quinta-feira, maio 31, 2007

Sonhos (IV)

:) .. aos "queixosos" que isto anda a demorar ;) .. informo que este não pertence aos "caderninhos" que tenho alimentado ao longo da minha vida, portanto, não se trata de um "copy .. paste" coisa fácil e rápida .. quase instantânea .. haja paciência eu sei, mas impunha-se o esclarecimento .. *


O convite chegou num pequeno envelope azul com um bebé pendurado num balão colorido a anunciar uma festinha de aniversário do primeiro ano de idade. Sem filhos, interrogou-se de quem viria, já que os nomes habilmente escritos no remetente não lhe diziam rigorosamente nada.
Era uma menina.
E fazia um ano.
E ela e o marido estavam convidados para a festa de aniversário no próximo sábado. Curioso ..
Ao chegar tarde a casa nessa noite, o marido elucidou-a que se tratava de um colega de trabalho que insistira na presença. “Tenho de ir?” perguntou em voz firme, esperando um “não”. “Convinha” foi a resposta ausente, foi amável ele .. gostaria que viesses.”

Ainda sem filhos, a pressão de dois anos de casamento e as perguntas inevitáveis que haviam começado ao fim de quinze dias “para quando uma prole?” .. credo! Uma prole? algum desânimo de expressão sempre que naquela altura do mês se achava que havia sido desta, os amigos casadoiros na mesma altura em segundas barrigas e ela .. ainda uma linha.
Sempre se convenceu que não teria qualquer filho daquela ligação .. e tinha razão.
“Irei” respondeu .. “mas não ficamos para jantar pois não?” .. “Claro que não. É uma festa de anos de uma garota.”
Hum ..

Ao entrar no que se adivinhava um pequeno apartamento, na cave de um prédio nos arredores de Lisboa, naquela tarde soalheira de sábado e à hora marcada, teve uma sensação estranha.
Ao ser apresentada ao casal que os convidara, gelou no abraço que aquela mulher lhe deu “finalmente conheço-vos! O Miguel fala tanto em vós. “
Aquele casal ..
A mulher magra, morena, olhos brilhantes, simpática.
Um Miguel bonacheirão, bem disposto, sentido de humor.
Uma criança linda, grandes caracóis negros, esperta.

Uma história de vida partilhada em frente a uma tardia chávena de chá, muito depois de todos os convidados partirem, criança a dormir, os homens na sala a ver filmes de passeios de motos. Horas passadas depois de jantar, conversa que começou solta na verificação de quantos pontos haveria em comum.
Um espanto quando se aperceberam que eram vários, imensos.
Aquele casal .. aquele casal ..
Ela trabalhava num simpático escritório em Lisboa onde tinha arranjado estágio, findo o curso.
Ele era barman num conceituado bar em Lisboa .. “sabes, a experiência ganha lá fora possibilitou-lhe este cargo. Ainda é novo, acho que vai longe ..”
Aquele casal! Cristo!

Puxou o fio da meada, “experiência lá fora?” para ouvir tudo o que já sabia.
Arranjar dinheiro para se casarem, darem entrada do pequeno apartamento onde viviam. Programarem a vinda da primeira criança. Everything by the book .. pensou.
Unidos. Muito Amigos. Apaixonados .. fragmentos da conversa que memorizava com a noção de que já o havia escutado antes ..

Aquele casal!!

Era .. era o casal sobre o qual ela escrevia levianamente de há dois, três (?) anos a esta parte .. Credo!
E a vida .. a vida era a mesma que ela lhes quisera desenhar .. esquecendo-se da sua.

Deveria ter reconhecido aqueles caracóis negros .. deveria.

“Para quem não queria ficar para jantar …” lançou-lhe irónico a caminho de casa. “Grandes conversas, hein ? Mulheres.”

Nunca entenderás, pensou, ainda arrepiada com a revelação.
“Uma agradável surpresa ..” comentou .. deixando morrer o assunto, olhando pelo vidro do carro que em velocidade lhe trazia a realidade lá fora em rasgos que passam rápido .. tão rápido .. !
E sorriu. Era feliz aquele casal. Sentia-o.

quarta-feira, maio 30, 2007

Acreditem!

“Em 1315, Florença foi obrigada, por Uguccione della Faggiuola (oficial militar que controlava a cidade) a outorgar amnistia a todos os exilados.
Dante constava na lista daqueles que deveriam receber o perdão. No entanto, era exigido que estes aceitassem participar numa cerimónia de cariz religioso onde se retractariam como ofensores da ordem pública.
Dante recusou-se a semelhante humilhação, preferindo o exílio.”

Difícil por vezes fazer valer os nossos princípios, a nossa percepção, a nossa visão .. complicado fazer valer argumentos, contra tudo e contra todos ou com poucos do nosso “lado” como se entrincheirados agíssemos. Principalmente quando nos sabemos com razão .. acima de tudo quando a temos .. quando a única possibilidade de a tornarmos visível é “rachando meia dúzia de cabeças” ..
Assobiando, cantando e rindo ? Fácil isto.
Confortável.
Passamos a pertencer ao núcleo, aos que pensam igual, aos que não levantam ondas, aos que não argumentam mesmo sem concordar, aos que nem sequer chegam a ter de concordar ou não, dado que não é essa a escolha que lhe colocam habilmente no caminho, com dissimuladas setas de néon a apontar para onde ir.
Em nome de quê? Ah fértil a questão.. em nome da aceitação.
Aceitação social, pessoal, profissional, “amical” (existe isto?).
Aceitação.
Ou estás comigo ou estás contra mim? Porquê? É assim tão fútil, tão fraco, tão ténue o argumento que nada o pode pôr em causa? E o facto de o questionar, por construtivamente que se pretende, é um ameaçar da estrutura? Não me lixem!
Que fraca estrutura sem betão é essa que um sopro lhe corrói os alicerces?
E se é mais que um sopro em que se baseia então o vendaval?

Entre o perdão e o exílio? Nada é tão dramático nos dias que correm, felizmente .. mas o lidar com uma consciência inquieta que tem de se adormecer porque, que tem de se calar, porque, que quase se mata .. porque .. é-o!
Acreditem.

terça-feira, maio 29, 2007

tempo vs Tempo ..

Vejo-os no café do Sr. Nuno todos os dias à mesma hora.
Saímos todos apressados de manhã, paramos para o café à saída da porta da rua, o café que acorda definitivamente aquele neurónio mais sonolento.
Com os filhos a reboque, encontramo-nos todos os dias de segunda a sexta. Mochilas, lancheiras, casacos, bolas e cordas de saltar. Malas, saltos altos, saltos baixos, saltos nenhuns, óculos a segurar cabelos. Somos sempre as mesmas. Os mesmos. Cumprimentamo-nos, bebemos o café, eu pago €0.55, eles 2, 3 e 4€ .. Porquê?
Porque a lancheira da princesa é cheia em casa com o pacote de leite “branco” para meio da manhã, o pão com queijo, fiambre, marmelada ou doce de tomate (mnhann) para a parte da tarde, mais um pacote de leite, a garrafa de água. O pequeno-almoço? Esse é tomado em casa, no aconchego do pijama que tarda a despir, chinelos da mãe, com calma, saboreando os cereais e a fruta.
Os outros, iguais a nós, vizinhos de bairro e de prédio, a beber café, atestam as lancheiras com o pacote de batatas fritas, o bollycao ou chipicao da moda, o pacote de pastilhas elásticas e o sumo enlatado que compram enquanto bebericam.
Tempo? É necessário sim .. entre os 10 minutos que se leva a preparar o pequeno almoço em casa, mais 10 minutos para segurar a colher de cereais que insistem em mergulhar no leite, descascar a fruta, lavar os dentes .. tempo .. tudo leva tempo .. mais tempo, concordo, que chegar ao balcão, pedir, devorar, beber de um trago, embalar encavalitado na lancheira e partir em direcção ao destino depressa, depressa estamos atrasadas!

Mas .. depois .. não me venham s.f.f. falar disto .. atirando para costas alheias as consequências de uma postura que agora se identifica .. mas que já existe .. ao tempo.
Tempo!


PS_ propositadamente restringi a experiência à realidade que me rodeia. Pessoas como eu. Vizinhos. É evidente que se nos alongarmos na recolha de amostras em outros registos, verificaremos, por exemplo, que há crianças que saem de casa sem nada no estômago porque simplesmente não há em casa nada para lhe colocar dentro.
Atrevo-me a sugerir que sobre isto, sim, se deveria fazer notícia.

NonSense (II)

“Dear Friend,

I am Alex Simpson, a senior staff with a bank in Scotland, UK. I have only written to seek your indulgence and help. I wish to transfer a huge amount from the UK to a designated bank account of your choice. Thus, for your indulgence and support (morally, financially etc.) I propose an offer of 45% of the total amount to be yours after the transfer has been successfully concluded.

Kindly reply me stating your interest, I shall furnish you with the details and necessary procedure with which to make the transfer. I anxiously await your response.

Thanks and God bless.

Sincerely yours,
Mr. Alex Simpson.”

(mail acabado de receber na minha caixa pessoal)

Querem mais fácil que isto?
O senhor ocupa uma posição hierárquica (sénior) num banco (não diz qual, obviamente) na Escócia UK.
Só me escreve (a mim e a centenas de outros destinatários, quase que apostava) para procurar a minha ajuda no sentido de transferir do Reino Unido uma determinada quantia de dinheiro para um banco à minha escolha em Portugal (isto assumo eu pois a personagem não deve fazer ideia onde me encontro .. ou talvez saiba).
Pelo meu apoio e ajuda moral (?) propõe dar-me (sim, dar-me .. oferecer-me, doar-me .. tudo verbos sonantes) 45% do montante total a transferir, retiradas, acho eu, a competentes despesas de transferência, e no caso da operação se cobrir de sucesso.
Solicita-me simpaticamente uma resposta, demonstrando ansiedade (haverá xanax por lá?) na resposta.
Termina com um agradecimento e um invocar em vão ..

Acredito que isto seja prática corrente.
Acredito que haja quem responda, quem forneça NIBS e número de contas bancárias, IBANS e Swift Codes necessários ao ganho fácil de 45% seja lá do que for.
Acredito até que os mais incautos, em vez de espelharem a situação num blog (inocente eu .. ;) guardem segredo da família e dos amigos e vejam aqui num simples “sincerely yours” a oportunidade do pote de oiro em dias sem arco-iris.
Não me parece, assim à primeira, que o sénior executive de um Banco na Escócia careça de um advice mas sem querer levantar grande confusão, aconselharia o senhor a ter algum cuidado com este tipo de missivas espalhadas, acredito, pela Internet à velocidade da luz ..
Enfim ..

segunda-feira, maio 28, 2007

"Birthdaying"! ;)

A princesa andou numa azáfama no fim-de-semana.
Abriu o mealheiro, correu para a simpática loja da rua, de onde sabe que a mãe é “cliente-fã”, combinou com o Senhor Nuno do café demorar a mãe ao pequeno almoço de Sábado, sempre tardio e conversado, com mais conversa que o habitual, gritou um “eu já venho, mummy” e desapareceu.
O certo é que o simpático Senhor Nuno, leitor assíduo da Revista Visão, puxa de um ou dois dos melhores artigos, e “obriga-me” a ouvi-lo em longa estirada sobre os desígnios e os destinos do Millennium bcp entre outros temas e assim se passaram mais de 30 minutos, eu com um olho na conversa e um ouvido na rua, a suspeita do que se trataria na porta ao lado e sorriso nos lábios.
Hoje, acordou mais cedo que a mãe, missão só possível neste mesmo dia, numa gritaria de Parabéns a Você com o gato assustado, esforçando-se por lhe escorregar do colo, camisa de noite em desalinho e olhos de sono.
A prenda, brilhantemente embrulhada, por ela pensada e escolhida só chegará logo que ela, a princesa, conhecendo a mãe que tem, escondeu-a na loja em cumplicidade descarada com a dona, não fosse .. o Cookie, felino da casa, rasgar-lhe o embrulho!
Espertinha hein ? ;)

Independentemente dos vários balanços que faço ao longo do ano, este dia em particular serve também para começar algo de novo, congratular-me com o que comecei e dar-lhe continuidade ou dar por definitivamente terminados alguns dos detalhes que me acompanham e dos quais desgosto.
Não me vou alongar por aqui.
Simplesmente acrescentar que vos agradeço esta recente companhia, o comentário oportuno, a leitura .. a presença.
E desejar que por aqui nos mantenhamos neste próximo ano que .. para mim, começa hoje :)

sexta-feira, maio 25, 2007

Aren't We All?

Paro naquele bendito semáforo todos os dias.
Parece de propósito, de facto.
Quer venha às madrugadoras oito da manhã com reuniões marcadas para os quinze minutos seguintes, quer entre desportivamente às dez e trinta ou ainda mais perto das onze horas, quando a maioria já está a pensar “que vou eu hoje almoçar?” .. o certo é que aquele sinal simpático e vermelho está invariavelmente à minha espera naquele cruzamento complicado.
Hoje, estacionada de novo por ali tal a eternidade da espera, olho pelo retrovisor e vejo um garoto a pedir no meio dos carros.
Sujo, calças rasgadas, um dos ténis três números acima do seu, aberto à frente mostrando umas unhas sujas, magoadas. Camisola de lã dois números abaixo, rota, mangas enroladas, cabelos em desalinho. Aproximou-se devagar do meu carro que por norma tem o vidro aberto, pensei em dois segundos na quantidade de mails que recebo com experiências (falsas na maioria, mas ..) menos boas de abordagens em semáforos e estacionamentos e olho-o. Directamente nos olhos. A expressão dele como que apanhado de surpresa foi o de baixar rapidamente os olhos e murmurar um “não é obrigada minha senhora .. não é obrigada” .. afastando-se calmamente num andar que coxeia ligeiramente.
Olhei a sua frágil figura agora encostada aos arbustos que ladeiam aquele cruzamento, numa espera calculada que o sinal “caia” de novo, para prosseguir o seu pedido. Virou-se de repente e olhou-me .. sorri-lhe e ele acenou-me um adeus .. um adeus igual aquele que a minha filha me lança do portão da escola todos os dias em alegre correria, um adeus que o meu sobrinho faz quando se despede num “see you tomorrow tia” .. um adeus simples, mãozita no ar acenando, como qualquer criança da sua idade, numa realidade miserável que nenhuma criança da sua idade deveria ser “obrigada” a viver.

Não somos obrigados? Não, de facto, não somos.
Mas se não é por “obrigação” como podemos em consciência desobrigar-nos de?

quinta-feira, maio 24, 2007

Terei entendido bem ?

A acreditar nas notícias publicadas o Ministro Mário Lino terá afirmado:


«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas».
Tendo em consideração que a Margem Sul é das "margens" que maior crescimento demográfico tem apresentado nos últimos 10 anos, é lamentável que não exista nenhuma das infra estruturas referidas por S. Exa. o Senhor Ministro.

Quanto à alusão aos "milhões de pessoas" agradeço, a ser verdade, que alguém mais próximo elucide o Sr. Ministro de quantos milhões vivem no País inteiro.

Talvez assim seja mais fácil o evidente e necessário reformular do discurso ..

Proud ? Indeed ..

Mãe .. o que é a poesia ?
(a propósito de um trabalho para a escola)

Pensei uns instantes ..
Princess .. a Poesia é pôr as letras a cantar :)

.. recolhe ao quarto, e passado algum tempo:

Poesia é por a letras a cantar (disse a mãe),
afinal não custa nada
se no ar puseres cantar
no er conseguires ler
e no ir toda a gente sorrir

um barquinho a navegar
dois peixinhos a nadar
três ondinhas a rebentar
quatro salpicos de mar
cinco nuvens a passar
seis meninos a brincar
sete conchas a murmurar
oito gargalhadas no ar
nove sóis a declinar
dez sonos merecidos para sonhar.

I wish ..

"Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao homem como realmente é: infinito".



William Blake - London, poet, artist, 1757-1827

quarta-feira, maio 23, 2007

Think also about this ..

Depois da dica, que, desde já, agradeço a l. rodrigues, descobri ..
"Creativity expert Sir Ken Robinson challenges the way we're educating our children. He champions a radical rethink of our school systems, to cultivate creativity and acknowledge multiple types of intelligence."

* “Porque não obtemos o melhor que há em nós, que há nos outros?
Sir Ken Robinson justifica com o argumento de que somos educados mais para nos tornarmos bons trabalhadores do que “pensadores ou criativos ou pensadores criativos”.
Os estudantes possuidores de mentes e corpos inquietos – longe de serem aplaudidos pela sua energia e curiosidade – são ignorados e até estigmatizados, com terríveis consequências.
Estamos a educar as pessoas desrespeitando a sua criatividade.*

Será? E será por isto que muitos dos nossos jovens extravasam a sua energia e criatividade amordaçada nas mais diversas formas .. Uma das quais a que deu origem ao meu post de ontem, baseado nas leituras que fiz?
Quantos haverá desrespeitados nas suas diferenças, nos seus quereres que ou se calam, acomodam e adormecem dado origem a “bons funcionários” ou se revoltam e passam a pertencer às condenáveis minorias, com comportamentos injustificáveis..
Não justifica, não desculpa, não minora o comportamento e a suas consequências .. mas .. pode servir para melhor entendermos.

Ver mais aqui … ou aqui ..
* Tradução livre de minha autoria.

terça-feira, maio 22, 2007

Sad, sad .. and worried about ..

A propósito disto que lamento profundamente, e disto que prima pela crueza e brilhantismo com que é apresentada a situação: dolorosa, não vale a pena colocar panos quentes em coisas gélidas ou corremos o risco de provocar uma inundação .. lembrei-me de ter escrito sobre o tema há tempos e volto a lamentar que não acordemos, não percebamos, não controlemos nem apoiemos a nossa dita "futura geração" e deixemos, nós sim, todos nós responsáveis, que estas "coisas" aconteçam debaixo "do nosso nariz".

Acordem Pais .. são os nossos filhos que o fazem .. ou que o sofrem, ou que o fazem e sofrem.

E se em nenhum destes cenários estiveram os vossos, dêem Graças mas .. ajudem.

Think About it ..

"He spoke with a charming full voice, and when everyone was applauding, "how much", he asked, "would you have applauded if you had heard the original?""

Cícero - Oratório, book 3, chapter 56


Quantas vezes não somos aplaudidos, profundamente aplaudidos por .. nada? :)


(completamente seduzida pelo Imperivm, que terminei, faço votos que a Presença cumpra a promessa e publique os dois restantes volumes desta interessante trilogia)

segunda-feira, maio 21, 2007

Crescendo .. (II)

“Mummy .. Eu sei que não era bem o que querias para mim mas deixas-me ao menos ver se entro?”

E com esta pequena frase, a minha princesa calou-me os comentários preparados, pensados e na ponta da língua para a "desconvencer" de prestar provas para o Conservatório.
Dei-lhe um beijo, afaguei-lhe os cabelos, e na sexta-feira passada fui inscrevê-la para as audições.
E fico a pensar na frase. E desmonto-a, e analiso-a e peso-lhe a importância:
“Eu sei que não era bem o que querias para mim ..” … Ao longo da sua ainda recente vida de nove anos de idade, tenho tentado dar-lhe as asas fortes e seguras que sei a irão amparar na vida .. As ferramentas de conhecimento e génio necessárias para a enfrentar, com um sorriso de preferência, os princípios e os valores de honestidade, fidelidade, verdade, e outras palavras sonantes, significados tão necessários a uma postura recta, correcta, justa, acima de tudo .. feliz. No lidar com os outros, com ela própria, algum egoísmo também (há que sê-lo .. por vezes .. digo eu).
Que queria eu então para ela? Não será o seguir do seu próprio sonho? A concretização dos propósitos a que se propõe? E o trabalho que isso lhe tem exigido? Imenso. Mas .. quem corre por gosto não cansa .. também lhe tenho ensinado isso. E ela aprendeu.

“ Deixas-me ao menos ver se entro?” .. ao menos. Como quem precisa de provar a si mesma que entra. Que vale. Que vai conseguir. E aqui é engraçada a noção, até para mim.
A frase proibida lá em casa é “eu não consigo!”.

Inscrição feita, pequena conversa com quem a registou, asseguram-me que a escola é como outra qualquer. Aliada à forte parte académica, uma excelente preparação para a arte. Para a dança.
Que queria eu afinal? pergunto-me de novo .. Menina de liceu, turmas mistas, professores em falta, joelhos esfolados e calças a arrastar pelo chão?
Talvez .. mas não é do "meu" querer que se fala agora .. :)

sexta-feira, maio 18, 2007

Happy Thought :)

"Se a luz é o primeiro amor da vida, não será o amor a luz da vida?"

Honoré de Balzac (Tours, 20 de Maio 1799)
Os hábitos de trabalho de Balzac tornaram-se lendários - escrever cerca de quinze horas por dia, impulsionado por um sem-número de chávenas de café.

Someone that, no doubt, would have understood me .. ;)

Have a lovely week end *

quinta-feira, maio 17, 2007

Emoção .. (II)

"No Baptismo Cristão, o que fora batizado assume uma aliança com Cristo.
Esta aliança representa o acto de filiação junto a Deus, tornando-se o baptizado parte integrante da Igreja."
A criança sentada ao colo do Pai olhava o Padre com os grandes olhos cor de mel fitos atentamente e dedo espetado como que a pontuar as palavras que eram ditas.
O Padre, simpático, voz calma e profunda, contava um pequeno episódio entre a satisfação física e a satisfação espiritual – palavras carregadas de significado. Olhou a irmã de soslaio, a medo .. Duas lágrimas corriam cara abaixo, grossas, sorriso nos lábios, feliz.
Ao fundo da Igreja uma voz de bébé "aliviou" a cerimónia “is he a doctor, mummy?
Unção na testa e no peito do pequeno .. vela acesa, água na cabeça, sem choro nem birra.
Parecia gostar. Parecia entender. Entenderia?
Um final comovente, aos pés da estátua de Nossa Senhora pedindo que ajude a criar aquela criança como criou o seu próprio filho.
Em paz.

Está baptizado o meu sobrinho .. e afilhado.
E a madrinha prometeu, convicta, ajudar os Pais na manutenção da fé, do amor ao próximo, da sabedoria, da paz.

Difícil? talvez. Mas não custa tentar.
Definitivamente não nos custa nada tentar e .. acreditar :)


A juntar à emoção da cerimónia que se celebra, a emoção de se juntar sob o mesmo tecto toda a família, a que está fora e só se vê .. só se sente, infelizmente, duas vezes por ano, a que está longe pautada por encontros esporádicos e a correr .. as saudades que apertam e que assim, num abraço prolongado, e num “é bom ver-te” se minimizam. Se apaziguam. Os amigos mais íntimos ..
Sentimentais? Somos todos .. mesmo os que escondem as lágrimas por detrás dos óculos escuros da moda ;) “Tão latinos!” Exclamou uma prima também comovida.
Não serve de desculpa, pensei, nenhum de nós o é inteiramente ..

Agora que a maioria partiu, fico .. plagiando uma comentadora amiga, “grávida” de tanta emoção, de tanta felicidade, e esperando que dentro em breve, outra ocasião ou ocasião nenhuma ..nos junte .. a todos.

E .. sei que vou cumprir a promessa.

quarta-feira, maio 16, 2007

Yôga

"O Swásthya contém em si os elementos constitutivos que fundamentam todas as demais modalidades de Yôga, sendo que o Swásthya é de tradição muito mais antiga.

O Swásthya é extremamente técnico, por isso agrada mais às pessoas dinâmicas, realizadoras e de raciocínio lógico.

No Swásthya Yôga, a forma de executar os exercícios é diferente das formas modernas de Yôga. Inspirado nas linhas mais antigas, executa as técnicas corporais sincronizadas harmoniosamente, brotando umas das outras mediante passagens extremamente bonitas e que permitem a existência de verdadeiras coreografias."

Eu .. recente aprendiz, confesso-me completamente seduzida ..
Namastê :)

Digo eu ..

Apologista de uma frase sonante que não quer, na prática, dizer rigorosamente nada “a desilusão vem na directa medida da expectativa criada ..” hum ? soa bem não soa?
Agora apliquem-na, se puderem.
Mas dizia eu .. apologista desta frase, tento imprimir na minha vida este mesmo desconcerto de que, quem nada espera não se desilude. E até mais para quem comigo lida do que para o meu próprio lidar, como se em diferentes arenas agíssemos.
Portanto, é sempre com um misto de surpresa versus o ter de dar razão à vozinha irritante que me buzina aos ouvidos muito antes de .. que acabo por me ver confrontada com exigências idiotas, quereres que não são o meu nem pela minha vontade passam, pressupostos de que é assim “porque sim” e outras “verdades” ou certezas absolutas do género.

Parêntesis aqui porque me lembrei de uma frase de um velho amigo “certezas são becos sem saída”, frase que eu gosto de completar com “e o meu carro não tem direcção assistida”.
É verdade. Não tem mesmo.

Que fazer?
O que damos aos outros mesmo, por vezes, sem saber que o fazemos e só porque assim somos, ou porque temos o que os outros precisam, é encarado: “dado como que adquirido e muito meu”. Rapidamente querem mais. E mais.
Portanto se deixamos por alguma razão de dar aquilo que damos, o que pode acontecer de um segundo para o outro dado que damos sem saber, sem a noção de “dar” e sim só pela noção de “ser”, temos cobrança, chatice e todo um conjunto de letras mal arrumadas que a mim, sinceramente me penitenciando, não costuma apetecer-me ouvir..
Conselhos? Se fossem “bons” vendiam-se mas ..
Fluir minha gente .. se deixarmos fluir o relacionamento, seja ele qual for, como se de um rio se tratasse que por vezes exasperado galga margens e por outras, em dias calmos de primavera sem cheias ou tempestades, corre ligeiro e sereno, se nos habituarmos a partilhar com quem connosco partilha, pouco ou muito ou mesmo nada.
Só por se estar. Por se sorrir. Por se abraçar.
Se aceitarmos um não com a mesma fluidez de espírito sem questões que aceitamos um sim .. e sem que a palavrinha de três letras e til signifique rejeição, humilhação, falta de ambição e outros ãos ..
Se pararmos nesta vida de dar com o fito de em troca receber. “Eu contei-te um segredo meu .. agora quero saber um teu”? – coisas de adolescentes que a vida rapidamente se encarrega de nos fazer ver .. que não é assim.
Imprimir um determinado ritmo, o nosso ritmo, podemos fazê-lo à nossa própria vida.
Aos nossos hábitos. À nossa ilha.
Mas como dizia alguém “no man is an island” portanto, abstemo-nos de o fazer aos outros.
Ou correremos um risco.
E riscos .. esses sim devem ser corridos tendo em consideração as variáveis consequências.
Porquê?
Porque a vida, este percurso singular e único de cada individuo, é demasiado pequena, demasiado condicionante e condicionada, para podermos um dia arriscarmo-nos a perder .. a nossa individualidade.
Digo eu ..

terça-feira, maio 15, 2007

Sonhos (III)

(trying ? .. indeed) :)


Com o regresso .. aposto que ela sonha com o seu regresso. E sei que ganharia a aposta facilmente. O dia do regresso. Quantas vezes o terá imaginado, aquela rapariga. Dia do abraço real, do beijo prolongado, de poder olhá-lo nos olhos negros e verificar pelo brilho, pelo sorriso, que todo o amor que lhe tinha .. era ainda recíproco. Deitada na cama, olhos postos nas fotografias e postais encavalitados no pequeno quadro de cortiça, presos com “pioneses” brilhantes, era certamente com o dia do regresso que a rapariga sonhava.

Paro de escrever, encosto-me na cadeira confortável .. a minha cadeira, cruzo os braços e de olhar perdido e alma ausente tento imaginá-los aos dois a viver a vida que lhes desenho.
Era bom que assim em traços singelos de escrita fina e precisa .. pudesse um dia ter desenhado a minha.

Era um dia de Inverno, frio e gélido como só os dias de Inverno sabem ser.
O navio atracaria pelas onze horas da manhã e ela saiu de casa cedo, preparada para o estágio, mas em percurso inverso ao do escritório onde tinha acabado por arranjar emprego, findo o último ano de faculdade. Era um escritório simpático, um estágio remunerado – coisa inédita por aquelas alturas, trabalho imenso e uma equipe de gente nova e simpática. Como ela.
O coração batia forte forte .. o pequeno almoço tinha ficado intacto em cima da mesa da cozinha. A mãe gritara-lhe “ despacha-te .. está na hora!” e ela pensou sorrindo .. “pois está !” e desceu os degraus numa correria de quem está atrasada. Impossível. Eram oito da manhã.
Autocarro até Alcântara e o resto do caminho a pé .. faces coradas da expectativa, casaco atirado para as costas numa negação das temperaturas mínimas que se faziam sentir. Um pequeno café nas docas abrigou-a do tempo de espera. Frequentado por quem espera. Mulheres com filhos pequenos pela mão tentavam ingloriamente que se mantivessem no quente, quietos. Missão Impossível. Numa mesa ao canto um velhote enrugado, copo de leite à frente e pé nervoso a bater no chão. Esperaria um filho?
Entravam e saíam os estivadores do copo de vinho, mangas à cava a grandes tatuagens que a faziam sorrir. Amor de Mãe .. coração por Angola.
A azáfama no cais era impressionante. Carruagens de contentores carregadas, guindastes e pequenas gruas de carga, gritos em todas as línguas.
Pediu um galão, servido em copo de plástico, e saiu para a rua observando.
Como seria o navio? Enorme tipo paquete com pequenos barcos presos ao seu redor como aquele que vislumbrava ao largo? Destes todos enferrujados e parecendo desfazer-se a qualquer momento? E como viria ele? Mais magro? Ainda bronzeado? Reconhecê-lo-ia à primeira ?
Claro que sim ..
Uma hora de espera que se converteu em quase dia e meio tal forma era intenso o desejo do reencontro. E de repente, no meio do barulho insuportável que se ouvia por todo o lado, um estrondoso apito precedeu um navio imponente, branco, que atraía sobre si a pouca luz do dia fazendo-o parecer ainda maior. E lá no cimo, em precário equilíbrio na proa, todo inclinada .. uma figura alta, magra, cabelos encaracolados e revoltos ao vento, acenava.. ! Acenava freneticamente num desespero que não fosse ela a primeira pessoa a vê-lo. Aí estava. O seu amor regressava. Depois de um longo ano de ausências .. regressava.

Já todos se tinham abraçado, beijado, admirando-se das mudanças que o tempo sempre opera em quem está longe da vista. Afastado em direcção aos seus rumos, destinos, agora partilhados de novo ..
As malas tinham sido descarregadas. Os pequenos barcos que tinham trazido os passageiros estavam há muito atracados no cais. Os seus marinheiros aquecendo-se no café. O navio imponente ao largo, imóvel, semi-envolto numa neblina que aparecera, insistente em não deixar o sol brilhar.

O casal continuaria ainda por muito tempo abraçado, malas em seu redor, cabelos entrelaçados, olhos fechados.
Um abraço de promessa para uma outra parte de vida que agora começava.
Vida. Amor, que saudades tuas ..

segunda-feira, maio 14, 2007

...

"Don't be dismayed at good-byes. A farewell is necessary before you can meet again" Richard Bach

Would rather be saying “greetings” again but .. have to say good-bye .. hope to see you soon :)

Muito emocionante o fim de semana, aniversários, baptizado, família .. encontros e reencontros .. escreverei mais tarde .. muito mais tarde penso, depois de acalmar esta “emoção” toda .. para já .. está na hora das despedidas .. difícil isto ..

sexta-feira, maio 11, 2007

"Hope is a belief in a positive outcome related to events and circumstances in one's life."
.. Believing in the positive outcome for little Madeleine and whishing, with all my heart, her safe return back home ..


Have a wonderful .. hopeful week-end :)

Fugindo .. ;)

Depois da "audácia" do desafio a esta aprendiz de letras ;) .. não, não estou a brincar, está tudo assinado por Mr. H.R. aqui, li e reli o que se diz sobre “meme” .. que em inglês se pronuncia “meem” .. que por incrível que pareça rima com “dream” ..

Há vários “meem” na minha vida.
Gosto de letras, isso já toda a gente sabe.
Gosto de as ler, de as escrever, às vezes não gosto nada de ler as que escrevo mas .. de as saborear, de as apreender.
Gosto de nelas navegar, de me deixar ir em personagens e tramas .. de as interiorizar, de as questionar, de com elas concordar ou veementemente discordar.
E ao longo de tantas leituras completas e por vezes incompletas .. há, como não podia deixar de ser, obviamente, vários “meme” que “adopto”.
Não à laia de chavão ou lição de moral em seara alheia (sempre fácil e simples isto) mas para mim mesma muitas vezes à laia de caricatura.
Mas .. retomemos o “dream” .. ah perdão .. era o “meem” ;)

E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros?
É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes... um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos...
Não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror?
Não é uma caricatura?
E não somos todos mais ou menos sonhadores? “
Fiodor Dostoievski, in "Escritos Ocasionais"

Eu sou. E entre o “menos” e o “mais” escolho .. definitivamente .. mais.

PS_ o que é que era mesmo o que me trazia aqui hoje ? ;)

quinta-feira, maio 10, 2007

Recordo ..

A chegada ansiosa à maternidade para te ver .. a bebé limpa, lisa, linda que esperava no berço .. sossegada. Os primeiros passos, as primeiras quedas, o olhar matreiro de lágrima difícil.. nunca foste chorona tu .. as primeiras palavras .. a forma como dizias “aua” .. e não!
Muito dizias tu Não!
A entrada na escola, as primeiras dificuldades rapidamente superadas, a meiguice, a ternura, o crescer ..
Recordo as primeiras confidências de menina crescida .. o abraço apertado.
A saída para longe em nome dos estudos, as preocupações que me afligiam por saber-te longe de mim ..
Recordo a sensação de andar contigo pela mão, feliz por me acharem mãe .. feliz por me achares mãe.
Recordo os aniversários, as datas a comemorar, as outras datas, as viagens e as férias que juntas passámos.
Recordo as lágrimas em momentos menos bons, dolorosos mesmo .. ultrapassados?
Acredito que sim.
Hoje acordei a recordar-te.
Mais do que em qualquer outro dia que te penso.
Talvez por ser o dia do teu aniversário. Talvez pela feliz coincidência de ser igualmente o dia do aniversário do teu filho. Uma prenda da Vida ? :)

Aos dois, que “meus” são também, fica o desejo de uma boa Vida.
Cheia de tudo o que a Vida tem de bom para nos dar (que nunca duvides .. é imenso) .. mesmo sem termos de procurar.
Acima de tudo quando não procuramos ..

Beijo meigo*

quarta-feira, maio 09, 2007

A propósito..

de tudo o que se comemora em grande, com direito a tempo de antena ininterrupto, manifestações pela rua e cravos esgotados no Mercado da Ribeira às 9 am, .. para se esquecer rapidamente passadas vinte e quatro horas .. (estou a ser generosa eu .. )

"O problema da liberdade foi o que sempre mais me preocupou.
Tento pôr ordem nas minhas ideias, mas não é fácil. Fui da esquerda e mesmo da sua direita (porque a direita da esquerda é a mais esquerda, como a direita da direita, a mais direita). Fui-o porque ela era a favor da liberdade humana e se parecia que era contra a liberdade humana, era só por defender a liberdade humana. Hoje sou contra a defesa da liberdade humana, porque sou a favor da liberdade humana. Esquerdas e direitas dizem-me que se eu sou contra a defesa da liberdade humana, por ser a favor da liberdade humana, sou realmente contra a liberdade humana e estou por isso fazendo o jogo de uns ou de outros, consoante aqueles que me acusam. Ah, por favor, não me peçam explicações - sou homem, não sou político. Defendo a liberdade porque sou pela liberdade e por isso não devo defender a liberdade, porque para defender a liberdade teria de atacar a liberdade, o que me obrigaria então a defendê-la por ser a favor dela - merda!
Sou pela liberdade, sou contra a opressão, e isto é simples, é humano, é evidente - disse!
E não me chateiem mais. "

Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

Mesmo que amanhã ..

Chova ! A cidade está linda .. :)
Isto de chegar ao escritório com duas horas de "atraso" em relação à hora de entrada tem as suas vantagens e não, não me refiro a ficar a dormitar, porque já trabalhei imenso hoje !
E a cidade que me acompanhou do lado de fora das janelas do carro está .. linda!
O Sol está quente, há um morno no ar que ainda não se tornou insuportavelmente seco, uma limpeza e um brilho da responsabilidade única e exclusiva desta bela estação do ano que começa a querer instalar-se.
Cruzei-me com condutores que de vidros abertos e música alta, sorriem no trânsito.
Vi as crianças ordenadas na passadeira à espera do sinal verde, de calções e t-shirt.
Apreciei até com outros olhos a carrinha do pão que naquela rua estreita sempre me obriga a parar ao som do interminável pisca-pisca na tentativa de me lançar em faixa contrária e seguir o meu caminho.
As esplanadas servem agora para pequenos almoços tardios, as velas no Tejo estão imaculadamente brancas.
A princesa saltou do carro em alegre correria gritando "dia lindo mummy .. dia lindo" ..
Dia lindo para todos também :)
Eu .. estou imbuída deste espírito hoje .. que fazer?
:)

terça-feira, maio 08, 2007

Did You know ..

Serendipity: Look for something, find something else, and realize that what you've found is more suited to your needs than what you thought you were looking for." Lawrence Block

The word 'serendipity' has been voted as one of the ten English words that were hardest to translate, in June 2004

Origem: conto persa “As três fadas de Serendip”.

"inventor do termo" Horace Walpole (1717/1797) escritor e político britânico, autor de um legado considerável entre ele a singela frase (my favourite ..) :

“The world is a comedy to those that think; a tragedy to those that feel.”



TPC: 1ª, 2ª e 3ª conjugações do verbo “serendipar” ;)

A ler ..

Territórios de Caça .. é como se chama a fabulosa novela com a qual Luis Naves nos brinda aqui .. avisando que "(...) sei que é difícil experimentar escrever uma novela num blogue, mas é disto que se trata. Vou tentar que os leitores se habituem a vir aqui ler mais pedaços da novela (...) "

Tentativa bem sucedida Sr. L. Naves .. Parabéns pela escrita que prende e nos faz desejar que publique .. depressa .. mais um episódio :)

segunda-feira, maio 07, 2007

Sonhos (II)

envergonhada tentativa de conto? .. quem sabe .. :)

Anos mais tarde ao recordar aquele dia invariavelmente sorria perante o quadro do casal de manga curta abraçado na esplanada vazia. Quadro que durante muito tempo quis para si mesma. "Inveja" saudável de sensações não sentidas, desejo daquele calor íntimo que os aquecia .. só assim se justificaria a manga curta em Fevereiro. Que seria feito deles ?
E mentalmente construía a estória daquele percurso que estava certa, era em tudo diferente do seu.

Procurou o sentimento, encontrando-o em outros olhos, sempre em outros sentires, mal canalizado ..
Sentiu-se durante outra grande parte de tempo .. traída.
Nas convicções, no acreditar que aconteceria, no procurar que acontecesse. Traída e despojada dos seus credos, dos seus sonhos, regressou. A uma casa que não tinha preparado, que não tinha arranjado, para a qual nada tinha comprado. A uma mesa vazia, enorme, com dois míseros individuais (estava na moda isto) e dois pequenos pratos. Falha de animação, de tigelas passadas, de pão a rodar pela mesa, do “arranja-se lugar para mais um ?” de vozes, de coros, de gente .. de vida. Retinha o melhor, afastando propositadamente as lembranças do menos bom, as razões que a tinham levado a optar, desejosa de aprofundar o sentimento de sofrimento? de pena? talvez ..
Raio de opção mais idiota que tinha assumido. À qual tinha dito, pouco convictamente é certo, “sim”. Mesmo desejando intimamente que no meio da audiência alguém tivesse coragem para interromper a célebre frase “se alguém tem algo a obstar..” .. calados para sempre.
E agora ?
Na falta de coragem para acabar o que mal tinha começado, restava-lhe algum consolo, entre outras pequenas coisas, na estória inventada. E essa era frutífera.

Depois do encontro de esplanada em finais do mês de Fevereiro daquele ano o casal decidira-se por um breve apartar de vidas. Ele partiria, embarcaria num majestoso navio, serviria, angariaria os fundos que lhe permitissem voltar, pedi-la aos pais em casamento, comprar um pequeno apartamento onde carinhosamente e com afinco, colocariam as primeiras pedras com que edificariam a sua vida. Ela ficaria .. estudaria, acabaria o seu curso. Procuraria um emprego.
Foram largos, imensos os meses de cartas semanais, uma vez para Miami, agora para Nova Deli, México, marina de .. será que ainda vai a tempo? Cartas longas, pautadas pelas novidades das suas vidas separadas. Ela contava-lhe o seu dia a dia, as notas na Faculdade, as conversas com amigas, a desconfiança (ainda) dos pais perante o relacionamento, agora à distância.
Assegurava-lhe o seu amor, a sua fidelidade, contava os dias para o regresso. Tão longe ainda.
Ele, sentindo-a frágil, fazia das “tripas coração” e amenizava a sua existência a bordo de um paquete onde de paquete não tinha nada. Servia aos caprichos de senhores donos de fortunas imensuráveis na expectativa de uma gorjeta que lhe permitisse aumentar o pé-de-meia .. chegando aquele limite, regressaria. Aí sim com possibilidades para ..
Mandava-lhe fotografias onde sempre sorria, mesmo chorando por dentro .. Ela admirando-se do seu ar bronzeado, pregava-as a todas no quadro de cortiça que mantinha no quarto .. e sonhava.
Com que sonharia?

(a continuar .. ou não) :)

CVL

;)
sigla que demorei o meu tempo a perceber a que se referia ..
Viagem feita, afilhada linda e compenetradíssima do seu grande dia .. madrinhas orgulhosas, a da princesa e eu .. abraços apertados, beijinhos repenicados .. conversas tardias, tanto para por em dia, tanto para contar à volta da mágica chávena de chá .. dias corridos de horas apertadas .. idas e voltas .. e fica o sorriso nos lábios de uma pequena saudade que se matou .. chatas as outras que insistem em ir e voltar, agarradas a nós .. lágrimas de despedida, credos em "até breves" .. comboios que não esperam indiferentes à vontade de ficar mais cinco minutos, mãe, só mais cinco minutos no abraço apertado de quem não quer regressar .. :)
Que seja um até breve, breve, breve ..
Obrigada por tudo *

sexta-feira, maio 04, 2007

Ghosts

Libertar “fantasmas”.
Abrir as grandes janelas de portadas verde-escuro de par em par e deixar entrar a brisa amena, morna, brisa que entra e procura em todos os recantos, cantos escondidos, atrás dos móveis, remoinho de cotão, procura-os, enxota-os, afasta o cheiro .. inodoro, a forma .. imperceptível, a cor .. incolor.
Varrer memórias penosas como se de pedaços de papel velho e amachucado no chão se tratassem.
Lixo. Puro lixo.
E começar de novo.
Recomeçar a acreditar, com alguma fé no que quer que seja, devagar, primeiro de "coqueras", joelhos no chão, uma mão que se ergue, um braço que se apoia no apoio mais próximo.
Enfim .. de pé.
E surpresa das surpresas .. ?! Não é que o mundo não parou?
Não é que tudo continua, igual, diferente, melhor ou pior, mas lá. Ainda ..
Sorriso nos lábios, é altura para aprender .. a queda dá uma perspectiva diferente da realidade na ponta do nariz. A perspectiva terrena e térrea e o desejo de voltar a erguer.
A confiança. Restaurá-la em papel fino, tracejado firme, de preferência a tinta da china.
Colori-la de novo em tons suaves. Acarinhá-la. E depois .. mantendo o inalterável e sincero sorriso nos lábios .. deixá-la voar, retendo na memória o cheiro a jasmim, a forma perfeita, a cor carmesim.

(isto anda um pouco régio por aqui .. mas do not worry .. just throwing away)

Give yourselves a tender week-end, baring in mind that “things” have it’s own importance .. nothing more .. nothing less :) On the other hand, emotions and feelings are more meaningful than one can ever imagine.

Prize & Price

“A prize is an award given to a person or a group of people to recognize and reward actions or achievements. “

Um dos meus “blogs’ mate” decidiu em pleno uso das suas capacidades ;) atribuir-me um prémio de Thinking Blogger .. não uma blogger pensante (que definitivamente sou!) mas enquanto autora de textos que “fazem pensar”!
É agradável a sensação de saber que os meus escritos poderão ser "responsáveis" por pensamentos alheios.
E é duplamente agradável receber esta distinção vinda de alguém a quem prezo, e muito, as letras que escreve.

Agora .. claro que as rosas têm espinhos (todas!) ;) e a minha próxima incumbência que não está na linha directa do “recebes ou não o prémio se” .. (valha-nos isso) é nomear quem me faz pensar a mim.
E aqui a coisa fica "a modos que" difícil.
Pela lista na barra lateral direita onde ocupam uma linha todas as minhas leituras diárias, podemos aperceber-nos que não são muitos, imensos e infindáveis os blogs que destaco para consulta. Foram contudo vários os que consultei para me decidir quais aqueles que queria colocar ali.
Todos eles me merecem esta distinção portanto .. e para não cair em repetições e forwards do tipo “passa ao próximo e não ao mesmo”, dou a volta ao texto e deixo por aqui uma pequena lista das últimas leituras que me fizeram pensar (algumas até me tiraram o sono, literalmente falando ;).
Pode ser ?

O Livreiro de Cabul – Asne Seierstad
Pós Guerra – Tony Judt
Crescer Vazio – Pedro Strecht
Why am I not a Christian – Bertrand Russell
Wisdom & Forgiveness – Dalai Lama
(coerente a menina hein?) ;)


Once again thank you Mr. LB :)

quinta-feira, maio 03, 2007

Preocupada

“A referência ao Partido Nacional-Socialista, de Hitler, que levou ao nazismo, não é inocente e Jardim concretiza. «Voltamos ao tempo de Hitler nestas alianças entre a extrema-direita e a extrema-esquerda», mas «domingo, Lisboa vai aprender que o colonialismo acabou e que tem que nos respeitar». “ in Portugal_Diário sobre o discurso de Alberto João Jardim

Estou preocupada.

De tudo o que me lembro de ter estudado e, mais por necessidade de tentar entender porquês, causas e efeitos do que por gosto pessoal por esta parte da história dos homens, de tudo quanto pesquisei ao longo de anos sobre este pedaço .. digamos que .. negro e profundamente vergonhoso (my opinion) da mesma história que com outras estórias alguns continuam a querer camuflar .. estou seriamente preocupada e espero .. no mais intimo espero .. que o senhor esteja enganado.

quarta-feira, maio 02, 2007

Fios, cordas, cordéis, guitas e .. baraços :)

Fios!
Invisíveis.
Imensos.
Verdadeiras teias.
Fios que a prendem, que a movem, vontades alheias à sua vontade.
Fios.
Fios que a orientam. Que puxam e repuxam. Que falam, agem, respondem.
Só fios.
Presos imperceptivelmente no pescoço, nos ombros, abaixo dos braços, no cimo da cabeça, pelas pernas, pés, dedos.
Que a acordam.. que a adormecem.
Só fios.
Sentada no pequeno banco à porta do edifício brilhante apetece-lhe entrar.
Feito de vidro, escadas em caracol, elevadores suspensos.
Pulsa de vida, corridas, idas e vindas. Apetece-lhe entrar, percorrer vagarosamente as escadas, degraus um a um, chegar ao cimo e apreciar a vista. A vista? Linda! Magnífica!
Céu azul brilhante que ofusca, sol radioso, aragem de brisa feita que despenteia cabelos.
“Vou entrar!”
E logo um fio, aquele mais manhoso que chega a magoá-la, a puxa para baixo. Sentada!
À porta.
Como se marioneta fosse, espantalho ou fantoche em mão alheia.
Pior. Em vida alheia.
Aqui um sorriso porque assim impõe a circunstância, ali um esgar que de terrífico se torna cómico. Tudo o que esperam. Como dela esperam.
Impulsos? e é o quê isso?
Vontades? Não tem.
O pequeno banco de madeira não é confortável, admite para si, baixinho, para nada ouvir.
Mas conhece-lhe os contornos.
As farpas afiadas que evita sentando-se de esquina.
As manchas na madeira marcas de outros ocupantes.
As costas rígidas que magoam. Mas é o seu banco. Onde a mandaram sentar.

Entrar no edifício da vida. É tudo o que quer. Já o sabe. Observou-o ao longo de horas em que tenta criar coragem para mais um passo. Em que imagina cenários para iludir .. os fios.
Só lhe falta senti-lo, cheirá-lo. Tomar de uma vez por todas conta da sua própria vida.
Sem fios.
Conseguirá? Ou desmantelar-se-á no chão em grotesca pose de quem perdeu o fio? O prumo.
Há uma tesoura por aí?
Amola-a carinhosamente, afaga-a como se de seu salvador se tratasse.
Uma tesoura.
Finalmente a coragem.
Rasante.
A tesoura rápida em cortes irremediáveis, fios quebrados e soltos pelo chão, fria, de aço feito, impassível, quase sorrindo, trocista.

Está na hora de ceder lugar a outra alma amedrontada.
“Evite o lado de lá..” deixa escrito num bilhete, tem uma farpa que magoa .. profundamente.

(.. em memória do tempo em que sentados em bancos de madeira, construímos algo a que se chama, vulgo, amizade) ;)

Thanking ..

to Mr. H.R. .. o thoughts aqui mais à direita (ou não tivesse eu costelas .. ) pela referência :)

Não sei colocar letras bonitas e linkar estas coisas (ignorante a menina) .. mas é uma das minhas leituras diárias também :)


Grata *