento e cinquenta meninas de lágrima no olho hoje .. ! ;)
Observei-as afastando-se .. a Marta diligente de mão dada, fazia-lhe festas no cabelo tentando apaziguar tanta ansiedade .. recordando talvez o seu primeiro dia que provavelmente lhe parecerá hoje já tão distante. A princesa de saco a tiracolo acompanhando o passo em corridinhas rápidas, ainda a limpar os olhos, mas confiante que este será o primeiro dia de .. muitos dias diferentes, agora.

Crescer custa .. safa !

Boa sorte princess * e Obrigada a ti Marta *

quinta-feira, setembro 13, 2007

E..

.. numa altura em que o politicamente correcto que insistimos em imprimir à nossa vivência nos leva por vezes e até (sério!) a “renegar” who you are and where you belong .. ou não fosse eu uma escriba amadora de raízes misturadas feita .. é de enaltecer e dedicar um post “inteirinho” à iniciativa do meu conterrâneo (half .. half) Helder Robalo, pelo trabalho a que se promete dedicar ;)

Parabéns caríssimo * e se há tanta pérola de estória que compõe a nossa história ..!


Fica a dica ;) e os votos de um excelente week end .. “esta” aqui vai ter um de três dias!
Ah pois é .. ! :)

quarta-feira, setembro 12, 2007

Sonhos (VII)

e provavelmente .. the last one ;)

Começar de novo.
Como se fosse possível um novo começar sem ter ainda chegado, de novo, ao ano zero, acreditou nessa altura que lhe bastaria um projecto, um objectivo ou vários, uma meta a atingir para .. começar de novo.
“a minha felicidade não passa por ter alguém a meu lado” .. gostava de opinar de sobrolho ligeiramente soerguido, em pose de dama que sabe o que quer, mesmo que por dentro se achasse não só ridícula a si como a todos os que a ouviam e aquiesciam. Burlesco.
Mulher romântica, sensitiva, inteligente .. e .. sozinha.
Pior, fazia de tudo para afastar a mais leve ponta de interesse sobre a sua pessoa.
E era fácil isto. A visão “daquilo que queres” dava-lhe igualmente a rápida sabedoria “daquilo que nunca quererás” e era precisamente por aí, nas vias tortuosas do dar a entender, que enveredava caminhando solene e em passo cadenciado.
Não quero mais. Prometi que nunca mais. Agarrada a estas certezas antes sequer de ter percebido que as mesmas eram castradoras, limitativas, redutoras. Ou mesmo percebendo.
Empreendeu projectos? Vários. Ascensão profissional, palmadas nas costas, elogios prazenteiros de quem realmente reconhece. Levava os louros para casa, todas as noites, sozinha, e arrumava-os na última prateleira da despensa para que os visse sempre que a porta abrisse e não se esquecesse nunca que aquilo sim, era importante.
Depois?
Bom .. depois veio a vida .. esse percurso singular e único que percorremos normalmente com várias companhias ao nosso lado, mesmo que as mesmas passem apenas pelas nossas várias consciências, e encarregou-se de a baralhar, de a confundir e de lhe trocar todas as voltas que dava, programadas, executivas e .. sem surpresas.
Apareceu-lhe discreta num sorriso e num olhar atento e interrogativo como quem pergunta a si mesmo “quem és tu e que fazes aqui?” .. e ela, teimosa e persistente, a afastar as possibilidades todas numa descarada procura de defeitos, daqueles defeitos horríveis que nos fazem deixar as coisas tal e qual como estão .. sem conseguir.
Aplacou o desassossego plantando uma árvore .. um chorão frondoso, com raízes à superfície e grandes ramos a rasar o chão em dias de vento, que lhe recordasse a sua infância e a emoção de ser tão pequena, olhar o céu e .. acreditar.
Lembrou aquela sua amiga distante, o casal sobre o qual escrevera uma estória de encantar que durante algum tempo quis para si, antes de se aperceber que a história era realmente vivida independentemente da sua vontade e o pânico que se instalou quando disso teve consciência .. como se fosse antes pela sua vontade.
Que seria feito deles?
Recordou o “para onde?” perdida às voltas em Lisboa num táxi conduzido por alguém que o único sentimento que tinha pela sua pessoa era “pena” .. isto fê-la lembrar todas as penas, as concessões e as cedências que havia feito na vida por “pena”. Recordou as opções, todas as escolhas e caminhos percorridos, lembrou as responsabilidades imensas, o apoio incondicional que dava, sem retorno. Principalmente quando precisava. Aqui parou, limpou as gotas de suor que lhe corriam ligeiras da testa, e concluiu que nem ela se concedia o “precisava” .. como o adivinhariam os outros?
Lembrou as injustiças, aquelas que lhe haviam retirado a respiração, as lágrimas choradas e as outras sentidas e presas ainda na garganta à espera de .. Lembrou o olhar terno mas decidido da sua avó .. um olhar de verde profundo como o mar onde já não há pé .. aquele olhar que lhe bastava em outros tempos para que a serenidade tomasse conta da sua mente incansável .. cansada.
Lembrou todas as decisões e o que lhe tinha custado tomá-las. Lembrou os “nãos” que verbalizava com facilidade demasiada e as poucas vezes que a si mesma tinha anuído um sim nos últimos tempos. Sentiu a fadiga de quem trás de facto, mesmo, o mundo às costas, de quem não descansa, não se permite a si própria um merecido “fazer nada” “pensar em nada”.
Enquanto cavava um enorme buraco, luvas grossas calçadas, cabelo em desalinho e transpirado e olhava o pequeno chorão que sem dúvida cresceria.. também ele indiferente à sua vontade..
.. ponderou toda a sua vida naqueles gestos sólidos, decididos, pá na terra, afasta a terra, cheiro a terra molhada, gestos de quem semeia .. para um dia colher.
Colheria? .. naquela altura o coração bateu mais forte .. e não, não por causa do esforço a que se dedicava propositadamente .. bateu-lhe mais forte no peito, como se de vontade própria estivesse revestido e no código de Mr. Vail lhe garantisse “Colherás!”.

Indeed ..

"Olho por olho e o mundo acabará cego"

- Tenzin Gyatso, o actual Dalai Lama

vem isto a propósito .. de tudo!

terça-feira, setembro 11, 2007

11 de Setembro ..

“I could compare my music to white light which contains all colours.
Only a prism can divide the colours and make them appear; this prism could be the spirit of the listener. “
Arvo Pärt (11/09/1935) – Estonian Composer

.. não era fantástico que os dias fossem marcados por pensamentos assim ?
Não era formidável que, todos os dias, se celebrassem e recordassem datas felizes?
Como por exemplo o nascimento de Arvo Pärt, compositor dedicado a algo tão "banal" como .. a música.. Cuja única arma é a nota .. “I have discovered that it is enough when a single note is beautifully played.”

Acredito que sim.
E também acredito que sou completamente utópica neste meu acreditar.
Mas a ser verdade, seríamos, quase que aposto, todos utópicos mais felizes.

Mas, infelizmente hoje, outras memórias, bem mais penosas, dolorosas e profundamente tristes, ocupam a nossa mente.
É a Humanidade .. dizem ..

segunda-feira, setembro 10, 2007

Twilight Zone .. (II)

.. "em chegando" ao III .. mudo-me (risos)

.. e de repente tocam à campainha numa daquelas alturas em que a última coisa que desejamos é que alguém tenha a ousadia de o fazer. A princesa grita do quarto um “vais lá tu mummy?” como se de interrogação se tratasse .. ela na cozinha ás voltas com uma quiche que não saiu como pretendia (fornos com vontade própria dão nisto .. ) o barulho ensurdecedor da máquina de lavar (tenho de me lembrar de a substituir .. antes de precisar de aparelho auditivo, de preferência) calções e t-shirt são veste prática para quem acabou de chegar a casa, mas não para atender whoever may be no ring a bell e respondo: vai tu por favor, princess. Ensinada há muito sobre como fazer, arrasta o pequeno banco para o “buraco” (tenho de me lembrar também de alterar o termo) espreita e conclui: mummy .. (aos gritos por cima do barulho da máquina) é a vizinha do lado, posso abrir? e terei opção depois deste anúncio perfeitamente audível do lado de lá?
Hum .. ? a vizinha do lado .. a mesma que há uns tempos atrás lhe invadiu o recinto num desassossego de mente desocupada e curiosa .. equacionou rapidamente as consequências de um “não!” assim directo e bem formulado, em alta voz igualmente por cima do barulho da máquina (não acaba esta centrifugação Cristo!) a cara fechada que antevia em futuros encontros na rua ou no café ou mesmo um virar de cara propositado e um cochicho com a vizinha da andar de cima quando elas passassem na rua, pareciam-lhe bem mais agradáveis que a meia hora (? .. estou a ser simpática, eu .. ) que previa de conversa banal, mais uma espreitadela, mais um beliscão na bochecha da princesa num “que crescida estás!” coisa que gostava sempre de verbalizar, como se porventura lhe tivesse acompanhado o crescimento.
Passaram–se assim preciosos dez segundos (penso rápido, eu .. ) e decidi-me por, sem descalçar as luvas com que lutava arduamente num “endireita-te quiche .. se não for pedir muito!”, me dirigir à porta, não sem antes ter colocado o avental, decoro, menina, decoro acima de tudo.
Abri a porta, a princess pisga-se rápida para o quarto num “eu estava ali a ..” whatever .. sorriso nos lábios “olá vizinha, diga ?”
Unfortunate beginning .. não se pergunta a alguém que acha que tem tanto a dizer “diga?” .. a senhora bem disse, coitada .. disse imenso, atropelou-se, saltou de um assunto para outro sem nexo ou continuação, coisas que não me interessam rigorosamente nada, a começar pelo ar condicionado do 9b que faz um barulho insuportável á noite, a acabar na maledicência pura da emprega contratada para limpar as escadas que “não limpa nada aquela badalhoca, não acha?”, rasando o facto que não há um caixote de lixo no rés-do-chão e as pessoas são “tã, mas tã porcas” que deitam a publicidade no canto das plantas .. “plantas que sou eu que trato, sabia?” .. Não, não sabia, e não, não acho que a simpática empregada que ao sábado limpa a escadas, seja badalhoca, e também não me incomoda o ar condicionado do vizinho do .. ? qual é que era mesmo o andar? .. e não tenho publicidade na minha caixa de correio, previdente coloquei um autocolante que diz qualquer coisa a esse respeito .. e “a vizinha desculpe mas tenho o jantar no forno” e ela em tirada elegante de quem sabe que está a ser despachada “ah .. mas o meu objectivo era dizer-lhe que deixou o carro aberto vizinha .. é melhor ir lá abaixo”! .. (porque não o disse logo, alguém me explica?) e eu, eu a sorrir, sorriso completamente amarelo e sem esforço, a agradecer e a andar para trás num “muito obrigada, vou já ver ..muito obrigada.”
Porta fechada não sem antes “gosto tanto da sua casa!” (como?) .. um uffff do fundo dos pulmões e “Princess .. veste-te que vamos jantar fora. “ Não só tenho o carro aberto (como é que ela o terá visto ?) como acabei de queimar a quiche.”

“Mummy .. tu tens tanta paciência!”, pisca-me ela o olho com uma expressão de pura comiseração.
“Coitadinha” da mummy ..

;)

sexta-feira, setembro 07, 2007

E assim ..


o mundo .. a arte .. a música .. nós e os outros .. empobrecemos! irremediavelmente ..



(1936/2007)

Foto daqui

quinta-feira, setembro 06, 2007

Escrever é .. :)

“escrever é uma necessidade .. única altura do tempo em que me encontro comigo .. e faço algo para mim” .. lida há uns tempos largos, esta frase de um conhecido escritor, que admiro, da nossa praça .. fiquei a pensar nela, no que para mim significa, no que faço aqui escrevendo, por vezes coisas menos, menos .. outras vezes umas que até eu aprecio .. leio os comentários (sempre simpáticos) de quem me lê e penso .. “escrever é uma necessidade?” sem dúvida.

Escrever é uma necessidade, a necessidade de deitar para fora tudo o que germina aqui dentro, de me comover constantemente com memórias que por aqui partilho, de parabenizar assim a minha princesa deixando-lhe quem sabe, um legado que mais tarde a fará sorrir ..
Penso muitas vezes nas coisas que faço na vida para mim .. aqui não serei tão extremista quanto o autor da frase acima: faço várias .. e a primeira delas é a forma como vivo.
Faço-o de facto e acima de tudo para mim .. não esquecendo nunca quem de mim depende e como as minhas opções, escolhas e caminhos a seguir podem afectar os demais.
Mas .. em primeiro lugar .. o eu pertinente, que questiona, que desconjunta o puzzle em pequenas peças atribuindo a cada uma a devida importância .. nothing more .. nothing less.
E escrevo. Escrevo sobre tudo o que me emocione, o que me faça pensar, aquilo com o que concordo ou aquilo que me enraivece a ponto de mudar de cor .. escrevo as memórias quase todas sem muita ficção à mistura, ou invento .. tento inventar .. (será invenção?) uma estória com principio, meio e fim .. difícil o encadear da lógica .. daí a demora .. :)
Mas .. gostei de ler tal frase. Gosto que haja vários que partilhem o gosto das letras, pelas letras e seus significados, que demonstrem preocupação com o seu arrumar, mesmo em pensamentos rápidos e por vezes não muito coerentes.
Apaixonada pela escrita? também. Mas acho que acima de tudo apaixonada pela língua, uma língua que não sendo a minha primeira, teve a capacidade de me conquistar, nas suas “nuances”, nas suas interpretações ricas e divergentes, no legado impressionante que nos deixam aqueles a que ela se dedicam de corpo e alma .. e são vários .. normalmente não em topos de venda das livrarias mais conhecidas mas procurando nos verdadeiros livreiros ;) .. claro que para isso, para esta paixão e encantamento dos quais me confesso “padecendo”, contribuiu o ter tido como Professores verdadeiros mestres .. que me ensinaram o quão preciosa é a palavra.
Por vezes amorosa, com capacidade de mobilização, usada para fazer acreditar, outras vezes pura arma de arremesso .. mas preciosa ainda assim.
E claro que poderia fazer isto tudo ao abrigo confortável de um “anonimato” que durante anos me levou a escrever os imensos caderninhos de folha lisa e letra miudinha. Caderninhos que enchi à laia de diários ou meras anotações de coisas que se passaram .. e do impacto com que se passaram .. ou por vezes sem impacto e importância alguma e só porque .. escrever era já uma necessidade.

Mas, confesso, agrada-me também o vosso feedback .. é a verdade, porque não reconhecê-lo?
Obrigada *

quarta-feira, setembro 05, 2007

As if .. (II)

".. we should feel free to act "as if" our constructions are true, all the while realizing that they are merely tentative hypotheses that can be revised or discarded at any time. Thus, Vaihinger’s philosophy of “as if” can be viewed as one of the central premises upon which personal construct psychology is based…”

Feel Free to think about it ;)

Vem este a propósito de quê, you may ask ..
A propósito de surpresas .. daquelas surpresas boas .. daquelas surpresas que nos apanham completamente desprevenidos mesmo depois de ter construído todos os cenários, ponderado todas as hipóteses, avaliado todos os prós, desmistificado todos os contras, relativizado a importância, a grandeza ou a pequenez .. enfim .. depois de conscientes que “fizemos o trabalho de casa bem feito” somos completamente apanhados na curva pela expressão inocente e natural de um desejo assim formulado na voz de uma criança sem medos .. e temos de admitir, temos mesmo de admitir, que não extrapolámos todas as hipóteses, não avaliámos todos os prós e podemos .. podemos mesmo a partir de agora .. esquecermo-nos dos “contras” ;)
Thank you princess *

terça-feira, setembro 04, 2007

E porque ..













esta coisa da "baba de mãe" passa pela baba de irmã mais velha, tia mais velha, foi em tempos que continuam actuais neta mais velha .. enfim .. qualquer coisa como a amarra que nos prende porque queremos e porque assim desejamos manter .. este hoje completamente dedicado ao irmão "caçula" que tão brilhante trabalho fez em mares longínquos, que me leva ao convencimento e à certeza (logo eu .. certezas ;) que de facto .. it runs in the family e se dúvidas houvesse aqui fica a amostra para o provar ;)




Congratulations Mr. D. ;) .. keep the good work :)










segunda-feira, setembro 03, 2007

la rentrée .. ;)

E quem foi que apelidou a rotina de monotonia? quem a caracterizou de aborrecida? Provavelmente os mesmos que insistem em ver a vida a preto e branco mesmo com tanta cor .. pura e misturada .. com que pintar esta vivência breve que nos concedem ..
Setembro é o regresso à rotina .. são as listas dos livros, os cadernos e os dossiers, a mochila escolhida este ano com o tema da Betty Boop (tendenciosa eu .. é a minha figura favorita ..), são os horários a encadear, o motorista que tem de ir buscar e levar ao ballet e ao piano que esta coisa da mudança de casa não foi geral e os hábitos, as escolas e os professores das “artes” mantém-se perto do antigo ninho .. ..é o conhecer de novos colegas, não sei quantos professores, números de sala a memorizar e toda a planta de uma escola nova, enorme, cheia de gente .. As senhas para os almoços, o aprender para que serve a coisa pomposa apelidada de “cartão de acesso” .. o horário do novo ATL e a apresentação a toda uma equipa que nos dias mais “apertados” por aqui (não são todos?) buzinará à porta do liceu para que lhe apareça uma corredora de fundo, afogueada, receosa de perder a preciosa boleia .. a carrinha é azul, o Sr. chama-se Alberto .. nada de enganos s.f.f. !
É o olhar por um lado apreensivo por outro curioso da princesa da casa .. num equacionar de “como será?” .. são as conversas de relatos meus sobre o “como foi’” que se bem que muito distante no tempo que nos habituámos a medir em dias .. chega a parecer-me pouco no partilhar da vivência com ela .. é o arrumar de tudo o que serviu às férias, num até para o ano que se sabe breve, o regresso às sopas e aos pratos de forno, convenientemente postos de lado num Verão que foi curto .. a escolha da fruta madura para as tardes passadas nos doces, geleia e marmelada que guardo religiosamente na última prateleira do armário da cozinha, não vá o tareco da casa .. são as consultas de rotina, a compra da roupa para a nova estação, mais umas botas que as do ano passado .. inicia-se a temporada dos espectáculos, “vergonhosamente” também ela abandonada ao sabor do silly da season, a escolha do que ver e quando e a tirada da pequena “já tenho saudades do Mercadinho de Inverno, mummy ..” risos soltos olhando a janela e vendo o sol ainda radioso mas já não tão quente a brilhar lá fora ..

É Setembro .. o regresso à rotina .. a boa rotina ;)

Bom inicio de aulas princess .. que seja fantástico o ano que agora começa !