sexta-feira, março 30, 2007

Holla ;)

“Barcelona, capital da Catalunha, orgulhosa, soberana no sentir do seu povo, hospitaleira e acolhedora, local de derrotas históricas e de vitórias recentes, vitórias que se comemoram colectiva ou individualmente de cada vez que um visitante resolve tomar para si a chave da cidade..”


Holla Barcelona!

Malas quase prontas, ténis para estoirar de tanto andar, máquina fotográfica preparadíssima e bilhetes impressos.
Vontade? Imensa!
De conhecer, de saber, apreender, e gostar .. mesmo que de sons, sabores, ares diferentes.
Só falta mesmo esperar, pacientemente, pelo dia D para partirmos de novo em busca de nova aventura.

Mãe e filha em terras de “nuestros hermanos” com mapas de metro na mão, o guia de Gaudí (imperdível), indicações do Museu National d’Art Catalunya, do Parc Ciutadella, das Ramblas, do Palau da Música e da Ciudad Góthica, restaurantes de Montjuic (os recomendados e os outros .. onde se come muito melhor) e uma vontade enorme de respirar outro ar, escutar outra língua, sentir outro sentir.
De ter saudades.
E de regressar.

Catalunya .. aquí vamos “nosotrAs”! ;)

Ps_ A todos uma Santa Páscoa .. hasta el dia 9 ;)

Wisdom

"If you can, help others; if you cannot do that, at least do not harm them. "
His Holliness the Dalai Lama
Iniciei ontem a leitura de "Wisdom and Forgiveness" de Sua Santidade o Dalai Lama.
Não ando à procura de credos, acreditares, elevações de espírito ou qualquer metáfora que torne a vida mais "leve", apanágio de algumas religiões, mas tive curiosidade, comprei e .. em prejuízo das horas de descanso que o corpo me merece, li-o quase de uma assentada!
Incrível a forma simples, a estrutura de pensamento, o brilhante articular entre a vida que temos, que vivemos e o que podemos, mais pensar do que fazer para a tornar melhor.
Incrível o compromisso assumido, a meu ver, não só com a Sua religião e a Sua Nação, mas com toda a humanidade.
A humildade, a simplicidade das letras e o sentido que lhes dá prenderam-me páginas a fio. Reconciliação? é .. acho que é o grande tema do livro. Reconciliação connosco em primeiro lugar e consequentemente reconciliação com o Mundo.
Porque me identifico ? Acabo de o descobrir ..

quinta-feira, março 29, 2007

700 Visitors

700? Visitas ? engraçado isto.. :)

Um amigo alertou-me há uns tempos que teria de ser demasiado ingénua (às vezes sou-o mesmo .. assim .. em demasia) para acreditar que só me leriam as “desgraçadas” ;) das pessoas a quem facultei o endereço do meu blog.
Aguçou-me a curiosidade com os contadores de visita, pacientemente (mesmo muito que nisto da informática do liga e desliga e da falta de paciência sou “barra”) ensinou-me a colocar um contador no meu blog e hoje, passados quase dois meses, consulto-o e pasmo com os resultados. 700 visitas de pessoas que me lêem.
E não sei quantas “Pages Views” de quem penso que vem cá parar por engano ;)

Não deixa de ser uma sensação estranha como se de repente o meu “diário” tivesse caído no meio de uma audiência atenta a outro tema qualquer, porventura bem mais interessante.
Como se mãos desconhecidas o folheassem, sorrissem ou “gozassem” do seu conteúdo feito, como já disse em tempos a propósito de outra situação bem menos grata, de pequenos apartes do meu dia a dia, não localizado em tempo ou espaço, nem apanágio de experiências.. daquelas ;)
Bom .. mas tanta conversa para quê? Até parece que estou ligeiramente arrependida e temerosa .. (?) .. Não.
Tanta conversa para agradecer aos visitantes, para agradecer os comentários que se são, alguns, de rostos e fisionomias para mim desconhecidos, revelam personalidades e almas que começam a ser-me familiares .. :)
E nestas coisas de círculos, de amigos e conhecidos, de realidades e de virtualidades .. a blogosfera é de facto um mundo, vasto portanto, porque não uma “família” também .. (?)
Um Abraço
Ana

Steinbeck's wise words ..

Excerpt from John Steinbeck's Nobel Prize Acceptance Speech
(1962)



"Literature is as old as speech. It grew out of human need for it and it has not changed except to become more needed. The skalds, the bards, the writers are not separate and exclusive. From the beginning, their functions, their duties, their responsibilities have been decreed by our species...the writer is delegated to declare and to celebrate man's proven capacity for greatness of heart and spirit - for gallantry in defeat, for courage, compassion and love. In the endless war against weakness and despair, these are the bright rally flags of hope and of emulation.
I hold that a writer who does not passionately believe in the perfectibility of man has no dedication nor any membership in literature. "


The perfectibility of man.. I like the sound of this.
Where can I get one? ;)

quarta-feira, março 28, 2007

Quoting

"What is a rebel? A man who says no."
Albert Camus - 1913 - 1960 - escritor e filósofo nascido na Argélia.
Prémio Nobel da Literatura em 1957.
"Para se compreender o pensamento e a vida de Camus, é preciso inseri-lo em seu contexto histórico, pois, sua filosofia foi fruto de uma realidade e necessidade latente do ambiente em que viveu."
Eu diria, lendo a pequena quotation que encontrei, que não é necessário enquadrá-lo por aí além ..

Quite ..

A senhora pesada e simpática, de bata branca imaculada e com uma chapinha presa na lapela ostentando orgulhosamente o logotipo “Mme. Campos” entrava em casa da avó todos os meses. Era uma tarde engraçada aquela.

Curiosa ela espreitava-lhe a mala de couro encerado e cheiroso, presa por grandes fivelas de pele e metal. Era uma mala mágica, acreditava..Só podia, por tudo o que lhe via aparecer.
Na profusão de cheiros, vernizes, cremes, boiões, frascos e algodões saltavam de repente duas rodelas de pepino que colocava cuidadosamente em cima dos olhos da avó. Aquela parte sempre lhe faria alguma confusão. A avó tinha nessa altura a cara coberta de uma massa branca, luzidia, lisa e aquelas rodelas verdes conferiam-lhe um ar muito pouco familiar.
A sessão continuava, ela a ajudar, desejosa que lhe fosse pedida a ajuda.
Abria os frascos, cheirava aqueles cheiros tão diferentes de tudo, molhava o dedo nos cremes e imitava os gestos, a cadência das massagens, a fala branda de quem embala. Ritual.
No final a avó dizia sempre “quite perfect, my dear” enquanto se mirava no grande espelho do tocador. A senhora então arrumava os seus artigos, devagar, tudo meticulosamente colocado no seu sítio desaparecia por dentro da grande mala. Ia-se a magia, ficava durante algum tempo, por vezes muito tempo, aquele cheiro inebriante de coisas para as quais ela ainda não tinha um nome .. até à próxima.
(sujeitei-me recentemente à mesmíssima tortura .. sem passes mágicos) ;)
E enquanto durou tentei sentir o “quite perfect” .. sem sucesso.

terça-feira, março 27, 2007

Undersigning

"We can easily forgive a child for being afraid of dark.
The real tragedy is when a man is afraid of light. "

Platão (428 - 347ac)
Filósofo grego, um dos três pilares da Filosofia ocidental, junto com Sócrates e Aristóteles.
Um dos maiores e mais influentes pensadores que a humanidade já conheceu.

Bem Hajam

A lenda da Santa Cruz

“ O castelo está ligado à tradição da principal celebração de Monsanto: a Festa da Santa Cruz.
Originalmente uma tradição profana ligada ao ciclo da Primavera, foi cristianizada e associada ao lendário cerco do castelo, segundo algumas versões pelas tropas do pretor Lúcio Emílio Paulo em fins do século II a.C., segundo outras a um ataque dos mouros por volta de 1230, ou até posteriormente durante as lutas com Castela.
Em qualquer hipótese, os inimigos sitiantes procuraram vencer pela fome os defensores do castelo. A tradição refere que o cerco se prolongava já por sete longos anos, quando intramuros restavam apenas uma vitela magra e um alqueire de trigo. Uma das mulheres sugeriu então um estratagema desesperado para iludir o inimigo: alimentaram a vitela com o último trigo, lançando-a com alarde por sobre os muros do castelo, na direcção dos sitiantes.
Despedaçando-se contra as rochas, do ventre da vitela espalhou-se o trigo, abundantemente. Com essa manobra, o inimigo entendeu que os defensores ainda se encontravam milagrosamente providos de alimento, protegidos pela providência divina, levantando o cerco e se retirando da região.
O episódio é atribuído a um dia 3 de Maio (dia da Santa Cruz), razão pela qual nesta data, anualmente, as mulheres do povoado se vestem com as suas melhores roupas e, ao som de adufes e canções populares, agitando marafonas (bonecas coloridas com armação em cruz), algumas com potes caiados de branco, decorados e cheios de flores à cabeça, partem da povoação em direcção ao castelo. No interior do castelo, do alto das muralhas, os potes brancos, simbolizando a vitela, são lançados em direcção ao exterior, revivendo simbolicamente o episódio da salvação da vila.”

Recordo-me de me vestir igualmente de branco, ainda sem saber porquê, de tentar tocar o adufe que a Beatriz criteriosamente nos ensinava, e com o cabelo cheio de flores, miraculosamente equilibradas partir de manhã cedo em direcção ao castelo.
Subida íngreme, muito íngreme, vista de cortar a respiração.
Lá em cima no meio do nada, entre ruínas do que outrora tinha sido o “palco da salvação” assistir comovida à missa do dia e ouvir os cantares em vozes que não voltei a escutar, som que se propaga pela planície logo abaixo e que, jura quem de lá o escuta, se consegue ouvir a quilómetros de distância.

Parte das minhas raízes que acarinho. Pedaços de História. Bem hajam ..

segunda-feira, março 26, 2007

Utopia Número Um

Receita:
Agarrar no entusiasmo, nas palmas, na felicidade, nos gritos e nos abraços, na mobilização colectiva, na paciência característica e caracterizadora das longas filas de espera, nas cores berrantes e nos berros, que vimos este sábado no estádio de Alvalade (grande estádio ;) e:

com os abraços, abraçar os idosos que “atiramos” para os lares, estes ainda assim mais "felizes" que os "atirados" à rua, quando chega aquela altura em que nada mais se pode fazer – uma sociedade que não respeita e não ouve o seu passado, não tem futuro;
com os beijos e o entusiasmo, acarinhar as nossas crianças abandonadas e a passar fome de comida, de instrução e de afectos – uma sociedade que não respeita os seus infantes, não tem igualmente, qualquer futuro;
com a paciência e a perseverança aguentar estoicamente as adversidades da vida e lutar por um país melhor, uma sociedade melhor, vestir as cores da alegria e convencer-nos que somos capazes de endireitar o cantinho à beira mar mal plantado. Acreditar de uma vez por todas que somos nós que temos de o fazer e não alguém por nós, alguém a quem possamos deitar culpas.
Pensava eu nesta utopia enquanto acompanhava o jogo Portugal – Bélgica minuto a minuto. Sorri do seu significado. Impossível de concretizar? talvez.
E no final, como toda a gente, exultei de alegria por termos conseguido.
Digno de boa nota o “no problem” que li nos lábios de Cristiano (está a crescer o menino) receptivo ao abraço do guarda redes belga que provavelmente lhe pediu desculpa pela confusão criada nas declarações (mal traduzidas? Who knows?).
Digno de má nota, péssima nota, os assobios ao Hino Belga.
De mau tom, falta de educação e falta de respeito, bem ao nível das ditas (mal traduzidas?) declarações.
Parabéns Selecção Nacional!

sexta-feira, março 23, 2007

Não sendo saudosista (Parte II)

E antes, muito antes dos canais codificados, tínhamos só dois não era? e como chegavam ! .. acompanhar os Jogos Olímpicos, por vezes sem perceber muito bem onde estavam a decorrer, achar os países distantes muito mais distantes do que são realmente, vibrar com as nossas vitórias, animação dividida com a vitória dos ingleses onde quer que participassem.
De me emocionar com a participação, pela primeira vez acho, de um atleta deficiente, e de pular de alegria, tanto que só mesmo o entusiasmo idêntico dos vizinhos não os fez vir bater-nos à porta, com o corta meta de Carlos Lopes.
E de apelidar de Misha todos os peluches do irmão mais novo.. ;) E de gritar .. valha-nos a boa garganta, Rosa Mota, Rosa Mota durante toda a "santa" Maratona!
De aprender o que queria dizer nado sincronizado ou pentatlo moderno e de rir, achando incrível como se conseguia jogar .. pólo aquático.
Transmissões em directo, sem direito ou dever a qualquer ónus, a qualquer compromisso em linhas de contrato de letra miúda .. o único compromisso era mesmo e só aguentar estoicamente noite fora com ceias preparadas pelo caminho e olhos pregados no écran.
E das conversas nos dias, semanas, meses seguintes, com a defesa de um ou outro atleta que nos encantava mais, ou a tristeza por qualquer desclassificação que achávamos, nós .. achando que sabíamos tudo, injusta!

Pronto .. eu avisei ! podem continuar a chamar-me saudosista .. :) eu não me importo e desejo-vos (ainda assim) ;) um excelente fim de semana *
Lembrete: gritar Portugal, Portugal ! e claro .. alterar a hora ;)

quinta-feira, março 22, 2007

Thought

“Do not wait for extraordinary circumstances to do good; try to use ordinary situations”

Jean Paul Richter

Não sendo saudosista ..(Parte I)

e Parte I porquê? porque esta coisa dos números redondos quando se trata da idade humana (já os gatos ...!) tem que se lhe diga .. e apetece-me escrever sobre o "dantes" ..
Haja paciência .. ;)
Portanto .. Parte I seja.
Confesso uma imensa saudade da Princesinha, Sara (a princesa) Emmergarde, Lottie e Becky as amigas inseparáveis que lhe atenuam as maldades de Miss Minchin quando soa de longe a notícia que seu pai perdera a vida na guerra e ela estava pobre. Irremediavelmente pobre!
De ler e de me emocionar até às lágrimas, por vezes tantas que tinha de por o livro de lado, com a descrição fabulosa de Frances Burnett de como a pequena princesa inventava cenários, contava histórias da Índia, iluminava as tristes águas furtadas e enchia a vida das suas amigas com sonhos e poderes quase mágicos. De exultar quando .. quase no final do livro há a esperança, a pequena esperança que tudo não tenha passado de uma partida do destino e a pequena Sara podia afinal recomeçar a sua vida, tragicamente interrompida com a notícia recebida. De dizer mentalmente “bem feita!” aquando pelas despedidas é pronunciada a frase que ainda hoje me lembro “you are not a good person Miss Minchin and your place is definitely not a home!”
Confesso saudade de rir até ás lágrimas, outras lágrimas, com os “Desastres de Sofia”, trapalhona e inocente que parecia fazer de propósito, de desejar avisá-la quando, pelas linhas de mão de outra mestra, (Condessa de Ségur) lhe antevia o próximo disparate com consequências desastrosas.
De pensar que gostaria de ser, gostaria mesmo de ser uma “Menina Exemplar” mas .. estava certa nessa altura, nunca o conseguiria.

Confesso saudade de correr para o aparelho de televisão, orgulhosamente exposto no centro da sala, ao som da música da Casa na Pradaria, ou das aventuras de Eroll Flyn (acho que cheguei, como tantas, a apaixonar-me por ele) ;), ou de me assombrar com os episódios de Tarzan .. ainda representado pelo Weissmuler sim senhor .. ! E Sandokan O Tigre da Malásia ? alguém se lembra ? ;) (aqui tenho a certeza que me apaixonei ..!)
De ler William Tell, O Conde de Monte Cristo ou o Robin Wood.
E de sonhar com mais episódios que se poderiam escrever, de povoar o meu imaginário como personagem de tanta aventura bem narrada, tanta história bem contada. E de decorar todos os diálogos com vozes diferentes e tudo dos nossos Portugueses: “Chapéus há muitos seus palermas!”

Confesso saudade sim .. principalmente quando hoje ligo a televisão, que perdeu indecentemente o lugar de centro de sala, e me deparo com um concurso difícil de explicar ao tom dos Big Brothers do nosso descontentamento, n telenovelas em línguas diferentes mas imperceptíveis de sentido, um animador pseudo-ido humorista de mau gosto ou entro numa reputada livraria e o primeiro livro exposto com direito a destaque de topo é um revisitado “Sei Lá”! só igualado por outro idêntico e notável topo das “Aventuras do Capitão Cueca!”


Chamem-me saudosista .. ;)

quarta-feira, março 21, 2007

Quem sabe .. Outras ..

LB fechou o seu "Outras Notas" .. anúncio breve de fim, deixa no ar mensagem de agradecimento a todos quantos o leram .. a todos quantos leu.
Outro percurso prometido, outro caminho .. outra direcção.
Lamento.
Habituada que estava a visitá-lo diariamente e a gostar de ler .. lamento.
Mas .. espero que esta decisão seja reconsiderada e em breve nos brinde com, quem sabe, Notas Diferentes "sobre tudo ou sobre nada, isto ou aquilo, ou sobre algo que valha a pena".
Porque isso .. valer a pena lê-lo .. valeu! Asseguro-lhe .. :)
Até breve
Um abraço

Primavera & Poesia

Porque a par dos espirros, do sol radioso, daquele morno que começa a querer aparecer, das andorinhas que voltam, do mar que fica de novo azul .. e de tudo mais que caracteriza o ínicio desta bela estação, eu gosto mesmo .. mesmo é de letras ;)
O de hoje, dedicado ao dia que também se comemora .. Mundial da Poesia
"Não chóro por nada que a vida traga ou leve.
Há porém paginas de prosa me teem feito chorar.
Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..."
E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar.
Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica.
E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro.
Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social.
Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico.
Minha patria é a lingua portuguesa.
Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente.
A palavra é completa vista e ouvida.
E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."
Texto publicado originariamente em "Descobrimento", revista de Cultura n.º 3, 1931, pp. 409-410, transcrito do "Livro do Desassossego", por Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa).
Respeitou-se a ortografia da época de Fernando Pessoa

terça-feira, março 20, 2007

Memória (II)

Naquele ano as férias iam ser diferentes.
Os pais avisaram que ficariam em Lisboa, a trabalhar.
O irmão (mais velho dos rapazes) optou pelo mesmo.
Restava ela e os dois garotos mais pequenos.
A 300 km de distância, o cenário era o mesmo. O primo não podia sair da cidade. A prima e os dois filhos pequenos iriam ficar por lá.
Surgiu a ideia, rapidamente colocada em prática.
Aluga-se uma casa na Caparica, fazem-se as malas, arrumam-se os brinquedos de praia, os benurons e os chinelos. Ela parte de Lisboa. A prima desce os tais 300 km com as crianças e passam férias todos juntos.
Uma adulta, um projecto de adulta ;) quatro crianças que tabelam as meninas pelos 4 ou 5 anos os rapazolas pelos 7 ou 8. Sem carro.
Um verdadeiro desafio. Uma delicia.
Arruma-se a casa, dispõem-se as camas, faz-se em primeiro lugar a bela da sopa, que a praia cansa, estoira, é necessário alimentarem-se bem!
Ela e a prima numa intimidade de quem há muito se considera irmã. A quem se escrevem longas cartas de desabafo e de novidade que a distância não consegue anular. A quem se confidencia o namorico que a encanta, as notas dos testes ainda de liceu.
Os garotos rapazes de brincadeira pegada todo o dia, a aproximação das idades funcionava lindamente. Eram cúmplices, malandros, práticos nas partidas diárias às raparigas, bons garfos e obedientes.
As meninas? Bom .. entre mordidelas e puxões de cabelos não passava um dia sem um choro estridente. Sem uma intervenção severa. Parecia que faziam de propósito! .. a aproximação de idades, não funcionava de todo! A mais velha de lindos olhos cândidos e cabelo de anjo tinha uma paciência demasiada para a idade e volta não vira …! A mais nova, reguila, morena, grandes olhos de azeitona arvorava um ar de quem nem sequer ali está portanto, como poderia ter sido ela a fazer?
Um desatino. Saudável.
A longa estirada a pé para a praia, carregadas de mochilas, sacos e lanches.
As brincadeiras na areia e os banhos de mar de quem nunca se cansa. Nunca se farta. Roxos de frios, dedos enrugados continuavam a pedir “só mais 2 minutos”! As compras feitas aos bochechos na mercearia da localidade, onde ao fim de dois dias já eram todos conhecidos! As boleias do padeiro, que na subida de regresso da praia se compadecia daquela gente, parava o triciclo do pão e achava, no cimo da sua boa vontade, que lá atrás caberia tudo. Hilariante.
As noites, depois de adormecidas as crianças e desde que nenhuma tivesse “escorropichado” a chávena de café às escondidas, eram o período calmo do dia.
Ela e a prima sentavam-se então à porta. E conversavam. Conversavam noite fora, que assunto, esse havia sempre.
Lembra-se ainda da sensação de olhar aquele céu estrelado, no calor morno de noite de verão, e desejar que aquelas férias não acabassem nunca.
As melhores que, por aquelas alturas, havia tido.
Não só mas também este período partilhado .. tão longe .. fortaleceu sem dúvida os laços de hoje, onde todos se riem desta aventura como se tal não tivesse sido possível.
Os rapazes adultos já continuam cúmplices e aposto que podendo, a pregar partidas .. as meninas ..melhores amigas.
Ela e a prima .. ainda a partilhar segredos que não se contam a mais ninguém .. ;)

segunda-feira, março 19, 2007

Daddy's Day

“Her hair was up in a ponytail
Her favourite dress tied with a bow.
Today was Daddy's Day at school,
And she couldn't wait to go.

But her mommy tried to tell her,
That she probably should stay home.
Why the kids might not understand,
If she went to school alone.

"My Daddy couldn't be here,
Because he lives so far away.
But I know he wishes he could be,
Since this is such a special day.”
(extracto) by Cheryl Costello-Forshey



e a mãe, lá faz de pai também neste dia .. ;) no primeiro uma almofada na cintura e um bigode desenhado .. a classe dos 4 anos a rir e a princesa a enxugar as lágrimas por entre gargalhadas!
A actividade passou, com umas massas coladas num cartão, orgulhosa do nome do Pai assim desenhado..
Anos volvidos, hoje em dia diz-me que tenho sorte .. recebo as duas prendas feitas na escola! ;).. que a do dia do Pai fá-la em casa, numa confusão de colas, fitas, molduras e fotografias, papeis de várias cores e dedicatórias em letra aprumada, para entregar sorrindo .. quando com ele estiver.
Serena.

Obrigada *

“Batismo ou Baptismo é a transliteração do grego "βαπτισμω" para o Latim, conforme se vê na Vulgata em Colossenses 2:12.
Este substantivo também se apresenta como "βαπτισμα" e "βαπτισμός", sendo derivado do verbo "βαπτίζω", o qual pode ser traduzido por "baptizar", "imergir", "banhar", "lavar", "derramar", "cobrir" ou "tingir", conforme utilizado no Novo Testamento.”


Não bastava!
Não bastava ter-se sentido completamente avó de alma e coração. Desde o anúncio da gravidez, até passo a passo ou quilo a quilo vendo a barriga crescer.. :)
Não bastava ter chorado perdida quando lhe soube o choro de vida.. ter abraçado a irmã, desejando do fundo do coração que esta nova vida que despontava, este pequeno ser que ao fim de umas horas já sorria, fosse feliz. Tão feliz como o desejava para a sua própria filha.
Não bastava acompanhar e apoiar aquela parte da sua família como se do seu ventre tivessem saído todos!
Não bastava sentir-se orgulhosa. Completa. Mãe duas vezes, Avó de corpo e alma. Pegar o seu sobrinho com a ternura com que antes, há anos, pegava na sua irmã, e outros anos mais tarde na sua própria filha. Apreender-lhe as manhas, o choro de dor versus o choro de fita. Vivê-lo, cheirá-lo, acompanhá-lo, rir e chorar.
Não bastava a enormidade de sentimentos, que por palavras escritos parecem sempre limitados demais. O cumprimento da promessa ao nascer, estou aqui, não para sempre mas enquanto estiver, para ti.
Agora .. Convidaram-na para madrinha. E ela .. chora de tola .. de felicidade e de responsabilidade. E Agradece. Do fundo do coração .. Obrigada *

PS_ se tu és madrinha mãe, eu serei “prima_madrinha” .. ;)

sexta-feira, março 16, 2007

E como ..

o blog é meu (determinante possessivo masculino singular .. como diz a princesa !) ;) também posso fazer publicidade além de digitar disparates, histórias e estórias, desabafos, opiniões, ideias, queixas .. estas só em horário de expediente como diz um querido amigo * .. certo?

Então .. aqui fica uma sugestão de passeio de fim de semana .. sítio lindo, levem s.f.f. a máquina fotográfica para as vistas e apreciem ..

de uma querida amiga http://atame-atame.blogspot.com/

Nice Week End!

Oh Mestre ..

“No fundo, tudo o que foi possível uma vez não pode voltar a ser possível, a menos que os pitagóricos tivessem razão, ao crer que sempre que se apresenta uma mesma conjugação dos astros se devem repetir sobre a terra os mesmos acontecimentos até ao mais insignificante dos pormenores de tal maneira que quando os astros atingem uma determinada posição um estóico deve fazer aliança com um epicurista, César deve ser assassinado e Colombo deve descobrir a América.
Só se a terra, no fim do quinto acto, retomasse desde o começo o seu drama e estivesse provado que o mesmo encadeamento de causas, o mesmo Deus ex machina, a mesma catástrofe voltassem com intervalos regulares, é que o homem poderia desejar que a história monumental se repetisse com uma fidelidade iconográfica, isto é, até ao mais pequeno pormenor, cada facto com a sua particularidade e a sua unicidade bem definidas. Mas isso não acontecerá, a não ser que os astrónomos se transformem em astrólogos." Nietzsche

Quem sou eu para discordar do Mestre mas .. quando leio este texto de Guerra Junqueiro (Pátria - 1896) .. pergunto-me .. salvaguardando as devidas alterações, houve alguma conjugação astral ultimamente? Então? ..

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (…)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (…)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador … (..)”

quinta-feira, março 15, 2007

Sonhos..

Arranjava-se devagar, com a lentidão própria de quem não o faz porque gosta, mas porque tem de ser.
Maquilhou-se cuidadosamente, pouco baton, alguma sombra a condizer com o blush, risco e rímel e apreciou o efeito á luz ténue do tocador.
Gostou.
A avó dissera-lhe tantas vezes que os seus olhos eram amêndoas. Da cor e do feitio. Herança da bisavó inglesa .. que tinha fugido à regra do olho azul.
Procurou o fruto .. sem encontrar. Até o brilho .. aquele faiscar. Onde estariam?
O vestido assentava-lhe como uma luva. Feito à medida e apertado duas vezes antes do dia D para desespero da Dª Mercinda, a costureira, que levava as mãos à cabeça de cada vez que ela entrava no atelier. Mas que andas tu a fazer que estás outra vez mais magra?
Nada .. agora que pensava nisso .. quando mais nova e achando-se gorda nunca conseguira perder uma grama nas dietas de contagens de calorias que fazia. Optou inclusive por retirar a balança do quarto numa negação de evidências e comprar roupa um número acima. Assim servia.
Agora estava .. hum .. uma linha. Sentia-se bem com o espaço que ocupava. Mas não vibrava com isso como seria de esperar.
As vozes, a animação e os passos para a frente e para trás elucidavam-na que as pessoas estavam a chegar, a pendurar casacos, a entrar na sala .. à espera.
Lá fora era quase noite… o Sol tendo-se já posto no horizonte, havia ainda uma luz fraca .. um raiar alaranjado no céu .. que a Lua .. cheia .. brilhante tentava apagar esquecendo-se de onde lhe vinha o luar.
Olhou pela janela. À parte dos vários carros parados à porta, a rua estava vazia. Um vizinho passeava o cão .. a padaria apagava as luzes, na esplanada estava um casal .. envolto no ar de quem acredita estar apaixonado .. de manga curta .. com este frio!
Desde quando sonhara com aquele dia? Não sabia. Mas imaginava-o diferente.
Muito diferente.
No seu imaginário o cavalo branco já deveria estar preso nas argolas do patamar .. resfolegando .. batendo os cascos impacientemente no chão. E o príncipe .. esse rapaz garboso, sincero e bonito .. deveria estar neste preciso momento a subir a escadaria .. com uma túlipa na mão .. e promessas de felicidade eterna nos olhos.
Tola!

quarta-feira, março 14, 2007

Pasme-se!

Trabalhei durante alguns anos na navegação .. Uma agência pequena, nas características ruas da nossa Lisboa, uma direcção comercial composta essencialmente por homens, vindos das grandes companhias de navegação portuguesas entretanto extintas, muito mais velhos do que eu.
Trabalho complicado, com um único programa de computador que imprimia uns autênticos lençóis de papel, os manifestos, que tinham de ser entregues em cópias imensas à agência, ao broker, ao owner, ao comandante do navio. Funcionava o tic tic tic do telex durante todo o santo dia, fitas que por vezes iam indevidamente para o lixo “isso tem de se guardar” e lá as colávamos, voltávamos a passar na máquina barulhenta para acedermos ao exacto nº de contentores que tínhamos de embarcar para Angola, para a Madeira, para o Brasil.
Não era fácil.
Não tínhamos frequentemente tempo para almoçar ou jantar, e foram muitas as vezes em que tive de me deslocar ao cais e falar com comandantes turcos, noruegueses, marroquinos, homens de “barba rija” e olhar desconfiado perante a “garota” que lhes aparecia a falar fluente uma língua conhecida e carregada de documentos que tinham de ser entregues à última da hora ou o porta contentores .. não partiria.
Quem entrasse naquela direcção pasmava! A boa disposição, a brincadeira, as bocas e os pequenos desafios eram constantes. Um dizia mata .. o outro atacava com esfola. Por vezes ríamos tão alto que aparecia o director, senhor calmo de fala mansa que optava a maioria das vezes por nos deixar trabalhar sem interferir, que entreabria a porta e levantava o sobrolho. Aí sabíamos que estávamos a abusar no barulho que se sobrepunha há muito ao tic tic do telex e à barulhenta impressora de lençóis de papel.
O ambiente era solto, descontraído, amigável. O trabalho imenso. Entre a procura do navio específico para a carga daquele cliente, ou a carga necessária para encher o porta contentores que partiria dentro de 2 horas, passavam-se os dias em contactos com o estrangeiro, nacionais, correrias e prazos apertados mas sempre cumpridos.

Ríamos muito, tratávamo-nos pelos nomes próprios, comíamos sanduíches à secretária, mas .. pasme-se! Éramos ainda assim profissionais de mão cheia .. Quem diria?
:)

terça-feira, março 13, 2007

O Anúncio .. (conto breve)

A “coisa” não ia ser fácil.
Ela sabia-o há muito e também há muito que se preparava para tal .. portanto!
Só poderia vir a correr bem.
A Avó ensinara-lhe, há muito tempo atrás, que ao contrário do que diziam certas pessoas, pensar o pior não faria nunca com que o pior acontecesse mas sim com que não acontecesse. E certo era, que por vezes, por não pensar no pior, este acontecia. E ela, aborrecida por não o ter pensado, apurava os instintos pessimistas e prometia “para a próxima não escapas!”.
Portanto, sabendo que não ia ser fácil, seria ..
O anúncio decorreu não em volta da mesa animada de uma refeição partilhada por toda a família (isso há algum tempo que já não existia, e a mesa era posta aos bochechos, só para dois, para mais dois, ou para um .. o último a aparecer num perfeito desrespeito pela sagrada hora do jantar) mas de pé, no meio da sala, com todos entretidos com as suas coisas e sem lhe prestarem atenção. A mãe tricotava, os garotos perdiam-se com os desenhos animados das 7h e o pai andava num afinco a arrumar caixotes no escritório: o seu espólio como dizia..
“Vou-me casar!” anunciou em voz sumida e apeteceu-lhe começar a andar para trás e sair da sala como se tivesse entrado a anunciar que o jantar estava na mesa, ou que a vizinha voltara a tocar à porta desta vez a pedir um pacote de leite.
O silêncio ficou ainda mais pesado, opaco, cortado apenas pelos gritinhos das personagens de banda desenhada e todos os olhos se voltaram para ela. Casar? Como? (deu graças pela pergunta que suspeitou ser um “com quem?” e sorriu. Casando!
Foram breves os meses de preparação.
Desejosa de cortar amarras, apressou-os, saltando por cima de pormenores que lhe pareciam ridículos.
Em cima da mesa de cabeceira da irmã mais nova deixou um foto sua que sabia a irmã gostar muito.
Soube mais tarde, muito mais tarde, em outra fase da sua atribulada vida, que na noite do seu casamento a irmã adormeceu a chorar agarrada à sua fotografia. Se pudesse ter antevisto tal quadro .. teria não só demorado e apreciado os ditos dos pormenores mesmo que ridículos como, eventualmente, deitado fora fotografia e moldura!

segunda-feira, março 12, 2007

Books

“Em 27 de Outubro de 2005, decorreu um leilão com umas das notas falsas de Alves dos Reis com base de licitação estimada no valor de € 6.500.”


Curioso .. e empolgante o “500 escudos falsos” (Thomas Gifford) que comecei a ler e .. quase acabei (tinhas razão M..) ;)
Além de um retrato deste pedaço da nossa história que me parece fiel .. uma excelente análise a “nós” na viragem daquele século..

A acrescentar à lista dos “para ler” .. fica a dica *

Desafios ..

Esta coisa da blogosfera (eu já tinha dito que gostava deste termo?) :) é engraçada.
Consultam-se uns blogs, começam-se a ler mais uns que outros, que isto de agradar a gregos e troianos nem "hercules" ;), seleccionam-se os de consulta diária “quase obrigatória” e assim se acompanham e comentam os posts, se lêem comentários, se toma conhecimento de outros blogs e por aí fora, que o universo é vasto, rico e seleccionável à distância de um “click” ..

Nas outras notas que consulto com frequência surgiu um desafio .. Gentil que é LB achou por bem lançar-me para a “ribalta” e desafiar-me a um verdadeiro teste de cruzes, sumariado, afecto ao número 7.
E dou por mim a pensar, ainda antes das respostas que darei, porquê o número 7 se nem Pitágoras lhe tinha atribuído maior significado que o da equação 3+4=7 .. curioso.
Se nos embrenharmos no seu significado religioso, aí o caso muda de figura: 7 é o número que representa não só a totalidade como muitos e variados totais: sete são os vícios capitais, sete são as virtudes e os dons do Espírito Santo, sete são as notas da escala e sete eram as disciplinas da antiga, muito antiga, escola Medieval.

Portanto, tentando abranger os “meus totais”, aqui vou eu responder sete vezes a: ;)
O que faço muito bem
Contar histórias
E “estórias” (vale por duas certo?)
Inventá-las
Recontá-las
Alterando por vezes dois ou três finais menos felizes
(isto conta-se à palavra ou .. ?)
Conversá-las e
Calá-las!

O que detesto
Vasto o universo daquilo que não gosto, não pratico, não apoio nem que a vaca tussa.. mas

Hesitações
Falta de carácter
Falta de humanidade
Falta de respeito
Jardins, ruas, praias, casas sujos
Vidros partidos
Pastas de dentes apertadas a meio
(posso continuar? .. )

O que me atrai no sexo oposto
Acho que penso nisto depois de me sentir atraída .. só com acesso à ficha técnica do candidato o faria antes ;)
As mãos
Os olhos
(ok .. eu paro com a parte física)
O estar
O sentir que se está
A conversa
O sentido de humor (fundamental)
O saber rir de si próprio

O que costumo dizer
(Confesso que aqui pedi a ajuda da princesa)
Estás a perceber?
(já me tentei emendar mas o certo é que termino assim muitas das minhas frases .. sei que parece idiota, claro que me percebem, falamos as mesmas línguas, mas é uma expressão minha .. penitencio-me!)
Está aqui uma história e peras..
(quando desconfio que qualquer coisa não é bem como me aparece .. )
Eu não acho isto normal!
(pronto ! eu sei .. a coisa parece mal assim escrita, mas eu dou-lhe uma determinada entoação e soa melhor)
Muito Bem!
(digo-o várias vezes ao dia .. e com a intenção daquilo que é realmente. Muito bem !)
E tu achas que .. (?)
(outro defeito – este teste Sr. LB mais parece uma confissão ;) – mas o certo é que respondo assim à maioria das perguntas .. shame on me)
Vira lá a moeda do outro lado s.f.f. !
(sem explicações .. mas já reparei que a moedinha que me “oferecem” nem sempre é tão brilhante e apelativa como me fazem crer ) ;)
Amo-te (o que não nos cansamos de repetir, sentindo .. )

UFA ! ;) .. nice week *

sexta-feira, março 09, 2007

Pedaços de uma “estória” qualquer ..

Sentada na secretária de madeira que já tinha sido do tio (contava o pai, outrora, em noites calmas, .. que quando criança o tio gostava muito de escrever .. e de pintar .. talvez por isso tantas as marcas na madeira, como que lembranças cravadas, sonhos para realizar ) tentava estudar.
Testes de literatura portuguesa e inglesa aproximam-se vertiginosamente, não tão vertiginosamente como passa o tempo sem conseguir estudar. Porque é que não a deixam em paz? Já tinha feito o jantar, enunciou mentalmente, arrumado a cozinha, deitado os irmãos mais novos, de que raio se teria esquecido para provocar aquela algazarra?
Pregado na parede, com um pionês amarelo, está um postal de Ferragudo que lhe mandou a amiga João de umas férias que, em tal sítio, só podem ser paradisíacas. Ela gostava de ter férias daquelas, em praias de areia branca, polvilhada de pequenos barcos de madeira orgulhosamente pintados em tons de vermelho e de azul e com nomes engraçados, hasteando pequenas bandeiras que ondulam ao vento.
Adivinham-se pequenas silhuetas nas rochas ao longe, rochas que se impõem às ondas, silhuetas em equilíbrio, pescadores?
Conseguia sentir o vento na cara, o cheiro a maresia, enterrava devagarinho os pés na areia branca tentando, quem sabe, desaparecer por ela abaixo. Que haveria do outro lado do mundo se se enterrasse na areia ? o silêncio, provavelmente, aí sim, no silêncio da areia conseguiria porventura .. estudar.
O postal de Ferragudo colocado naquele sítio tapava um buraco negro na parede.
Buraco feito talvez em outra vida naquele quarto para pendurar um quadro mais pesado, uma foto de família, o retrato de uma criança .. não sabia. Nem tão pouco sabia porque tinha sido retirado o que outrora ali se pendurara .. mas devia ter sido pesado!

Porta do quarto encostada, livros e dicionários em cima da secretária, cotovelos apoiados e ar alheado .. Alheada do barulho lá fora .. do “eu já te disse…!” em tom cru, da música que grita mais do que canta, dos passos que se arrastam … concentrada na praia.
Não tendo a certeza do que a esperaria no fundo da areia da praia, está convicta que para lá do buraco na parede, haverá outra casa, quiçá mais calma, sem gritos, em que todos à hora que é estejam adormecidos, sonhando talvez .. com a praia e brincadeiras de férias.

Afasta a tristeza. Sorri. Promete a si mesma que um dia mãe, tudo será diferente. Como é bom fazer planos à luz da vivência que tem. Luz que tenuamente, sabe-o, vai conseguir apagar.
Concentra-se de novo, desta vez nos livros que a esperam, imutáveis e indiferentes ao seu pensamento. Alheios ao sonho que proporcionam.
Livros que a acompanham desde que se lembra. Que lê às escondidas de lanterna acesa debaixo dos lençóis, que surripia nas estantes dos pais, alguns escritos bem acima das capacidades de entendimento dos seus 17 anos. Livros que a alimentam. Livros.
Foi neles que durante muito tempo encontrou as suas “praias de areia branca” ..
e por escrever sobre praia .. aproveitem o sol radioso, o brilho do ar .. e bom fim de semana :)

quinta-feira, março 08, 2007

Think about it ..

"O símbolo do sexo feminino é o que representa a deusa Vênus, a deusa do amor na mitologia romana, equivalente a Afrodite na mitologia grega. "
"Segundo a Bíblia, a mulher foi feita de uma costela de Adão, significando, com isso, que ela é a companheira, ou seja, está a seu lado, tal qual suas costelas. "
Whatever the belief .. e lendas e religiões à parte, não era fantástico que nunca fosse necessário o "dia de qualquercoisa" para se comemorar a vida? .. era pois ..
A todas as mulheres, homens, crianças, um bom dia .. comemorações e razões de comemoração à parte *
Cheers! ;)

quarta-feira, março 07, 2007

Past .. perfect

Nós tendemos a acreditar que aquilo de que nos recordamos realmente aconteceu e não pomos em causa e somos, em grande medida, aquilo de que nos lembramos.
E a verdade é que muitas coisas de que nos lembramos na realidade não aconteceram ou não aconteceram exactamente assim. Portanto, até certo ponto, nós próprios somos uma ficção, uma mentira”
José Eduardo Agualusa in Público

Talvez por isso o "Vendedor de Passados" .. livro que terminei .. e adorei deste escritor que conheço há muito tempo, do tempo das histórias de encantar publicadas em monofolha numa revista para pais de crianças ..
Um abraço luso aqui deste canto .. :)

Era bom ..

A propósito disto http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=782080&div_id=291
lembrei-me de um conto que a princesa adorava ouvir ainda antes de entrar para a escola.
O conto relatava o regresso às aulas, o início de um novo ano lectivo, a animação que se vivia no pátio no primeiro dia de aulas.
Os pequenos que pela primeira vez iam à escola entravam meio a medo, agarrados às saias das mães e das avós .. carregados com mochilas maiores que o seu tamanho, bem penteados, aprumados. Ficavam todos juntos no meio do pátio, protegidos pelas mesmas saias que não largavam, à espera que os viessem chamar .. de ouvir o seu nome, de voltar costas á mãe ou á irmã mais velha, ou por vezes á avó .. e seguir caminho, direitos em fila, para a sua sala.

No grupo dos mais velhos a animação era outra.
Grandes abraços .. beijinhos às meninas, perguntas sobre as férias, os aniversários, se tinham ganho aquele par de patins com que tinham sonhado todo o anterior ano lectivo, e para onde tinham ido de férias. Conversa solta de quem se conhece já, a quem se sabem defeitos e qualidades. Conversa de turmas inteiras, misturadas no pátio, olhando esguelha para os mais novos e sorrindo .. quem sabe lembrando os seus próprios receios naquele dia há anos atrás.
Os professores misturavam-se, afagavam os pequenos, conversavam com os mais velhos, frases como “estás tão crescido!” “que bonita estás este ano!” ouviam-se .. e entre sorrisos e perguntas, passava o tempo da recepção.

Um olhar mais atento, mostrava que alguns dos alunos mais velhos usavam umas faixas amarelas em redor dos braços. Coloridas, brilhantes e bem engomadas. E eram esses mesmos alunos que se aproximavam agora do grupo das “mães galinhas” que ternamente conversavam com os pintainhos assustados, que lhes mostravam a bola que traziam consigo apontando para o campo de futebol, ou lhes passavam as senhas para o almoço explicando onde era o refeitório.
Alunos que por mais velhos e mais responsáveis, se encarregavam de “gerir” as dificuldades e superar rapidamente a falta de conhecimento dos mais novos. Chamavam-lhes os “padrinhos” e as “madrinhas” e a sua função, maior que os seus 8 ou 9 anos, era promover a integração dos mais novos, de alguma forma supervisionar as brincadeiras, ajudar a encontrar locais desconhecidos, e claro, como dizia o Tomás um dos mais velhos, evitar que se metessem em confusões.

Lembro-me que a princesa depois de ouvir a história me dizia que gostaria de ter uma madrinha assim quando entrasse na escola.
Penso que .. à luz do que vem hoje a notícia, era bom que este conto irreal .. entrasse .. não só na vida dos nossos filhos, mas nas recordações dos pais que criam filhos “bullyicos”.

terça-feira, março 06, 2007

Passado .. Presente

A avó recebe hoje.
Gente da embaixada. Senhores e senhoras de pronúncia esquisita, que lhe afagam os cabelos negros e compridos e dizem “oh so cute!” .. a avó recebe hoje e ela está feliz.

Feliz porque está presente, porque usa aquele vestido com um grande laçarote nas costas, tem o cabelo bem penteado, escorrido e direito (só a avó consegue demover a força dos remoinhos na testa).
Preparam as duas o lanche, a avó cozinha como ninguém, e entre uma lambidela no açúcar dos papos de anjo e um dedo espetado no pudim de ovos, ouve-lhe as histórias, a vigésima descrição da família real pintada naquele tabuleiro, ou a história do bule de chá chinês que se tira do armário para a ocasião.
A avó recebe hoje e o momento esperado é quando juntas ao piano tocam as melodias que ela aprende de tanto ouvir.
Faz-se silêncio na sala, senhores e senhoras atentos de sorriso nos lábios, e ela solene, do alto dos seus seis anos, senta-se no pequeno banco de madeira no meio dos braços da avó e juntas tocam. Tocam de tudo. Tocam e ouvem. Sorriem e abraçam-se.

Ainda hoje não sei ler uma única nota, numa pauta.
E foi com um sentimento de estranheza .. de recordação daqueles momentos, de suspeita que poderia “runs in the family” que acedi ao pedido da princesa para substituir a actividade de natação (?) pelas aulas de piano.
E ao assistir à sua audição .. um ano depois do início das aulas, quase consegui ver os mesmos braços, o mesmo sorriso, o mesmo envolvimento em torno da minha filha, que de olhos fechados, sentada no pequeno banco de madeira, toca. Toca e sorri.

A Flauta de Ouro

"Die Zauberflöte (A flauta mágica), ópera em dois actos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto de Emanuel Schikaneder. Estreou em Viena, a 30 de Setembro de 1791.
A ópera mostra a filosofia da iluminação.
Algumas árias tornaram-se muito conhecidas, como o dueto de Papageno e Papagena, e as duas árias da Rainha da Noite. A ideia de igualdade da Revolução Francesa transparece na ópera quando, questionado se Tamino, sendo um príncipe, suportaria as duras provas exigidas para entrar no templo, Sarastro responde que ele é "mais que um príncipe, é uma pessoa".

Noções revolucionárias à parte, temos de novo o nosso TIL em grande e fabulosa actuação (à semelhança do que já havia sido conseguido com Camões, O Príncipe dos Poetas) ..
Parabéns !
Mãe e Princesa nãopamina .. adorámos!

Mais que uma história para ser vista com “olhos de criança”, uma verdadeira fábula acompanhada pela inigualável música do Génio!

segunda-feira, março 05, 2007

Depois da festa :)

Inauguraram a casa nova .. o novo “ninho” como gostam de lhe chamar quais pássaros em busca de poiso. O Lar.

Mãe e filha trabalharam "arduamente" na decoração, escolhendo criteriosamente as peças que melhor ficam com o bordeaux daquela parede, o cesto das revistas e a cadeira de baloiço (velha mania .. agora concretizada) as molduras para as fotos a preto e branco (outra mania ..), o tapete felpudo e o outro mais garrido para o quarto da princesa, colchas e cortinados a condizer com, almofadas .. ar de conforto, prático mas bonito, por todo o lado. E o gozo que lhes deu? indescritível .. :)
Pratos? Mãe .. temos pratos para todos? nops .. mais compras, uns copos do mesmo serviço, tabuleiros de queijos, facas bonitas e guardanapos a condizer com a toalha. “Estou desejosa por 6ª feira” .. dizia a pequena ao longo da semana .. e 6ª feira chegou mais cedo que o normal.
Os amigos curiosos começaram a chegar, desejosos de ver afinal que fizeram e quais serão as diferenças ou semelhanças, desejosos de partilhar o momento mais por saberem que é importante para ela. Acima de tudo por saberem que a mudança de "casa" não foi só uma mudança de casa.
Ela sabia-o e agradeceu-lhes a presença, as flores, o estarem ali até os elogios à boa comida, fruto de um excelente catering ;) (afinal que fizeste tu perguntavam em tom de provocação ..) Nada ! todos sabem que é uma “nulidade” na cozinha por encomenda ..

Afiançaram-lhe que gostavam mais desta, do ar cosy, da intimidade, da decoração... (estranho seria se lhe dissessem o contrário não era ?) e ela contente, feliz, assegurou os copos cheios e que não faltasse café, se já tinham repetido a sobremesa .. se estavam bem.

Durou. Noite fora. Uns foram saindo, outros ficando .. conversa solta, pontos em comum outros nem por isso .. afinal são seus amigos .. algo em comum têm todos certamente.
Tarde, muito tarde, e já sozinha agradeceu intimamente a todos quantos estiveram, lamentou os que não puderam estar, e pensou na frase da noite “esta casa é a tua cara!” .. engraçado como conseguiu realmente transmitir a sua "cara", o seu gosto, a peças soltas, sofás inclinados, tapetes no chão, velas a arder e candeeiros :)

Que o seja .. por muito tempo, e que ainda lhe vejam as rugas (que a avaliar pela hora a que se deitou não tarda estão bem mais vincadas!) ;)

PS_ é favor voltarem todos no próximo week end para ajudarem a arrumar a palha no ninho!

Nice week *

sexta-feira, março 02, 2007

"Cresci"

“Cresci
e fiquei pequena.
Empresto-me
ao futuro
vivendo do passado,
num presente
sem vento.
Calmo é o dia
que nasce
em meus olhos,
despontando
em breves
e tímidos raios de Luz
... e nas migalhas
caídas em feixes
encandeantes
procuro
um incentivo
para "um amanhã"“

20 de Janeiro de 1984 - GP
"Porque Sim - Poesia a doze" Editorial Minerva

Pequena homenagem minha (ousada eu ..) a uma senhora que assim escreve e com quem tenho o grato prazer de poder conviver.

Uma senhora de fala mansa, de bom senso e bom gosto .. com um intocável saber estar .. saber dizer.
Uma senhora que escuta mais do que fala e que na escuta, muitas vezes, me conforta e me guia .. e me ouve.
Obrigada.
Para si este hoje .. inteiro como a amizade que lhe tenho.

quinta-feira, março 01, 2007

Memória

Há alguns blogs que consulto diariamente e um deles é o Corta Fitas (cortes, aqui mais à direita) :) .. ontem, leitura feita, deparo-me com um post (e reacções .. credo .. tantas reacções .. ) sobre a utilização do termo criadas.

Não vou defender a sua ou não utilização mas o certo é que aquela leitura me levou à minha infância e adolescência, ao meu lar com irmãos e pais .. e outras pessoas que connosco viviam e eram como se de família se tratasse (criadas?).
Não as tratávamos assim. Tinham obviamente um nome, um apelido, uma família que todos conhecíamos.
No Norte por exemplo sempre que chegávamos tarde e a más horas (a viagem levava qualquer coisa como 8h .. não, ainda não havia auto estrada) tínhamos a Beatriz à nossa espera, faces rosadas do tempo ao fogão a lenha, avental azul escuro que cheirava a fresco - cheiro que ainda hoje recordo, candeia na mão parada à porta à espera dos meninos.
E os meninos éramos nós todos.
O Pai, a Mãe, os irmãos .. acho até que o avô ainda havia sido tratado assim.
A Beatriz vibrava com as nossas chegadas, mimava-nos com as melhores papas de milho do mundo que fumegavam em cima da mesa de madeira da cozinha, fazia as nossas sopas favoritas, levava-nos ao Castelo e à fonte, aquecia a água para os banhos, abraçava-nos apertados no seu colo quando chorávamos com medo das trovoadas e dos relâmpagos enquanto desfiava a ladainha a Santa Bárbara, ela própria cheia de medo também. A Beatriz desculpava-nos perante os pais por qualquer traquinice mais afoita, permitia-nos a entrada naqueles quartos cheios de relíquias antigas que não eram utilizados, abria os grandes baús cheios de recordações e para todas as peças tinha uma história e um nome. A Beatriz ensinava-nos a fazer bonecas de pano e a tocar o adufe.
Contava-nos histórias da terra, e da família, as traquinices do Pai e do Tio que não achávamos possível tivessem cometido. A Beatriz era a Bea, para quem corríamos os quatro à chegada, tentando passar uns à frente dos outros na expectativa do abraço mais apertado, do beijo mais repenicado.

Nunca pensei no que Beatriz perdeu na vida por ser “nossa”.
E por ser para nós.
Mas .. vivi a minha infância com a sensação de que ela era feliz. Nós, tenho a certeza que o éramos com ela.