terça-feira, abril 10, 2007

Barcelona (II)




O Palau da Música é, em Barcelona, o expoente máximo do Modernismo.

Declarado património mundial pela Unesco, foi construído pelo arquitecto Domènech i Montaner em 1905. Esta verdadeira obra de arte levou três anos a construir e a empresa foi levada a cabo por apenas 20 pessoas. Toda a arte interior presente no Palau, desde os vitrais à decoração interior rica e colorida era feita externamente ao local de construção. Estaleiros e ateliers funcionaram 24h por dia durante o período da construção da estrutura fornecendo os artefactos prontos a ser instalados.

Montaner era um arquitecto. Não percebia rigorosamente nada de som. Portanto, rodeou-se de especialistas de forma a tornar o interior do Palácio num local de fina acústica e envolvente musical e cultural, onde o som não esbarrasse na decoração e fluísse de forma plena, como se ao ar livre estivessem os espectadores.
O local está ricamente decorado como se de um jardim se tratasse.
A filosofia subjacente à decoração prende-se com o facto de na altura Barcelona industrializada sofresse gradualmente da ausência de espaços verdes. Assim, o Palácio e o plano da sua construção reflectiria essa ausência de espaço ajardinado, criando no visitante a ilusão de se passear por um. A maioria das paredes são em vidro. Para aproveitar luz, para proporcionar a entrada do sol no jardim.
As rosas brancas e vermelhas que decoram todo o tecto do monumento reflectem as cores da bandeira de St. Jordi – o patrono da cidade. Reza a lenda que Jordi foi o único cavaleiro que conseguiu matar o dragão que assolava a localidade. Do seu sangue brotou uma rosa vermelha que Jordi ofereceu à filha do Rei, casando com ela.
É neste dia que em Barcelona se celebra o nosso dia de S. Valentim (23 de Abril). Os rapazes oferecem rosas vermelhas e as meninas livros. A cidade neste dia atapeta-se de flores e bancas de venda de livros (parecido connosco não é?) ;)
O ponto alto turisticamente falando da visita a este local culmina na audição do grande órgão colocado sobre o palco. Realmente tocado, como fez questão de nos informar a nossa simpática guia, e não em gravação, o som é avassalador. Toca-nos .. enche-nos .. como se por nós passasse e seguisse o seu caminho.
Foram minutos de comoção.
Quando olhei a princesa, chorava .. apercebi-me que eu também.
Terminada a pequena peça e, provavelmente habituada que está a estas reacções, para desanuviar, a guia lançou uma pequena piada: o custo monetário de cada uma das teclas maiores do órgão (são 3.000 ao todo, de diversos tamanhos) custa tanto como custou toda a construção do Palácio .. ;)
Saímos para a rua. É uma rua estreita, perpendicular à Via Layetana, quase um pequeno beco.
O verdadeiro sol apanhou-nos desprevenidas. Piscámos os olhos chorosos, sorrimos e continuámos .. estávamos certas que não iríamos encontrar nada tão belo, tão único, tão maravilhosamente mantido.
Estávamos enganadas .. ;)

2 comentários:

Cvl disse...

Agora entendo o porquê, de um dos melhores momentos;)

Once In a While disse...

a choradeira prima .. a choradeira .. ;)
Beijo meigo *