sexta-feira, dezembro 14, 2007

Balanço .. razão .. deve e haver ;)

Este ano ..
Comecei por festejar a entrada em 2007 com a família, sobrinho afilhado ao colo, filha mimada pendurada na outra perna :) e fiz votos, fiz mesmo e com muita “força”, mesmo não conseguindo engolir as dozes passas ao som das doze badaladas (lembrem-me de comprar passas miniatura este ano s.f.f.), votos que tudo corresse bem, que o pipoca crescesse feliz, sem mazelas e com aquele sorriso que se adivinhava na altura teria – um sorriso aberto, dentinhos a espreitar e um olhos que sorriem também.
Desejei ainda que fosse um bom ano para o outro sobrinho, o meu querido british boy de quem tenho tantas saudades, que por estar longe não posso abraçar sempre que quero e por isso me torno um tia “chata” (risos) quando juntos estamos, tendo como resposta um hilariante “no kiss Tia i’m a boy ..!” .. Voltei à lista de desejos para pedir ainda que a princesa do reino continuasse a crescer feliz, segura, aprendendo e brincando sempre e muito .. E que eu e todos os que me rodeiam e que amo tivessem a saúde necessária para as alegrias, as chatices, a felicidade e aquele, por vezes, desânimo que a vida, em certos dias, se encarrega de nos oferecer.

Mudámos definitivamente de casa, voltámos ao local de “raiz” da mummy, gostamos muito do novo ninho (finalmente pronto!) e do bairro, e dos vizinhos (bom, nem todos que há uma personagenzita irritante lá pelo prédio mas ..) ;). Gozámos férias, felizmente com a família “quase” toda reunida, três mulheres e três crianças com todas as peripécias próprias de quem tem um twingo para transportar seis pessoas para a praia .. :)

.. Emocionei-me a valer ao ver a minha filha pisar um palco oficial pela primeira vez, admirei-lhe a técnica, o brilho, a persistência, o cansaço escondido de quem quer mais, tem de dar mais, porque sim .. Amparei-lhe a desilusão ao não ser seleccionada para algo que queria muito, a sua primeira desilusão “profissional” e escondi as minhas próprias lágrimas quando a ouvi entre lágrimas afirmar “para o ano, tento de novo!”.
A mudança de casa obrigou à mudança de escola, medos e temores agora controlados, e um “eu quero a minha escola antiga, com meninos do meu tamanho” numa agonia que começou por me preocupar até me aperceber que temos, temos sempre na vida, que dar ao tempo o tempo necessário para .. Hoje menina "quase" segura de novo, a correr porta fora do carro, num “até logo mummy” sorridente .. Obrigada Miss Paciência .. ;)
Continuei durante todo o ano a digitar no azul da blogosfera as letrinhas que dantes escrevia no branco do papel.. Surpreendi-me a valer com as leituras e interpretações do meus textos, memórias, raízes, pedaços de estórias e de histórias, e ri e chorei, emocionei-me e reagi veementemente com outras tantas coisas que li, que interpretei .. É rico este universo. Assim haja tempo ..
Fiz planos, grandes e pequenos, alterei alguns, pus outros de lado, reformulei outros tantos, acreditei e desacreditei, mas o engraçado da questão é que isto já não acontece à velocidade luz como quando tinha 30 anos .. ;)
Hoje sei, confio e acredito que 2008 será um ano de outras mudanças.
Mudanças nas quais, durante alguns anos, deixei de acreditar remetendo-me ao confortável sofá de quem querendo e desejando, prefere, prudentemente, deixar passar ..
Assim haja sorte .. E saibamos aproveitá-la ;) e .. Não é a vida feita de mudança ? .. por vezes temos somente de a acolher e aceitar, vivendo-a .. E deixando-a surpreender-nos.

Estaremos por aqui todos em 2008? No one knows .. Mas sei que vos desejo um excelente ano com tudo o que desejarem a vós mesmos *
.. Sejam felizes *

quarta-feira, dezembro 05, 2007

quinta-feira, novembro 29, 2007

See you .. :)

.. por aqui vamos certamente continuar a crescer .. com mais ou menos episódios hilariantes ou sofridos ou de lágrima no canto do olho que somos mesmo “mariquiti” como diz a mummy ..
Continuaremos sem dúvida com a vizinha do lado utmost da cusquice e as suas investidas mais ou menos inoportunas que nos provocam barrigadas de riso que temos de conter .. isto se entretanto não nos mudarmos outra vez .. ;) .. a mummy continuará provavelmente a encher os seus caderninhos de vida .. com episódios de vida e muitas memórias da outra vida .. aquela que vai ficando para trás.

Ter-vos a todos, sem excepção, como leitores foi uma “conquista” que não esperava conseguir quando há quase um ano decidi substituir o branco das folhas de papel pelo azul da blogosfera.

Mas .. plagiando a minha querida amiga sine .. “aproximam-se tempos sem tempo” .. não há como negá-lo ou esconder-lhe as evidências.
E o tempo, meus caros, é um bem por demais precioso para fazermos de conta que de tudo conseguimos dar conta.

Voltarei .. só não consigo escrever hoje, o quando :)

Um abraço a todos e o meu bem-haja *

quarta-feira, novembro 28, 2007

Teaching .. :)

“avó .. ensinas-me?” .. e a avó cheia de paciência e de sorriso nos lábios, punha de lado o que estava a fazer, pegava-lhe nas mãos pequenas e rechonchudas e ensinava-a.
Ensinava-a a pintar a paisagem que se via da janela da sala que dava para o terraço. Uma paisagem que ora era verde e amarela, perlada de flores coloridas, grandes tufos verdes bem podados á beira do muro e roseiras com rosas vermelho sangue que pareciam dançar na brisa suave, ora era castanha, as pequenas árvores de galhos secos e nús e a terra mais escura das chuvas.
Ensinava-a, ainda com mais paciência, a segurar a agulha e a linha e o botão e o tecido .. “mas avó não consigo, só tenho duas mãos” .. e não podes usar todos os dedos ria-se a avó verificando que o botão estava em riscos de ser cosido na pele fina da mão, tal o empenho e a concentração que ela colocava na aprendizagem.
Ensinava-a a colocar talheres, de peixe, de carne, a colher da sopa, o guardanapo e o copo, para que serve tanta coisa, perguntava a sua cabecinha de menina curiosa e pequena, optando por colocar tudo como via fazer.
Ensinava-lhe as notas da escala musical, de ouvido claro, e a posição dos dedos no piano, dedos que de rechonchudo passaram a finos, em mãos esguias e unhas pequenas mas perfeitas, como as da avó.
Ensinava-a a apertar o avental, bem esticado, direito e limpo antes de iniciar uma qualquer experiência culinária entre temperos, doses e medidas, tudo a olho que não havia por onde medir que não fosse de experiência feito.
Ensinava-a a falar, a pronunciar palavras complicadas que procuravam as duas no Léxico Universal numa altura em que ninguém sabia ainda o que era um computador, motor de busca ou Internet. As buscas, na altura chamadas pesquisas, eram feitas com o pesado livro em cima das pernas tapadas por uma manta quentinha, candeeiro aceso e lápis na mão.
E assim ela descobria o significado de vociferar ou onde ficavam as ilhas Andaman.

A avó ensinava a descobrir.
Ensinava-lhe a paciência para procurar o detalhe.
A importância de um pequeno detalhe sem o qual “you may well ruin everything dear” ..
She might.
But she didn’t.

terça-feira, novembro 27, 2007

Crescendo (XV)

Mummy hoje fiz uma boa acção mas custou-me um euro!
Dou uma gargalhada e ponho o meu ar interrogativo para que continue ..
.. Há um menino na turma, o Nuno, que é como eu .. começa ela .. como tu? Como assim?
Assim mummy .. meio “mariquiti” como tu dizes .. risos .. ah .. chora fácil é? E tem aqueles medos que tu tinhas é isso? Que eu tinha e que às vezes ainda tenho mummy mas agora já não choro né? .. sim .. sim .. continua.
Bom .. hoje quando entrámos na sala de Português, a professora estava atrasada e ficámos um tempo sozinhos e eu vi que ele estava a chorar. Perguntei imensas vezes o que é que ele tinha e ele não queria dizer. Até pensei que tinha feito qualquer coisa nas calças .. é que há um outro menino numa outra turma que tem um problema e os colegas gozam com ele e .. Stop .. continua lá a história da boa acção! Ok .. então ao fim de uma eternidade (sic) .. (mais risos) ele contou que se tinha esquecido do dinheiro para a senha do almoço do dia seguinte e que a mãe já o tinha avisado que se tal voltasse a acontecer ficaria sem almoçar porque ela não estava para estar sempre a pagar multas da compra da senha no próprio dia. Sabes mummy (tudo de seguida .. ) eu até estranhei porque a multa são vinte cêntimos e eu nem quero acreditar que aquela mãe prefira que o filho não almoce para poupar vinte cêntimos, achas bem mummy? Farias isso também se eu me esquecesse do dinheiro para comprar a senha do almoço? .. Talvez rio-me perante o ar indignado da princesa lá de casa. Bom .. e então que fizeste tu? perguntei adivinhando o desfecho que lhe custou ao fim e ao cabo duas senhas de almoço (ainda a rir) ..
.. Ora, quando comprei a minha comprei uma para ele. Depois fui à procura dele e tive de dar a volta toda à escola porque não o encontrava em lado nenhum e até achei que se tinha fechado na casa de banho dos rapazes a chorar .. e na casa de banho dos rapazes eu não posso entrar obviamente (outro sic .. ), mas não, estava encostado a uma das colunas ainda a chorar! Bolas .. eu quando chorava era por coisas mais complicadas não era mummy? Sim sim .. do tipo os outros meninos são muito grandes e chamam-me formiga e mandam-me embora .. canto eu com voz de falsete .. ela ri-se .. do ridículo do que a fez chorar e da minha voz, aposto !
Bom .. lá encontrei o Nuno e entreguei-lhe a senha. Se visses como ele ficou mummy .. todo contente, deu-me um abraço e passou a tarde a dizer-me obrigado. Muito bem ! Que ele não faça disso um hábito atiro eu à laia de aviso .. Mas sabes mummy, o pior foi que quando eu quis a minha tosta mista já não tinha dinheiro para a comprar .. !
Outra gargalhada .. !

segunda-feira, novembro 26, 2007

Sem tempo ..


para .. :) o que convenhamos logo no inicio de uma semana é .. (aceitam-se sugestões .. risos)


sexta-feira, novembro 23, 2007

Pedaços de uma história qualquer .. (III)

.. o tempo estava gélido, um frio de cortar os lábios que se esforça por manter húmidos, piorando a situação .. não estava muito bem agasalhada, pensou, tenho de comprar um casaco daqueles .. e sorriu. Como poderia?
O caminho a pé era imenso. Olhava os carros que passavam por si em marcha lenta, no trânsito insuportável das 18h30, observando as pessoas encasacadas no quente da viatura e pensava de si para si “tenho de tirar a carta.. se não este Inverno, quem sabe para o próximo” .. sorrindo de novo. Ao entrar no bairro admirou-se do presépio já feito com honras de centro de rotunda. Era um presépio simples, apenas três figuras, um menino de barro envolto num pano branco que arrepiava do frio que se sentia. Figuras de Pai e Mãe ladeavam a criança, num ar amoroso que a inclinação dos corpos dava a entender. Não havia manjedoura, nem animais com bafos quentes a fazerem nuvens no ar, e muito menos reis magos ou sem magia carregados de prendas para ofertar. Não haveria prendas neste Natal, pensou sem mágoa. As finanças não o permitiam, continuando a andar em passo apressado, apertando mais o casaco ao peito numa rajada gelada e repentina. Há coisas piores .. há certamente vidas piores, martelavam os passos na calçada, a par do barulho do seu estômago vazio, barulho que a incomodava, tenho obrigatoriamente que passar no sapateiro .. esta bota. A loja dos trezentos do Senhor Manuel estava cheia de gente. Gente como ela agarrada a um casaco fraco que não protegia. Pensou que se calhar não era má ideia passar por lá, talvez houvesse uma lembrança engraçada que pudesse comprar para a irmã ou para a mãe. A padaria da Dª Emília, um pouco mais abaixo na mesma rua, igualmente cheia. Como os entendia, sorriu de novo, aquele cheiro a pão quente e estaladiço quase a agoniava tal a fome que tinha.
Entrou na quietude do pequeno apartamento, modestamente mobilado, e acendeu a vela. A luz estava cortada pela companhia que não se compadecia com atrasos .. finanças, pensou ao passar na fruteira e retirar a única maçã com ar de roída.
Dez horas de trabalho em cima e ainda um texto de cento e quarenta e cinco páginas para dactilografar, rever e entregar dois dias depois. Tem de ser, pensou enquanto ajeitava uma manta gasta nas pernas que gelavam. Vai fazer-me jeito este dinheiro para a conta da luz.
Não deu pelo apagar da vela que cansada, de pavio gasto e quase sem cera tombava pingo a pingo em cima da pilha de papeis limpos, escritos e revistos, que terá terminado lá pelas três da madrugada.
Triste surpresa a acolheria quando acordasse.
.. se acordasse.


(talvez continue .. ou não. Talvez o objectivo seja tão só escrever sobre algo ao qual não consigo ser indiferente. A passividade alheia perante a miséria vizinha.)

quinta-feira, novembro 22, 2007

Dicas (I)

Ladra Alternativa
24 de Novembro – 09h – 21h00
25 de Novembro – 10h – 19h00

A 10ª edição da Ladralternativa é inspirada no espírito natalício e, acima de tudo, baseada na originalidade do trabalho dos criativos portugueses.
Entre artigos de decoração, acessórios de moda, cerâmica, roupa, joalharia, fotografia e pintura, encontram-se peças verdadeiramente únicas e presentes originais para o Natal.
A instituição Ajuda de Mãe - uma associação que apoia mulheres durante a gravidez - é a convidada especial do evento. Os visitantes podem contribuir levando leite de primeira infância, fraldas ou produtos de higiene.

Informações Úteis:
Entrada livre
ladralternativa@gmail.com

Centro Cultural Dr. Magalhães Lima
Endereço:
Rua do Salvador, 2 A, 1100-465 Lisboa
Tel. 218 875 838
Vamos ver que andam a fazer os "nossos" criativos? .. e de caminho aproveitamos e ofertamos umas lembranças a quem mais precisa ? .. "bora" .. como diz a princesa lá de casa .. termo pouco dignificativo da condição real mas .. ;)
Divirtam-se ! *

quarta-feira, novembro 21, 2007

Real insanity ..

A Companhia de Jesus (em latim, Societas Iesu, abreviadamente S. J.), cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola (Santo Inácio de Loyola).
É hoje conhecida principalmente por seu trabalho missionário e educacional.

Infelizmente não é por isto que é hoje conhecida.

Alguém mais próximo que faça o favor de lhes passar a informação do que é suposto manifestarem, advogarem, incutirem .. á luz do que recentemente é notícia acredito que se terão esquecido ..

terça-feira, novembro 20, 2007

Virtual insanity ..

..”você incomoda-me minha cara ..” e segue-se uma lenga-lenga semi-filantropa, pautada por uma ou outra bajulice à escrita, muitos desvarios and so on ..

Caro comentador anónimo, que gentil e anonimamente (se tivesse tempo ainda descobria como isso se faz .. mas não tenho) me enviou um email com este início de conversa a que no círculo dos meus amigos eu chamo de “chacha” ..
Passando por cima (literalmente falando) do mal empregue determinante possessivo, faça um favor a si mesmo e leia aqui este post que escrevi há uns tempos a propósito de uma iniciativa em tudo idêntica à sua .. ah .. julgava-se único? .. lamento .. ;)

Volta não vira acontece isto.
Pelo que leio em outros blogs onde se publica mensagem idêntica para ninguém em especial e para todos ao mesmo tempo, com a inerente injustiça feita a quem não tem nada a ver com o assunto, parece que a coisa é recorrente aqui na “blogo” .. porque será?
.. fruto de troca de comentários escritos, protegidos por um écran de computador, em vez de troca de olhares, expressões, esgares, entoações e manias? talvez ..
.. frustrações em cima da mesa a par e passo com o rato, o tapete e as teclas enter, esc .. back, back, back .. ? também acredito.
.. curiosidade quase mórbida, tentativa de chamar a atenção de alguma forma, ou simplesmente o não ter rigorosamente mais nada que fazer ? .. hum ..
Invejas? como me dizia alguém há uns tempos .. mas inveja de quê for Christ?

Não é que me incomode por aí além.
Se assim fosse não teria tornado visível o meu endereço de email, e provavelmente não publicaria a mensagem referida ou esta. Passaria simplesmente por cima, tipo tractor ou enfardadeira .. mas aproveito também a coisa que de divertida tem 0 para sugerir um conselho .. Get a life mate! A real one! ;)

segunda-feira, novembro 19, 2007

Sweet Week End .. :)

Segredinhos, conversas sussurradas e galhofas .. muitos shiuuuuu e risinhos que interrompem frases, piscadelas de olho e trejeitos de menina grande .. “só mais um bocadinho ..” “são só cinco minutos mummy ..” são frases recorrentes quando chamo para jantar, para o banho ou para finalmente e a custo porem ordem no quarto que parece um acampamento de ciganitas sem galinhas à solta .. corridas em bicos de pés, esconde esconde atrás do sofá da sala ou no canto da cozinha onde me esqueci de espreitar .. “Vou lá abaixo beber café princesas ..” “nós ficamos mummy ..” .. risos .. mais risinhos .. saudável .. trocas de roupa, “temos de ir de igual”, camisola verde e saia a condizer .. “tenho collants laranja” ? “e posso calçar botas iguais”? .. gargalhada minha que de repente tenho duas filhas .. e gémeas ainda por cima .. !
Comem bem, ajudam, brincam e divertem-se .. sem esforço .. inventam de grande como só as crianças sabem fazer. “Que idade teríamos se andássemos no 10º ano”? .. e lá arranjam as sacolas, que nessa altura já não usarão mochilas pesadas, dossier numa mão e telemóvel na outra, numa perfeita (até eu me espanto ..!) assumpção de idade que ainda não têm ..!

São a princesa e a melhor amiga em casa de fim-de-semana *
Numa cumplicidade salutar de ver, assistir, aproveitar .. um tempo partilhado assim que ficará na memória .. memória que eu não tenho, mas que vivo .. com elas :)

Obrigada meninas *

sexta-feira, novembro 16, 2007

Porque sim ..

Porque gosto de amarelo claro .. e de castanho .. e de esverdeado .. e de todas as cores deste Outono que parece afinal chegou de repente ..

Porque me apetece mudar .. que não seja o penteado ou a maneira de vestir ou de ser .. (valha-nos isso!) .. e porque não estando na silly season é tanto o silly que não tarda .. ;)

Bom fim-de-semana *

Can we save them ..


"A criança desperta-me dois sentimentos:
ternura pelo que ela é e respeito pelo que poderá vir a ser."
Louis de Pasteur

Em 20 de Novembro de 1959, a ONU fez a Declaração dos Direitos da Criança, com 10 artigos:
1- A criança deve ter condições para se desenvolver física, mental, moral, espiritual e socialmente, com liberdade e dignidade.
2- A criança tem direito a um nome e uma nacionalidade, desde o seu nascimento.
3- A criança tem direito à alimentação, lazer, morada e serviços médicos adequados.
4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de segurança..
5- A criança prejudicada física ou mentalmente deve receber tratamento, educação e cuidados especiais.
6- A criança tem direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.
7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber protecção e socorro.
8- A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono e exploração. Não deverá trabalhar antes de uma idade adequada.
9- As crianças devem ser protegidas contra prática de discriminação racial, religiosa, ou de qualquer índole.
10- A criança deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade, fraternidade e paz entre os povos.
Já leram ? tudo ? e assimilaram? .. creio que sim.
Então agora expliquem-me, se puderem, como é que temos à frente de um centro de acolhimento a crianças desfavorecidas, abandonadas, órfãs, e ainda assim vítimas de abusos por quem é pago por zelar pelo seu crescimento feliz, pelo seu desenvolvimento, por lhes minimizar a sua condição, o tipo de pessoas que foram entrevistadas pela nossa persistente Judite?

O melhor “grito de alerta” que li até agora, num português que toda a gente entende.
Até a personagem que de “madeira” deve inclusive ter os neurónios.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Crescendo (XIV)

.. ou apreciando o crescer .. :)

.. vamos ter mais um menino na nossa turma mummy .. e eu hoje fiquei aflita porque achei que para um entrar .. alguém tinha de sair.
Sorrio.
Não fosse ela filha de quem é .. cenários e extrapolações, conclusões algo precipitadas e o filme logo todo à frente .. muito à frente .. ás vezes tão à frente que se tropeça numa “impossibilidade” deitando a estrutura bem montada pelo cano .. ;)
Ninguém tem de sair, assegurou a fantástica DT (para quem, como eu, não sabe a sigla significa Directora de Turma), e quero-vos atentos e pacientes, recomenda.
Atentos porque é a 2ª mudança de turma do referido garoto. Comportamento beyond any limit, incompatibilidades com quase todos os colegas, passando á velocidade luz da agressão verbal à física .. um desassossego permanente com a cadeira a dançar na sala e bolas de papel que primam pela pontaria certeira à cabeça seja de quem for ..
Pacientes porque o menino acabou de perder os pais num acidente de viação há pouco tempo atrás. Uma família desfeita. Estrutura pelo cano. Realidade dolorosa. Entregue aos avós, bastante idosos, que fazem o que podem. E o que podem é muito pouco perante a revolta, a dor, a tristeza de um garoto de 11 anos que de repente se vê .. sozinho no mundo. Contra o mundo.
Consigo perceber a decisão em fazê-lo rodar directamente para a melhor turma da escola. Consigo perceber que o que se espera é que estes garotos sossegados, estudiosos, brincalhões mas respeitadores e unidos (já unidos ao fim de dois meses de aulas) consigam com a sua latente infantilidade e responsabilidade voltar a puxá-lo para o seu meio, apoiando-o e penalizando-o como só as crianças sabem fazer..

Esta situação tem duas semanas. Ontem perguntei á minha mais que tudo como estavam a correr as coisas com o novo membro da turma. Levanta os olhos ao céu num ar de pura paciência levada ao extremo e responde-me cheia de detalhes sobre a forma miraculosa como o caixote de lixo da sala de Área de Projecto apareceu no beiral da janela, e como a cartolina branca imaculada da Carolina apareceu carregada de impressões digitais negras, e como apareceu cheio de bostik o cadeado do cacifo do Manuel, e como se fura, implacavelmente à custa de pisadelas e encontrões, a fila do refeitório para atestar o tabuleiro deixando depois toda a comida no prato e petiscando um yogurte e uma fruta.
Chega! digo-lhe à beira do riso .. e ela continua ..
Mas sabes mummy .. hoje quando fui á papelaria que fica do lado de fora da escola, ele, quando me viu no portão, perguntou-me onde íamos. E eu disse-lhe.
Sabes o que fez? .. tinha uma leve suspeita, mas deixei-a falar.
Acompanhou-nos mummy. Dizendo-nos com aquele ar de gozo que somos muito pequenas para ir pelo passeio sozinhas e que podia acontecer alguma coisa.
Acompanhou-nos, não nos pediu nada e ficou á nossa espera para voltarmos á escola.

.. que as duas recentes estrelas que vejo brilhar á noite no céu possam começar a piscar ..

Boa sorte menino que homem terás de ser .. um pouco mais depressa *

quarta-feira, novembro 14, 2007

Thanks, but no thanks..

Depois do que escrevi aqui, tenho acompanhado com muita curiosidade os posts de Pedro Correia aqui sobre os ditadores que vamos acolher na cidade capital.
Confesso a existência de algum desconhecimento da minha parte sobre as nuances de todos estes governos .. os menos mediáticos talvez .. Aprendi com o Pedro Correia e a sua “coragem” na denúncia que são vários .. são muitos .. são demasiados.
Mas acredito que haja algures lugar para todos eles.
Que mais não seja dentro de um saco de lixo bem fechado.

Lamentável a postura da nossa "bandeira" ..

Vasculhando o Baú .. (V)

E depois vem o vento
E o vento traz a chuva
E a chuva tempestade
As árvores enormes balançam
Como que em danças de salão
Ouve-se um ramo partir
Uma raiz a gemer
Como que a deixar ir
Quem a fez crescer

E depois vem um grito
Do fundo da escuridão
Pés pesados
Portas a bater
E a garota assustada
Puxa os lençóis para a cara
E pensa: é um sonho, aquilo que estou a viver.

E de sonho passa a vida
Atenta, serena e calma
E a garota assustada
Mulher crescida
Formada
Promete que enquanto viver
Não deixará cair
As raízes que vê crescer


Escrito em 1987. Porque sim.

terça-feira, novembro 13, 2007

Hope not ..

Depois de ler esta notícia, que notícia foi há alguns anos, pergunto-me de novo, tal como na altura .. são estes ignóbeis – porque quem assim se dedica a passar o tempo não passa de um ignóbil .. e é bom que seja psiquiatricamente instável também para haver alguma atenuante pela “performance” .. mas perguntava, são estes os ignóbeis que gastam mais numa noite de bebedeira que um pai de família recebe numa semana de trabalho, que conduzem os carros que vejo parados à frente das universidades aqui da zona, que se dedicam a enxovalhar, humilhar, maltratar e chegam a atentar contra a vida dos próprios colegas naquilo a que vulgo se chama de “praxe”, os mesmos que engordam as manifestações para proclamar contra o ensino deficiente, a ausência dos professores ou o valor de propinas a pagar?

Espero que não ..
Espero que estes sejam só uma imbecil e mentecapta minoria.
E espero que não seja a esta minoria que estamos, alegremente cantando e rindo, a entregar os destinos de um país onde os nossos netos viverão.
E ainda espero que sejam punidos.
Exemplarmente punidos.

segunda-feira, novembro 12, 2007

..magic days

.. era um tempo mágico .. as primeiras semanas do mês de Novembro eram tempos mágicos ..
Da despensa da avó saíam como que por milagre uma série de pequenas cestas de verga.
Cestas com um cheio característico. O cheiro do Natal.
E todos os anos, por esta altura, ela esforçava-se por decifrar de onde vinha aquele brilho, aquela .. neve (?) assim que as cestas eram colocadas no chão da cozinha.
Convenientemente embrulhadas as pequenas figuras de gesso, pintadas à mão, preparavam-se para tomar os seus lugares no presépio forrado a musgo apanhado no jardim da casa da avó. Um presépio decorado com pinhas, folhas amarelas secas dentro dos livros, uma prata amachucada e depois alisada que fazia de rio, pequenas ovelhas, pastores, meninos e meninas de prendas na mão, os Reis Magos, camelos e vacas e burros .. e a “casa” do Menino Jesus.
Era com um cuidado ensinado e quase de respiração suspensa que se desembrulhava a pequena manjedoura, o Menino e seus Pais, aquela vaca e aquele burro que tinham honras de com o seu bafo quente aquecerem a figura do pequeno bebé envolto num pano branco. Era um fim-de-semana de alegria antecipada, a decoração da casa levava um dia inteiro, com estrelas brilhantes feitas de papel e fitas de todas as cores a pender das portas. Na entrada principal uma grande coroa feita por ela com a ajuda da avó em pequenas e delicadas folhas verdes, pintalgada de vermelho e branco, dava as Boas Festas aos visitantes. A vela acendia-se perto do presépio e assim ficava até à noite do dia 24 de Dezembro por altura do nascimento do Menino.
Não havia Pai Natal .. a expressão era-lhe então desconhecida. As compras eram feitas em conjunto, grandes sacos e papel de embrulho para que em casa, uns fim-de-semana antes do grande dia, serem todas embrulhadas com etiquetas personalizadas. Os desenhos no papel pardo de sua autoria e a avó comprava grandes rolos de ráfia para fazer laços e prender os embrulhos cuidadosamente. Avolumavam-se junto à árvore de Natal e ela sabia de cor para quem era cada um deles.
Eram tempos diferentes, sem dúvida.
A alegria da surpresa só ultrapassada pelo pequeno-almoço copioso com direito a plum-pudding no dia 25 de Dezembro, quando ainda meio estremunhada e de camisa de noite às avessas chegava à sala e via as suas próprias prendas por abrir ..
Tempos em que tudo tinha o cheiro da castanha assada, das filhós a fritar, das fatias douradas carregadas de açúcar .. do bacalhau que até se comia com gosto na consoada, e dos tachos ao lume carregados de couve e batata a gotejar perante o “desespero” alegre da avó que “no hands for all of this .. no hands at all”.
.. tempo de férias e de celebração. Tempo da Missa do Galo à meia-noite em ponto, casacos grossos, cachecóis e gorros de lã, e o beijinho no pé do bebé que tinha acabado de nascer para salvar os homens dos homens.
Tempo de Natal.

sexta-feira, novembro 09, 2007

.. momentos de leitura (II)

.. dei um tempo, achei que poderia haver um “v” na ponta, um retrocesso que de regresso fosse feito à escrita, à companhia .. ao dia-a-dia .. não houve.
Sei que outros projectos são sempre empreendimentos importantes que nos tiram o tempo que o tempo precisa para os deixar madurar.
E se a eles nos entregamos de corpo, alma e mente neste corre-corre sem tempo de que é feita a nossa vida, coisas há que, porque sim, serão deixadas para trás.

À Senhora das Letras que aqui se despede deixando-nos as memórias que partilhei, li e me comovi, desejo a sorte para alcançar o que se propõe .. porque o "engenho" esse, entre "sol e brumas", transparece .. na certeza que esta leitora atenta e amiga aqui fica à espera da partilha ;)

Um beijo amiga sine .. e a todos, um bom fim-de-semana *

quinta-feira, novembro 08, 2007

Crescendo (XIII)


.. que vergonha mummy .. tive de ler a minha composição para a turma inteira!


Xiii penso sorrindo por dentro .. para o que ela gosta do protagonismo que não seja de sapatilhas em cima de um palco .. foi difícil, aposto!
As razões do porquê da notoriedade imposta pela professora de língua portuguesa, fizeram-me sorrir de novo ao pegar na composição e começar a lê-la .. o tema era importante. Importante para uma menina que teve um princípio de ano lectivo complicado, uma adaptação que passou por um esforço de querer conseguir, muita paciência, amigas, mãe e professores sempre por perto .. o tema era “a minha primeira semana de aulas” ..
E a princesa de serviço ao reino lá de casa escreve (imenso!) sobre tudo o que sentiu, o que gostou e o que não gostou, como foram os primeiros dias, as tardes, os intervalos e os almoços, as filas para o refeitório, e o pânico de ter de ir sozinha ao wc .. escreve sem pudor, sem “medo” que a gozem, sem temor de expor assim de forma simples e em letra de primária, os seus sentimentos ..
Termina com uma frase que eu, sentimental e mãe, "aposto" que foi a razão para a decisão da professora .. uma frase que me encanta, me enche de orgulho .. pequeno indício que me diz que estamos no bom caminho ..

“.. hoje despeço-me da minha mãe já sem lágrimas e vou ter com as minhas amigas que me esperam ao portão, levo comigo o sorriso da minha mãe e o dia assim, corre sempre bem!”

Ora tomem lá um sorriso de mãe .. e tenham um excelente dia *
(foto imagens do google)

quarta-feira, novembro 07, 2007

Memória (IX)

Chamavam-lhe “patrãozinho” mais por carinho e respeito do que por qualquer pejorativa de condição .. os chapéus erguiam-se levemente à sua passagem, as mãos dos tractoristas em cumprimento respeitoso, os cajados dos pastores no ar para que os visse a acenar ao longe, e o sorriso da Dª Amélia, dona da única mercearia existente na aldeia era aberto e franco quando entrava porta adentro. Todos lhe conheciam o galope no campo, o tractor encarnado que conduzia, o passo cadenciado à entrada da igreja, a forma como abria a porta no café do Amadeu. Costumava bater os pés com força no Inverno como a que deixar o frio de graus negativos lá fora, tirava as luvas grossas que haviam pertencido a seu pai e esfregava as mãos à lareira bradando contra a intempérie que se fazia sentir.
Nascido no seio da família mais importante da pequena aldeia da Beira, um irmão mais novo, educação rígida e disciplinadora ou não fosse o Pai o advogado mais conhecido da região.
Era um bom patrão, o patrãozinho. Acompanhava os seus homens na ceifa, levantando-se às 5 da madrugada para o mata-bicho na mesa de pedra. De regresso ao meio dia para o copioso almoço fazia questão da salada de tomate bem temperada como todos gostavam, o pão casqueiro cortado em grossas fatias regado de azeite, o cabrito assado e o vinho – o bom vinho tinto que eles próprios produziam, abastado na mesa cheia. Fazia contas à divisão de alqueires, tudo medido e bem dividido. Apreciavam-lhe a honestidade e o rigor. E se era de azeitona que se tratava ninguém se despedia sem o azeite de grau quase zero em proporção ao trabalho feito. Gostava de contar histórias durante a vindima, fazendo rir os homens de barba rija e rugas profundas, mãos calejadas e secas do trabalho árduo .. lembrava os tempos do seu pai em que tudo era tão diferente, e muitos deles escondiam a lágrima comovedora ao recordarem-se que para ele tinham trabalhado também. Vários eram os pastores das redondezas que lhe conheciam o bom coração na anuência ao pedido para passarem pelas suas terras sempre mais verdes e férteis que as dos outros, no consentimento de pernoitarem com os rebanhos nos tempos de estio em que a fonte miraculosa acalmava a seca árida que se fazia sentir em muitos quilómetros em redor. Pagavam-lhe com um cabrito ou um borrego na altura do “parir”, carne tenra e saborosa que aparecia miraculosamente congelada no pequeno frigorífico abastecido a gerador. Eram tempos diferentes em que o homem tinha uma palavra que honrava com a vida se preciso fosse e que por nunca o acusassem de mentiroso.
Os ciganos itinerantes conheciam-lhe igualmente a disponibilidade. Apareciam conduzindo enormes carroças de cavalos mais garbosos e altos que aqueles que puxavam as charruas por ali, famílias inteiras de mulheres e dezenas de crianças de vestes esquisitas e fala diferente. Respeitava o seu chefe, tal como este o respeitava a ele. Um homem enorme sempre vestido de negro, chapéu de abas largas e barba por fazer. E numa das propriedades deixava-os descansar uns dias, montando o seu mercado de quinquilharias, abastecendo-se nas feiras, até ser altura de partirem de novo. Na noite da despedida, num até para o ano e obrigada, havia festa à volta da fogueira. Cantares e dançares de uma gente alegre, violas e acordeões em estridente melodia, e uma peça de caça a assar lentamente no espeto.
Era a forma como lhe agradeciam, brindando igualmente os seus filhos com pequenas lembranças feitas ou compradas para a ocasião..

.. encontrei ontem por mero acaso, um par de brincos brilhantes, moedas enfiadas umas nas outras numa corrente pesada que acho nunca usei mas guardei .. oferta a uma garota de dez anos que de olhos brilhantes de assombro assistia à festa pela primeira vez ..

terça-feira, novembro 06, 2007

Mas .. (há sempre um mas ..)

.. de repente instala-se a dúvida.
Instala-se primeiro aquele bichinho que começa a tomar forma num “e se ..” e nós, que damos importância às vírgulas, tentamos que se acalme e se dilua e começamos deliberadamente e porque é importante, a procurar qualidades, dons e virtudes, promessas cumpridas, razões para que assim não seja, mas razões inteligentes e válidas que calem o danado do bicho que de forma começa a tomar personalidade, tamanho e peso.
Chatice ..!
Estava tudo a correr tão bem, pensamos interiormente, porque tenho eu de me agarrar ao detalhe? .. porquê? .. porque o todo é feito de detalhes? E se um engasga a engrenagem a roda deixa de correr solta para ficar a fazer aquele barulho de metal a bater no metal até se instalar a dor de cabeça. Tipo barulho indefinido de ar condicionado a funcionar .. só damos por ele, quando o desligamos.
E de novo o bichinho que sorri sobranceiro e nos afirma “ atenta aí!”
A coisa deixa de ser um aviso suave e passa a tomar a forma de “Não sejas Palerma!” a piscar em letras de néon .. aquelas brancas e chatas que igualmente nos provocam a moinha na cabeça quando as olhamos no escuro da noite. E confesso que “palerma” não é uma das minhas favoritas ..
.. chatice de novo!
Mudamos ligeiramente o comportamento, por vezes tão ligeiramente que nem nós damos conta, ou se damos pensamos que ao fazê-lo desta forma os outros não vão perceber as diferenças e depois, bom .. depois ficamos literalmente furibundos porque realmente não deram por elas e parece que está tudo como sempre.
Tudo bem.
Respira fundo, conta até dez mil. Mais um tempo assim. Acalmando, saboreando, e relevando. Trabalhando, trabalhando, qual formiguinha atarefada a achar que faz muito. Imenso.
.. Sem sucesso!
Ou bem que isto muda ou eu .. começa a formar-se na mente e o “ou eu” acarreta sempre uma série de situações penosas, decisões difíceis que nem sempre estamos aptos a tomar. Ou queremos. Ou ..
.. raios!
A moeda, rápido onde está moeda? ah .. ok .. viremo-la.
A parte brilhante oferecida, cheia de promessas, cheia de pedidos de responsabilização, mais esforço, outros tantos horários complicados, veja bem que isto é um investimento .. nosso obviamente .. e uma responsabilidade .. sua evidentemente. Conversa .. e ainda por cima sem o talento da “treta”!

Hum .. a moeda.. brilhante numa das faces sim .. aquela que nos ofereceram e nós, inchados e orgulhosos da importância do nosso eu nem nos passou pela cabeça na altura, voltá-la, volteá-la, apreciar-lhe a nuance, a mensagem, a segunda, terceira e quarta intenções da prendinha “envenenada” que levámos para casa e colocámos na estante da sala com honras de “bibelot”.
.. bolorenta e cheia de ferrugem isso sim. A sua verdadeira cara sem coroa ou honras de principado camufladas em palmadas nas costas .. é bolorenta e cheia de ferrugem.

Lembrem-me de a deitar ao lixo assim que puser o pezinho em casa hoje, s.f.f…

E para a próxima espera-vos um “no way José” .. fica o aviso ;)


PS_ a propósito do que se pede, do que se incute, novas responsabilidades, projectos importantes onde somos imprescindíveis, insubstituíveis e outros “iveis” sonantes .. e no fim? tudo igual, tudo na mesma, tudo pautado por uma linearidade que vai em tudo contra o esforço desmedido, exigido e cumprido.
Eu já deveria ter aprendido ..! Mas tenho um defeito, posso? ;) sou uma crente!

segunda-feira, novembro 05, 2007

Fígaro .. Fígaro .. ;)

“O Barbeiro de Sevilha”, de Gioacchino Rossini (Pesaro, 29 de Fevereiro de 1792 – Paris, 13 de Novembro de 1868). Libreto de Sterbini segundo Beaumarchais, com Estreia no Teatro Argentina em Roma, a 20 de Fevereiro de 1816. “

E quais Rosinas apaixonadas, as garotas (princess & “sister”) ;) .. deliciaram-se com mais uma brilhante interpretação do nosso TIL (Casa do Artista).
As letras das músicas de Rossini brilhantemente traduzidas, uma peça que me despertou a curiosidade não porque não a conhecesse mas porque a sabia “pesada” para o público infantil .. Resultou em cheio, como em tudo a que este grupo se propõe, e proporcionou-nos uma tarde muito bem passada e uma alegre cantoria até casa .. Fígaro Cá .. Fígaro Lá .. melhor barbeiro não há! ;)

Não percam ..!

E tenham uma excelente semana *

sexta-feira, novembro 02, 2007

Total..

ausência de inspiração ..
"carradas" de trabalho .. daquele que só é feito nestes mesmos dias .. quando 75% da população do escritório acha que trabalha numa empresa de construção civil e "mete ponte" .. e uma vontade enorme de sair daqui para fora depressa, depressa .. :)
Have a nice week-end ;)

quarta-feira, outubro 31, 2007

Chamem-me embirrenta ..

.. claro que temos mais uma batata quente nas mãos .. claro que os olhos estão postos nas decisões a tomar por este cantinho à beira-mar plantado .. claro que desejo que se tome um decisão que deixe orgulhoso o povo e o país sem que para isso se tenha de pegar fogo ao batatal .. porque aí nem o mar próximo será capaz de ajudar ..
Mas espanto-me .. espanto-me com os comentários de quem percebe mais disto do que eu .. espanto-me quando arvoram um ar de “deixa p'ra lá” que há mais, há muitos mais Mugabes a quem estendemos a mão e com quem partilhamos uma chávena de chá inglês sentados a uma mesa .. espanta-me.
Tenho de o confessar.
Porquê?
Porque ao abrigo daquilo que não se faz ou fez em outras ocasiões, ao abrigo da noção que o facínora não é único, a coberto do facto de que déspotas como ele existem, sempre existiram e sempre existirão, também desta vez, adivinho, não se vai dar o murro na mesa nem levantar a ponta do véu.
E era importante que se fizesse algo.

Chamam-lhe diplomacia .. eu tenho outro nome para isto.

PS_ partilho por aqui um dos melhores textos que li sobre o tema até agora.

terça-feira, outubro 30, 2007

Why .. (?)

Abstenho-me de comentar ..

Mas .. sinceramente espero que os culpados sejam devidamente castigados sem que se levantem agora os “famosos” defensores dos direitos humanos .. uma contradição quando as pessoas que fazem isto serão porventura tudo .. menos humanos.

E as crianças?

..será pedir muito que sejam salvas de um destino que não pediram para viver?

segunda-feira, outubro 29, 2007

life .. oh life (II)

E por escrever sobre brincadeiras com letras esta “noviça”, eterna aprendiz, eterna amadora e amante de letras e que a mais não se propõe, acaba de ser brindada com um “prémio de escrita” .. :)
Seriamente releio-me.
Este blog a caminho de um ano de idade (lembrem-me de cantar os parabéns em Janeiro s.f.f.) é uma pálida amostra dos meus preciosos e escondidos cadernos a propósito de tudo .. e a propósito de nada.
Já todos perceberam que se não escrevo sobre a vida, escrevo sobre a vida e ainda sobre a princesa ou sobre a princesa e sobre a vida logo a seguir ;)
A vida, a minha vida, tal como a vossa, cheia de pequenas peripécias, às vezes entre lágrimas, ou entre risos, gargalhadas ou meros sorrisos mesmo que quase secretos.
As conquistas, pequenas, por vezes imensas e ainda outras vezes completamente goradas, todas elas gozadas e vividas. Com a intensidade própria de quem um dia se apaixonou .. pela vida.
Mesmo que em breves instantes de fortuita benesse sabendo que no minuto, instante ou dia seguinte a coroa ser-me-ia retirada e de princesa orgulhosa passaria a plebeia que luta pelo pão que tem de comer.
Fases, que como as da Lua, são várias.
Algumas levadas e vividas aos extremos por serem tão sãs, tão agradavelmente surpreendentes.
Outras minimizadas à força, caóticas, acontecimentos que nos surpreendem não sedutoramente mas carregados de um tal negativismo que o melhor é correr o estore e deixar a vela acesa durante a noite.
Medo? nem da chuva .. ;) mas de todas as coisas que não estando na minha “mão” resolver, me atormentaram e me fizeram perder o precioso descanso que o corpo merecia, até me aperceber que precisamente não estando na minha mão resolver, não valeria a pena perder muito tempo com .. e muito menos o precioso descanso que mereço ..
Vida .. este percurso singular .. (onde é que eu já li isto?;) que fazemos sozinhos ou acompanhados e se assim for, só mesmo quando valer a pena e possamos de alguma forma completar outro alguém e sentir-nos igualmente .. completos.
Mais completos.
Peças de pequenos puzzles que “fabricamos” ao correr dos acontecimentos, mesmo que por vezes coloquemos mal a “peça” que de tão imensa rasga os cantos tentando encaixar-se no cubículo que lhe atribuímos ou de tão pequena, mínima, “nada” à vontade no local enorme a que julgamos pertence.
Vem esta lenga-lenga a propósito de quê? (acho que já nem eu sei .. risos ;)

Ah ..!
De uma recente cortesia da “Lua” que me proporciona nos últimos tempos .. uma excelente fase ;)
Obrigada *

sexta-feira, outubro 26, 2007

Why .. (?)




can't we all live in peace .. (II)



“A situação no Darfur, oeste do Sudão, é actualmente uma das maiores urgências humanitárias do mundo. Milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e pelo menos 10 mil foram mortas no conflito que envolve forças governamentais e a milícia Janjaweed contra forças rebeldes do Movimento Armado de Liberação do Sudão e o Movimento Justiça e Igualdade.”


Burma .. Darfur .. e outros tantos pólos de conflito por esse mundo fora.
Pessoas sem casa, sem haveres, sem liberdade, sem vida ..
Crianças em sofrimento.
Naquele sofrimento atroz que vemos por cá nos filmes e que intimamente não desejamos ao nosso pior “inimigo” .. mesmo que ele nos tenha feito coisas que consideramos sempre horríveis ..
Ontem, num dos blogs que consulto diariamente e cuja escrita de seu autor admiro .. muito, comentei isto a propósito de um post:
O homem não é um ser inerentemente egoísta ou altruísta; tem o potencial para a destruição, mas também carrega o instrumental para a grandeza.”
Não é de minha autoria.
Nem sei se está bem reproduzido. É algo que me lembro de ter lido há bastante tempo atrás, a propósito de um outro estudo qualquer.
Hoje, não estou certa de dar razão ao seu autor.

O Homem tem de facto o potencial para a destruição.

Cultiva-o, esmera-o, acarinha-o como se de um filho se tratasse e pratica-o nas suas vertentes mais aterradoras. “o instrumental para a grandeza”? parece-me que foi bem arrumado naquele sótão que não visitamos há muito tempo com medo dos ninhos de ratos e das aranhas que entretanto tomaram conta do canto ..

Infelizmente ..

(Fotos daqui)

quinta-feira, outubro 25, 2007

Wise ..


.. a propósito de uma recente discussão sobre diferentes pontos de vista perante uma situação .. a propósito dos juízos de valor que levamos a vida a fazer esquecendo-nos por vezes de olhar as nossas atitudes .. a propósito do "olha para o que eu digo .." modo simples e confortável de desculpar aquelas pequenas coisas que "até não magoam ninguém .." a propósito ainda desta minha verdadeira fixação por tudo o que foi já escrito e dito .. correndo o risco de não me actualizar mas ainda assim correndo-o consciente que não encontrarei hoje pensamentos e letras tão simples, mas ao mesmo tempo tão carregados de significado, quanto os que já escritos foram ..

chamem-me "antiga" ;)

"The surest way to corrupt a youth is to instruct him to hold in higher esteem those who think alike, than those who think differently."

Friedrich Wilhelm Nietzsche (15.10.1844 – 25.08.1900)

(foto daqui)

quarta-feira, outubro 24, 2007

Crescendo (XII)

.. e a princesa chega a casa cansada, arrastando uma mochila que pesa definitivamente mais do que ela, mais a bolsa de cintura onde guarda o lanche da manhã e o telemóvel convenientemente desligado durante o período de aulas mas “..se eu precisar de ti, mummy ..” .. uma segurança.
Os trabalhos de casa são diários e imensos. De todas as disciplinas do dia. E mais os testes marcados um em cada dia da semana de outras tantas disciplinas que até há um mês não sabia sequer a que se referiam. Depois há as olimpíadas de ginástica que decorrem à hora do almoço, pelo que a criançada engole rápida e alegremente uma sanduíche e um sumo que não podem faltar à chamada para o campo. E as actividades de Área de Projecto (confesso dificuldade em entender para que serve ..) e EVT com a construção de cenários e de fantoches e mais personagens a troco de tudo e de nada.
..Ainda a entrada no clube de manualidades, coisa que gosta e a relaxa, mais ideias para isto e para aquilo, como fazer e que materiais comprar ..
E claro, o ATL onde o diligente Filipe (a primeira instituição revelou-se um desaire .. mais um, mas esta não podia estar a correr melhor) a aguarda de porta aberta para a sala de estudo e outros tantos ateliers engraçados para desanuviar .. assim haja tempo ..
Uff ..
Uma estabilidade precária, conseguida à custa de muita persistência e paciência maternas também .. uma directora de turma fantástica, mulher professora presente e preocupada no seio escolar, que se aproxima, que pergunta, que telefona com as novidades, que zela .. não deveriam ser todos assim? Deveriam. Felizmente à princesa calhou-lhe um .. dos raros.
Um núcleo de amigas que sem se conhecer ainda bem se apoiam e por vezes se confrontam..na tentativa de sobressair, de não perder a oportunidade da recente amiguinha, de se dar a conhecer como só as crianças o sabem fazer sem as amarras que nos prendem a nós ao politicamente correcto .. sinceras.
E mais uma lágrima porque se tomou partido .. e mais outra porque alguém não quis a sopa e chorou “ ..e eu não posso ver ninguém chorar mummy, tu sabes ..”

Sei .. sei bem o quão sensível, reconciliadora, apaziguadora, and so on ela é.
Mas sei também que as reacções ainda são muito fruto da tal estabilidade que se quer conquistar à força, que se quer sentir à força, que as lágrimas saem mais céleres porque estão amarradas à espera de .. reacções exageradas de quem sabendo que o tem usa o seu auto-controle de uma forma igualmente exagerada ..
Crescer custa, safa ..! .. repito

terça-feira, outubro 23, 2007

Memória (VIII)

I had a dream tonight dear .. they were playing football and calling me to join .. can you imagine .. me and football? .. a avó esboça um sorriso cansado, esconde a dores .. e estende-lhe a mão .. uma mão disforme na doença que lhe altera os contornos e a faz gemer de dor ..
They granny? Who are they? .. pergunta ela no terror de receber a resposta .. a resposta que lhe dirá que sim .. a avó está de novo de partida .. mas desta vez ..
Daddy, mummy and Vladimir, sweetie ..
Don’t you go granny .. !
e as lágrimas sufocadas na garganta e presas à beira dos olhos saltam aos pares .. lágrimas grossas de pura impotência .. impotência de menina mulher..

..But she went

E hoje, no aniversário do seu nascimento, conforta-me a ideia que haverá algures um campo relvado, um campo relvado com orlas de papoilas e cactos gordos .. aqueles que gostava de apanhar no Guincho para o chá contra a tosse no Inverno .. um campo relvado, num verde raiado de amarelo torrado, que sirva de palco a brincadeiras e jogos de quem se encontra .. de quem se espera .. com a certeza serena que o outro .. chegará.
Um campo idêntico aqueles por onde passeámos, onde aprendi para que serve determinada erva e porque cresce aqui e não além um determinado arbusto.. onde apanhei bichos de conta para os ver enrolar ou escutei do cimo das árvores o piar fino de crias em busca de atenção ..

..ou talvez uma praia. Como aquela onde passámos férias, apanhando conchas para fazer colares ou simplesmente para guardar em recordações que no Inverno nos sabiam a mar e a sal.
As rochas onde mirávamos, em silêncio, os pequenos caranguejos esperando que se enterrassem na areia, onde tirávamos as algas do mar para rapidamente as vermos mudar de cor .. devolvendo-as .. ou as outras onde se multiplicavam pequenos cardumes de coisas transparentes e rápidas .. peixes? Não querida .. são pequenos camarões ainda sem cor.

Memórias difusas, confusas, misturadas numa saudade que ainda me aperta o peito, sal de uma lágrima teimosa .. desejo sentido de não deixar partir.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Memória (VII)

.. e se o horário era de manhã, sabia que contava com um grande copo de leite com café ao passar pela vivenda a avó. Um copo de plástico, cheio até cima com uma espuma deliciosa que lhe perlava o buço numa risota de “menina limpa a cara antes de entrar no liceu sim?” .. a avó já pronta para seguir viagem também, um beijo repenicado na face e um “tem um bom dia meu amor..até logo .. até logo” E ela seguia contente de mimo e quente do leite rua abaixo até aos grandes portões do liceu que frequentava, não esquecendo, quase nunca ;) de limpar o beiço do mimo branco.
.. e se o horário era de tarde à passagem pelo portão da casa sabia pela posição das cortinas se a avó já tinha chegado ou não. E nesse caso, seguia caminho para o liceu sabendo que no regresso haveria um biscoito ou um pão com manteiga e açúcar à sua espera .. que no Inverno era acompanhado por uma grande chávena de chocolate quente. Do verdadeiro. “Nada de pó que isso faz-me confusão” .. dizia a avó. Chocolate em barra, derretido no leite e batido com a varinha mágica. Um sabor que não voltou a sentir mesmo tentando reproduzir em sua casa anos mais tarde .. provavelmente era da varinha .. que era antiga.

.. tento evitar esta rua.
Esta mesma rua que me traz tantas recordações. E quando por algum motivo, a minha inconsciência a mandar no eu consciente? ..talvez .. lá passo, vejo ainda no mesmo passeio uma menina de sorriso aberto e boca suja, de copo de leite na mão, acenando em passos rápidos de quem está atrasada ..

E sorrio ..
..tenho de tentar encontrar aquela marca de varinhas mágicas ..

sexta-feira, outubro 19, 2007

Guess what .. ;)

I woke up remembering this .. :)

.. have a wonderful week-end if you please *

Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woollen mittens
Brown paper packages tied up with string,
These are a few of my favorite things.
Cream coloured ponies and crisp apple strudel,
Door bells and sleigh bells and schnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings,
These are a few of my favorite things.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Ainda ..


“ .. Cavaco Silva diz estar envergonhado com o número de pobres em Portugal .. números sobre a pobreza que colocam Portugal entre os mais pobres da União Europeia .. sozinho o Estado não consegue melhorar a situação .. “

Sozinho o Estado? E quem é o Estado se é que me é permitido perguntar?
Vamos lá a raciocinar com os dois pequenos mas hiperactivos neurónios que me concederam.
O estado – nós o povo?
O mesmo povo que responde na hora e em massa a apelos como aquele que me lembro há uns tempos atrás proveniente do responsável pela unidade pediátrica do Hospital de Santa Maria, apelo esse que visava a urgente e "desesperada" construção de uma nova ala cirúrgica, apelo respondido e dinheiro mais que necessário angariado em menos de 15 dias para o início das obras?
O estado .. nós o povo? Que contribuímos igualmente em massa, para, por exemplo, o Banco Alimentar contra a Fome a ponto de excedermos as mais optimistas expectativas dos seus organizadores? Mesmo que depois se oiçam à boca fechada pequenos comentários aqui e ali, provavelmente sem fundamento mas quem sabe (?), que a comida angariada, paga pelo estado (nós) enviada às vezes sabe-se lá com que dificuldade, apodrece em armazéns ali para os lados de Alcântara?
O estado .. os governantes?
Aqueles que elegemos para que nos defendam, nos tornem a existência mais pacífica e serena, que zelem para que o país onde vivemos e trabalhamos possa oferecer aos seus contribuintes condições de vida mínima e confortável, esses mesmos que depois se passeiam em carros topos de gama que custam mais do que aquilo que um pai de família modesta ganhará em dez anos de trabalho .. que auferem rendimentos de fazer inveja a muitos jogadores de futebol, para quem viver deixa de ser sinónimo de custo de vida?
O Estado .. que investe mal .. que prevê pior .. que inicia uma empreitada, por vezes totalmente desnecessária na lista de prioridades do país, com um custo definido e meses mais tarde as notícias falam de “derrapagens” .. de “desvios aos orçamentos iniciais” .. tudo com um carácter de naturalidade que levanta alguma "ondulação" para rapidamente se transformar em “praia-mar” ..
O estado .. entidade a quem quanto a mim, contribuinte possuidora de dois pequenos mas hiperactivos neurónios, bastaria alguma fiscalização .. algum investimento, alguma prioridade assumida com prazos “de entrega” .. para que o Senhor Presidente não viesse a público confessar-se .. “envergonhado”.
Envergonhada estou eu .. pelo que li.
Pelo que lhe "leio" nas entrelinhas numa "demissão" de responsabilidade .. num apelo disfarçado como se fosse eu, com o pouco que faço porque mais não posso, a responsável.
(foto daqui)

quarta-feira, outubro 17, 2007

..momentos de leitura

Pouco .. muito pouco tem sido o tempo livre por aqui .. mas tenho-me emocionado a acompanhar os diários na enfermaria da Cristina Ferreira de Almeida no Corta_Fitas .. uma escrita brilhante feita de experiência que adivinho dolorosa .. daqui partem sinceros desejos de rápidas melhoras *

Igualmente nota 20 a este texto de Hélder Robalo .. cor, vida, movimento, recordações gratas de uma tradição que só por esses sítios se vive, tudo com a mestria de quem sabe segurar a pena .. e é de facto, é tão difícil dizer adeus ..

Outro dos blogs que tento consultar diariamente, publica um percurso de vida em terras Africanas (continente pelo qual tenho uma verdadeira fixação .. sem nunca lá ter estado .. ainda) :) .. com um sentimento de realidade vivida que nos é transmitido logo nas primeiras linhas .. a ler as “Africa” na desconversa do mike

.. rica é a nossa blogosfera.

terça-feira, outubro 16, 2007

Falem-me da vida ..

.. são imensas.
Falo das notícias.
News como dizem os ingleses. Que por cá de “new” têm sempre muito pouco.
Por um lado o bcp que se arrisca a ser investigado .. coitado. Ainda me hão-de um dia explicar os senhores que percebem destas coisas porque raio são as instituições tratadas como se de seres humanos se falasse.
O fisco “Manuel”, esse malandro, acha que tudo pode. É no que dá criar crianças sem lhes impor limites por ténues e disfarçados que sejam. Tornam-se arrogantes e julgam-se “os melhores condutores do mundo” .. ;) Agora os contribuintes sem dívidas podem vir a ser responsabilizados pelas dívidas de terceiros que a si (eles) estejam directamente ligados (o médico, o construtor que lhes fez as obras em casa, and so on ..) "valha-nos" vivermos num país em que contribuintes sem dívidas é espécie em vias de extinção .. mais crítica que a do búfalo africano ..
Chegam entretanto novos certificados de aforro .. apela-se à poupança num país em que metade das famílias (generosa eu? .. talvez) contam os dias do mês que sobram ao orçamento, a par dos cêntimos ..
Há jovens presos por abusar de crianças .. deveriam ser presos? Pergunto eu, contribuinte AINDA sem dívidas, tipo “búfala”, mas cujos impostos servirão provavelmente para os alimentar (não .. não aos búfalos!), vestir e pagar ainda a fechadura da cela que não está em condições ..
Adiante ..
Há um artigo sobre o “regresso” de Santana .. não sei onde foi o senhor nem me interessa por aí além mas como sou uma pessoa educada, que tenha um calmo regresso é o que lhe desejo .. e ainda uma outra “caixa a bold” sobre violência juvenil em Setúbal .. só em Setúbal ? agora os generosos são eles .. os senhores que nos facultam as notícias.
..
Há uma importante notícia para nós lá em casa .. uma notícia que nos interessa muito mais que qualquer outra que nos entra “porta” dentro à hora do jantar .. uma notícia com a qual ficámos muito contentes as duas .. princess & me .. mas que provavelmente não interessará a muito mais público e certamente não fará picos de audiência ..
A senhora de cabelo branco e trajes rotos e velhos mas limpos, a senhora das rugas e olhos tristes que todos os dias nos esperava à saída da porta do prédio pelas 07h45 para receber o pão com queijo e a fruta com que a brindávamos num bom dia sorridente.. A senhora que nos abençoava com um “vão com Deus minhas filhas .. obrigada, muito obrigada” .. essa mesma que se tempo houvesse muitas histórias teria para contar.. Que arrastava uns papelões pela rua que lhe serviam provavelmente de cama e que era muitas vezes “assunto” de conversa num “quando começar a chover como é que ela vai fazer mummy .. como?” verbalizada numa angústia que eu não conseguia acalmar. Essa mesma. Essa simpática, triste e sofrida senhora, conseguiu este fim-de-semana ser aceite no lar da região. O mesmo lar onde a princesa almoça uma vez por mês num encontro de “avós e netos” promovido pelo ATL que frequenta.
Ficámos as duas muito felizes Dª Isaura.
Que possa aí viver com a calma, o conforto e a protecção que merece. Garanto-lhe que aqui deste lado está uma princesa .. aliviada :)
.. E quem sabe se num desses almoços não tem ela o privilégio de lhe ouvir uma história ..

Notícias? Falem-me da vida senhores .. !

segunda-feira, outubro 15, 2007

..always the sun









um privilégio .. foi como lhe chamei há pouco, não foi?



digam lá que não tenho razão .. :)

week end .. magic week-end :)






Guimarães .. cidade simpática, carregada de história, pedras antigas, pessoas curiosas .. passeio imenso, comovente, uma subida ao castelo, perguntas inúmeras de porquês e de ondes .. o querer saber, sentir, viver tudo o que se aprende com áureas de mágico, de imenso, de importante ..
Um tempo ameno, o sol que ainda brilha reflectido nas mesmas paredes da praça que me pautava a memória. Bem acolhidas, no que se chama o berço da nacionalidade, uma cidade limpa e bem estruturada .. fazendo jus ao nome que tem.


..fim de semana a não esquecer tão cedo .. com um adormecer e acordar em Viana, sobre o mar, o privilégio de ver um por de sol como não há por aqui ;) ou será que não temos normalmente tempo para o apreciar? .. e ainda tempo, ai o tempo .. para um beijo surpresa repenicado aos padrinhos *

Queremos voltar .. faltou ver tanta coisa!

sexta-feira, outubro 12, 2007

Berço ..


Vou redescobri-la com a princesa .. a linda cidade de Guimarães que há muito tempo me ficou na memória pela luz de verão na Praça de Santiago, uma luz irreal, parada nas paredes de pedra dos edifícios que a rodeiam .. numa calma esplanada, onde ao final de dia pedi uma garrafa de água e me entretive .. a ver quem passa ..

Preparada para as inevitáveis perguntas de quem começou a estudar a história do passado, prometo que segunda-feira .. conto tudo :)

Bom fim-de-semana *
(fotos daqui)

quinta-feira, outubro 11, 2007

Memória (VI)

Onde fica a “englanterra”, avó? ;) .. e a avó, corrigindo a pergunta, pegava no globo que outrora decorava a mesa de fotógrafo do avô, rodava-o lentamente a apontava um pequeno pedaço pintado de roxo com letras negras de nomes de terras que ela não conseguia ler.
Esta pergunta repetia-se pelo menos duas vezes por ano.
E duas vezes por ano a avó sorria e pacientemente voltava a mostrar-lhe. E duas vezes por ano a avó partia de avião em direcção a essa terra que parecia tão perto e pequena, mesmo cheia de nomes que ela ainda não conseguia ler. E ela contava os dias de ausência, rabiscava as letras dos nomes imperceptíveis num papel e desenhava um grande avião de volta a casa.
Um avião de janelas enormes, maiores que as asas, e numa delas uma avó igual à sua acenando de saudade.
Saudade enxotada no abraço apertado à chegada ao aeroporto, a avó sempre muito agasalhada a fazer ver o frio de onde tinha acabado de sair, sacos e malas e mais malas e outros tantos sacos em cores garridas e com nomes tão estranhos e ilegíveis como os do globo. Um rosário de lembranças, das idas aos saldos, dos armazéns de brinquedos, bonecas que falam e peluches do tamanho dela. Coisas que por cá não havia, ou se havia, ela não sabia. Preciosidades. E histórias. Sempre histórias dos locais visitados, fotografias e postais, mais postais ainda cheios de cores diferentes das nossas. O render da guarda, e aquele relógio enorme com nome de pessoa. O crescimento dos primos, como estavam os tios, a neve, tanta neve, sempre neve. As luzes e a falta de sol. E mais histórias ainda de tudo e de nada, de um país que sendo seu também, não conhecia mas adivinhava e podia descrever tal a minúcia dos relatos.
E no ano seguinte, por mais duas vezes, a avó voltaria a partir e ela adormecendo a saudade e lendo já os nomes estranhos, adivinhando o percurso e o nome da loja, sonhava com o dia em que partindo também chegasse ao aeroporto envolta em agasalhos do frio que tinha acabado de sentir. E no abraço do reencontro a saudade enxotada tantas vezes .. a mesma que agora, por estranho que pareça, amadurecida na ausência prolongada daquele mesmo abraço, se gruda e pespega em memórias rápidas .. sentidas.

Saudade ..

quarta-feira, outubro 10, 2007

Prize .. again ;)

Caro visitante, que procurava obras de Esther de Lemos (escritora incomparável .. e excelente professora) .. e por acaso veio aqui parar com o número 4.000 lembre-se de contactar amanhã a recepção deste diário para o levantamento do prémio que lhe compete ;)

..reparei agora .. 4.000 visitas é "obra" .. obra da vossa paciência :)

Obrigada *

Vasculhando o Baú .. (IV)

Folha branca imaculada
Vontade calada
Desenho de letras
Caneta pousada
Teimosa
Não escreve
Se escreve não rima
Não mostra que sabe
E do que é capaz
Há quem teime, em ternura
Que sim
Que sei
O dom? nenhum
E quem teima em ternura
Teima de novo, docemente
E só mais uma vez
Anda .. vá lá
E a letra sai solta
Primeiro relutante
Começo difícil
Aparo no papel
E pronta a borracha
..sorriso aqui
..pintura além
Letras, palavras
Bem arrumadas
Sons e imagens
E por fim ..
.. quem teima, sorri
E descansa, provando
Que sim
.. sabia.


PS_ brincadeira com que um dia, um dia há “milhões” de anos atrás, brindei quem comigo insistiu que sim .. ;)

terça-feira, outubro 09, 2007

Prize .. with no price ;)

O Prémio Blog Solidário foi criado por "Bohemia Mar" que o define assim:
Existen muchos premios y galardones con prestigio y solera a lo largo del planeta que se otorgan a personas que hayan resaltado por alguna técnica o actividad. Siguiendo la moda de los premios blogger en la blogosfera, he tenido la idea de hacer uno dedicado a los blogs que destacan o han destacado en alguna ocasión por su solidaridad con los demás, tanto a nivel general como individual. Creo que se merecen una especial distinción y debemos demostrarles nuestro agradecimiento y cariño en este mundo en el que corre mucho egoísmo e indiferencia. Además, gracias a estos blogs solidarios podemos promocionar una vez más la blogosfera.
Las condiciones para otorgarlo son las siguientes:
1º Escribir un post mostrando el PREMIO y citar el nombre del blog que te lo regala y enlazarlo al post que te nombra. (De esta manera se podrá seguir la cadena).2º Elegir un mínimo de 7 blogs que creas que se han destacado alguna vez por ayudar, apoyar y compartir. Poner sus nombres y los enlaces a ellos. (Avisarles).3º Opcional. Exhibir el PREMIO con orgullo en tu blog haciendo enlace al post que escribes sobre él y lo otorgas a otros.

Blog solidário diz o Helder Robalo lá pelos seus Pensamentos sobre as escritas aqui desta “diarista” de serviço ;) Honra-me tal distinção de quem me tem lido com atenção .. a quem tenho lido primeiro com alguma curiosidade, depois como verdadeira leitura diária e não dispensável. Hélder Robalo é para mim um homem preocupado com o que o rodeia, analista por vezes cru e completamente racional sobre o que se passa no mundo, na nossa sociedade, que raramente “deixa passar em branco” o que quer que seja.
Já lhe li textos verdadeiramente apelativos à solidariedade, enquanto preocupação com o bem estar alheio, e acredito que a sua postura passe das palavras à acção.
Honra-me portanto, que no meio dos sete blogs por ele escolhidos, apareça o OnceInaWhile.
Obrigada por isso Hélder ..

Podia agora contar-vos histórias e não “estórias” sobre acções de solidariedade em que participo (uma delas, posso adiantar, com resultados completamente desastrosos, como já escrevi algures por aqui) mas vou optar por assumir que sim, faço um pouco.
Porque acredito que um pouco daqui e outro daí façam a grande diferença entre fazer pouco .. e não fazer rigorosamente nada.

A coisa fica mais difícil quando tento cumprir a parte final das indicações que me são dadas .. há dois ou três blogs que gostaria de nomear mas que já estão na “calha” .. e depois confesso que as minhas leituras por aqui não são tão vastas quanto o elegível a uma bloguer que se preze ;) .. portanto, deixo o convite no ar a quem passa e lê .. sejam solidários *

segunda-feira, outubro 08, 2007

Is this for real?

Lembro-me de ser ainda criança menina quando passou pela primeira vez na televisão.
Lembro-me que os meus Pais não me deixavam ver os episódios (seis, salvo erro .. ) e que eu me sentava em silêncio no hall de entrada da nossa casa, em camisa de dormir, e via tudo pelo reflexo que o orgulhoso aparelho de televisão a preto e branco projectava nos vidrinhos da porta da sala de estar.
Lembro-me de ter chorado (muito), de ter tido diversos pesadelos que em outras nuances me acompanharam até tarde na adolescência, de ter procurado activamente saber tudo como se tinha passado, de ser olhada de lado, anos mais tarde na biblioteca do Instituto quando requisitava livros sobre o tema. De o ter aprofundado para mais me escandalizar, para mais me horrorizar, controlando á medida que crescia as lágrimas que o impacto de tal realidade me tinha provocado .. em menina.

Falo do “Holocausto” .. falo das recentes notícias sobre um qualquer grupo de néscios que assaltou e vandalizou um cemitério, falo dos auto intitulados “neo-nazis” e não entendo como é que alguém que dispõe das informações que todos dispomos sobre este período negro da história dos homens se pode auto intitular o que quer que seja nesta área.
Proponho: uma visita aos campos de concentração. Uma pequena e guiada visita à câmara dos horrores, passando por uma experiência in locco dentro de um forno de gás, por exemplo .. uma experiência de "faz de conta" que para jovens de 16 anos pode ser que surta efeito.

E acabo por me espantar ainda com a pouca mediatização de uma situação destas. Com as opiniões (e principalmente a total ausência de ..), de quem escreve e opina politica e socialmente no nosso país. Pessoas, por exemplo, que “bradaram aos céus” aquando da incursão num qualquer milheiral (similar a coisa não é?) e que agora se calam ou, pior, desvalorizam atitudes destas com todas as conotações bem conhecidas. Ou pelo menos têm a obrigação de as conhecer bem .. são todos mais velhos do que eu e não acredito que, como eu, tenham “sido obrigados” a tomar conhecimento desta realidade .. às escondidas.

Triste mundo .. aquele que rapidamente olvida as suas memórias .. principalmente as piores.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Roots .. :)








Agradável surpresa hoje na caixa de mail .. para "matares saudades das raízes" escreve-me quem me conhece bem .. (Obrigada querida CVL *) .. aqui partilho, mas nem pensem que vos conto quantas foram as vezes que os meus "pobres joelhos" ficaram naquelas rochas ;)





Tenham um excelente fim-de-semana ;)



quarta-feira, outubro 03, 2007

Why .. (?)



can´t we all live in peace ... (?)




É um texto enorme, cheio de referências, bibliografia, extenso e extensivo mas não monótono .. e foi a forma que encontrei de tentar perceber que raio se passa ali .. não se passa nada .. é o ser humano no seu "melhor" .. ou como dizia há tempos uma amiga na caixa de comentários .. a "humana idade" para que o mundo cresça .. humano .. ainda não foi atingida ..

(foto daqui)

Para quem tiver a paciência que eu tive .. e a curiosidade talvez .. aqui fica.

terça-feira, outubro 02, 2007

Crescendo (XI)

As aulas de formação cívica ensinam acima de tudo a lidar com a diferença.
É o grande mote do programa deste ano, faz-me lembrar um “todos diferentes, todos iguais” de há uns tempos largos atrás, e interessada folheio o pequeno livro da princesa para me aperceber de como vai ser a minha filha ensinada a lidar .. com a diferença.

(..)
A pequena Joana tem 10 anos e anda no terceiro ano do primeiro ciclo. É uma menina muito maior que eu mummy (como se fosse preciso muito, sorrio .. ) e tem uma voz que da primeira vez que falou para mim, quase me assustei. A pequena grande Joana frequenta o ATL da princesa três tardes por semana. Apanha “boleia” na mesma carrinha e quando chega leva muito tempo a almoçar (quase tanto como eu mummy .. outro sorriso) e de seguida, como todos, senta-se a fazer os trabalhos de casa. Raramente consegue fazê-los sozinha. Não percebe as instruções que lhe são dadas, e repete mecanicamente tudo o que ouve. “Aqui um rectângulo, vês?” um rectângulo .. um rectângulo .. um rectângulo ..
Numa tarde da semana passada a Joana pegou no braço da princesa de puxou-a para perto dela. Colocou-lhe um lápis na mão e mostrou-lhe o que tinha para fazer. Eram figuras geométricas mummy .. daquelas mais simples, quadrado, rectângulo, circulo .. Ao principio não percebi o que ela queria, que eu as fizesse? Depois lembrei-me do primo. Pus-lhe o lápis na mão e com a minha mão por cima ensinei-a a desenhá-los. Começou a rir quando me lembrei de acrescentar uns olhinhos e uma boca a sorrir dentro das figuras. Quis fazer igual e desenhou imensos pela folha toda, todos a sorrir e com olhinhos pequenos que pareciam piscar.
Ficamos nisto a tarde toda.
A Joana estava feliz mãe, foi o que disse a monitora .. mas eu trouxe os trabalhos para fazer em casa (rimos as duas .. )

(…)
Continuo curiosa em saber como vai ser a minha filha ensinada a lidar com outras .. outras diferenças.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Changes .. (II)

E assim LB fecha as suas Outras Notas .. esperando que entre o anúncio de fim de caminho e o recomeço quem sabe em outra direcção, passe o tempo necessário para .. ficam os votos dos maiores sucessos .. e um até breve :)
(editado e corrigido .. as minhas desculpas pela "má interpretação" do que havia lido há uns meses atrás .. ) :)

Por outro lado, um dos blogs de que me confesso leitora assídua e até por vezes admiradora da forma crua e nua como são colocadas as opiniões, análises e considerações, vai para fora .. ou melhor Miguel Castelo Branco ausenta-se “prometendo” na medida do que lhe for possível, manter a escrita .. fico à espera que assim o consiga e desejo-lhe votos de sucesso ao que se propõe!

A minha “blogueuse” (isto vale para feminino de “blogueur” ou nem por isso?) .. bom .. a minha escritora favorita neste mundo virtual, Miss Pearls avisa-nos de uma mudança para a qual lhe desejo toda a serenidade possível (a mesma que me esforcei por alcançar quando me mudei no principio deste ano ..) .. um Abraço Caríssima .. que tudo corra pelo melhor e que possamos continuar a lê-la mesmo entre caixotes e coisas por arrumar ;)

Tenham uma excelente semana *

sexta-feira, setembro 28, 2007

Twilight Zone .. (III)

Parei na bomba de gasolina do Sr. Joaquim para atestar o carro. Eram 20h, poucos carros, a bomba tem dois acessos, um ocupado, parei no outro, desliguei o carro e tirei a chave.
Gestos mecânicos de quem não gosta do self_service nestas coisas de combustível (faltinha de jeito, pura .. ). O Sr. Joaquim atira-me um “vou já menina ..” a princesa dentro do carro ri-se do “menina” e ali fico. Entrego-lhe a chave e no momento em que ele começa o tira a tampa do depósito e arrasta a mangueira, pára um carro ao meu lado direito, preso entre os que estão estacionados e o meu, olho para a condutora que abre o vidro e grita: "não se importa de chegar atrás para eu passar?" .. "desculpe? Eu estou a atestar o meu carro, vai ter de esperar". "Esperar o quê oh sua ..! eu quero ir ver o ar dos pneus e você sua .. está a barrar-me o caminho .. !"
O Sr. Joaquim adverte-me que não responda. É uma tonta coitada. Todas as noites aqui vem ver o ar dos pneus.
Os insultos continuam de vidro aberto, a princesa olha-me espantada num “o que é que ela quer mummy?” a gasolina que não pára de correr, se é para atestar, é para atestar! .. e eu dou a volta ao meu carro e dirijo-me a tão idiota criatura.
Pergunto-lhe de sorriso “ a senhora desculpe, tem filhas ?” .. "e o que é que você tem a ver com isso sua .. ?" .. "é que se tem minha senhora, eu se fosse a si ia direita a casa e pedia-lhes desculpa. Tenha uma boa noite. "
O Sr. Joaquim recebeu o cartão, paguei, recebi as chaves, entrei no carro e arranquei. Tudo com muita calma enquanto pensava .. de onde me conhece a tonta da mulherzinha para me insultar?
.. percebi melhor porque de vez em quando ouvimos notícias de verdadeiras cenas de pancadaria, por vezes com consequências desastrosas, passadas no trânsito.
É que até me abstenho de vos relatar o quanto tive de me controlar para não lhe pregar um murro naquela cara de idiota com uma franjinha ridícula a tapar-lhe os olhos ..

;)
Tenham um bom fim-de-semana .. a pé, de preferência (risos)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Memória (V)

A “cachorrada” barulhenta assim que os sentia chegados de férias na casa de campo invadia o território em alegres latidos a qualquer coisa como 7h da manhã .. havia que aproveitar bem o dia porque o calor insuportável que se fazia sentir ao 12h em ponto durava até ás seis da tarde e estavam todos proibidos de “por a cabeça ao sol” .. os cavalos na estrebaria relinchavam com o barulho dos cães, as cabras dispersas pela planície assomavam curiosas das visitas que nunca sabiam quem eram (diz-se que não têm memória .. ) e assim alegremente de fatia de pão “espanhol” na mão, iniciávamos o dia de aventura.
Uma ida até à horta, com direito a girar a nora dando descanso à mula responsável, a entrada no galinheiro para os ovos frescos postos durante a noite num espavorir de galinhas assustadas e penas pelo ar, o torrão de açúcar que aparecia como que por milagre para a égua mais novinha “cuidado menina .. cuidado com essa” .. a égua que a olhava com os seus lindos olhos cor de mel, sem desconfianças ou avisos de prudência, e que ela gostava de montar em pelo, à revelia das recomendações paternas.
.. a ida à fonte durava o final de tarde até o sol se por. A pequena fonte que nunca secava (das poucas nas redondezas) era constituída por pequenos rectângulos de pedra todos em fila e ligados por um pequeno dique entre eles. A água para a casa caía no primeiro rectângulo e era retirada com um cocho de cortiça .. cristalina e fresca demais matava a sede ao mais sequioso dos seres, os outros rectângulos de pedra destinavam-se aos rebanhos de ovelhas e cabras que por ali terminavam os seus dias de pastoreio. Era vê-las chegar em correria, alinhadas de cabeça baixa, bebendo sem parar o néctar dos deuses em dias de 45º .. dentro de cada uma das pedras concavas verdadeiros habitats de pequenos bichos que nos encantavam.
O casal de sapos que insistíamos em que vivesse junto na mesma “pedra” mas que teimosos, saltavam de uma para outra por vezes com três ou quatro de intervalo, os pequenos girinos, imensos, negros, os mosquitos nadadores como chamávamos a uns pernilongos fininhos que andavam sobre a água sem se molharem .. as abelhas que pousavam delicadamente nos beirais de pedra e que gostávamos de assustar (é verdade .. se bem que não politicamente correcto) .. e debaixo de cada pedra, de cada pedaço de granito, verdadeiros ninhos de tudo e de nada, coisas vivas para as quais não tínhamos nem nome .. nem medo.
Já escuro o Pai tocava um grande chifre trabalhado, que tinha lugar de honra à entrada da casa (aviso que já tinha chamado vezes sem conta, que o banho estava frio na banheira de zinco sem honras de marmorite e que teríamos sobrolho carregado ao jantar com direito a sermão (mais um!) sobre a importância de estarmos todos juntos à mesa!) e a criançada debandava de onde estivesse num desassossego de pó e giestas peganhentas, entrando de rompante num “desculpe, desculpe” ..
.. várias foram as vezes em que encaminhados os mais pequenos para a banheira, olhei para trás de soslaio tentando perceber o tamanho da “pena” e o vi sorrir .. sorrir de felicidade porque os filhos eram ..filhos da sua terra.

Saudade ..

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dreams (the last)

E a borboleta começou cerimoniosamente por lhe agradecer ter-lhe salvo a vida. Ah como se sentiu importante.
Era o salvador da borboleta, assegurava-lhe ela na língua das borboletas que o menino entendia.
Depois, contou-lhe histórias de encantar, cores de países que visitara, rostos de meninos que conhecera. Sonhos que concretizara. Viagens pelo mundo em busca do sol e do calor. As borboletas só gostam do sol e do calor. O sol que lhes põe brilho nas asas, o calor que as aquece e lhes permite voar. Péra lá! Sonhos ?! Ele tinha um sonho .. será que o poderia confiar à borboleta ?
Ela .. adivinhando-lhe os pensamentos perguntou “ e tu meu jovem ? tens sonhos?” Aquela borboleta era mesmo especial! Como adivinhara?
E ele, ingénuo e confiante começou por lhe contar o seu sonho. Queria ser uma borboleta. Treinava todos os dias para isso! Ela quereria vê-lo? E abria os braços pequenos, roliços, e imitava a borboleta planando em corridas curtas pelo quarto. Abanava os bracitos como se de asas se tratassem .. e voava.


A borboleta encantada.
Como dizer a tão grande entusiasmo que não haveria a mais pequena, remota, ínfima possibilidade de se transformar numa sua igual.
Como poderia desiludi-lo dessa forma.
Não podia.
Adivinhando-lhe agora ele os pensamentos, que estas coisas de conseguir ouvir outras linguagens também se prende com a leitura daquilo que se pensa, e terminadas as corridas de treino o menino mirou a borboleta e sorriu: “é só um sonho, eu sei que não poderei transformar-me numa borboleta, não te preocupes menina das cores”.

Riram juntos.
Tão alto que a mãe curiosa assomou à porta do quarto para ver se o rebento estava bem.

E estava.
Sentado na sua pequena mesa de trabalho, como lhe chamava, recortava.
Um perfeito coração de cartolina para colar a mais linda borboleta que já tinha desenhado.
Uma borboleta de papel, asas coloridas pintalgadas de amarelo, em largo voo ..
E lá fora .. de novo o sol e o calor secavam mansamente as grossas gotas de água no vidro da janela.
Voa, voa borboleta ..


Conto dedicado ao meu sobrinho .. e afilhado .. quase neto ;)

terça-feira, setembro 25, 2007

Crescendo (X)

Estratégia, estratégia .. a mãe salta ao toque da 13h00 não em direcção ao ginásio onde se estafa alegremente todos os dias mas em direcção à escola onde a aguarda uma princesa já sorridente na antecipação do almoço .. a conversa é banal o que fizeste, que aprendeste, há tpc ? .. "mummy eu hoje ainda chorei no intervalo", confessa de olhos nos chão .. "mas só uma vez!" .. a mãe sorri, admira-se da paciência das recentes coleguinhas, todas elas ainda algo temerosas mas preocupadas com a princesa que adoptam decisivamente.
A princesa essa muda agora o foco de preocupação, quero superar isto, não quero que as minhas amigas se fartem de mim ;) .. valeu-lhe uma conversa frutuosa com a Tia que a alertou para o facto de ela não estar a mostrar verdadeiramente quem é.

De manhã, aos poucos, volta a animação que sempre caracterizou as viagens até à escola, música “a abrir”, quatro piscas mal estacionada enquanto acompanha a princesa ao portão onde a esperam as mesmas e recentes amigas, será que hoje não há lágrimas? .. não houve! iupii!

A princesa cresce, a mãe cresce com ela, a reacção não foi a esperada e parece .. parece, que nem uma nem outra estavam preparadas para tal.
Não tem afinal nada a ver com a escola. Não tem definitivamente nada a ver com as aulas que está a adorar, aplicada nos imensos trabalhos para casa de disciplinas tão diferentes como Matemática, Português, Ciências da Natureza, História e Geografia .. Não tem a ver com as colegas que amorosas e cheias de paciência para a lágrima teimosa a distraem, acompanham-se, apoiam-se ..
Tem a ver com a mudança.
A itinerante da mãe sempre achou que o gene correria rápido e legítimo.
Não corre.
A princesa é menina de raízes mais fortes, mais únicas, mais agarradas à terra. E de repente a terra dela alagou, transformou-se, um declive desconhecido aqui, um tronco que faz tropeçar ali .. e o “meu mundo” mudou! .. conseguirei voltar a encaixar-me nele?

Claro que sim. Com tempo .. ele próprio se moldará a ti .. de novo.

Parabéns princess .. *

Dreams II


Um dia de Inverno, triste e chuvoso em que nem para o passeio costumeiro na mata podiam sair, o menino estava à janela observando as grossas gotas que de encontro ao vidro faziam um barulho engraçado.
E de repente, mas tão de repente que até caiu com o susto, uma borboleta! Colada no vidro, encharcada .. Uma borboleta?!
Jesus .. abre a janela, pega muito delicadamente naquele corpo mole e molhado, e com todo o cuidado do mundo não fosse partir-lhe as delicadas asas, deita-a suavemente numa folha de papel em cima da pequena mesa-de-cabeceira. E ali fica .. à espera. À espera que seque, soprando muito devagar afastando as pequenas gotículas de água que a encharcavam e falando-lhe mansamente. “Acorda borboleta, acorda .. não morras por favor”!
Será que o ouviu? Haverá porventura um Jesus das borboletas acreditava o menino. Sim que a mãe também lhe ensinara que Jesus é amigo de todos e de tudo, tudo, tudo, portanto ..!
Ele não iria deixar morrer a borboleta.

O certo é que, podem até não acreditar, mas o certo é que, aquela borboleta começou devagar a abanar as suas grandes asas negras pintalgadas de branco e amarelo, levantou as pequenas antenas como se reconhecesse o menino, e sorriu!
Sorriu?
Outro susto!
Como sorriu?
Mas lá estava, um pequeno e trocista sorriso nos lábios da borboleta. Sim, aquela borboleta tinha boca. Ora .. isto é uma estória certo? Posso colocar uma boca na borboleta, não posso?

Então .. não só sorria, já quase seca e em voos rasantes pelo quarto do menino, como falava. As borboletas não falam ! Ai não? Falam pois ..
Com muito cuidado, achando que estava a viver um sonho, e se era sonho então ninguém ouviria nada mas de qualquer forma, não fosse o diabo .. o menino fechou a porta do quarto para poder conversar com a borboleta, sem interrupções!
(...)

segunda-feira, setembro 24, 2007

Dreams I

(a "sorte" .. é que este já está escrito ;)


Era uma vez um menino rabino, cara de anjo, rebelde e reguila como só os meninos sabem ser.
E joelhos sempre esfolados, correrias e quedas próprias de quem tem sempre pressa para chegar a qualquer lado. Caracóis alourados, herança do pai que a mãe essa tem lindos cabelos caju e castanhos e olhos negros, expressivos. Clarinho de pele, uma ou outra sarda na ponta do nariz. Era um menino muito bonito, diziam todos babados do rebento. Ele contudo achava que bonitas eram as raparigas ora, os rapazes .. eram rapazes!
O menino tinha um desejo.
Um sonho.
Acalentava-o dia a dia quando olhava pela janela da cozinha em lutas hercúleas contra o prato da sopa.
Ou quando saía com a mãe para as caminhadas de final do dia pela mata mais próxima. Era uma mata bonita, onde desde sempre a sua mãe gostava de passear. Desde que ele se lembrava aliás .. talvez ainda desde antes disso. A mata tinha uns pinheiros tão altos que lhe doía o pescoço de cada vez que lhes tentava alcançar o cume.
E o chão era forrado de pequenos pauzinhos unidos, castanhos-claros, que ele gostava de juntar enquanto passeava. “agulhas” dizia-lhe a mãe ensinando-lhe os nomes das coisas. “agulhas?” .. estranho. Será que a avó conseguiria coser com aquelas coisas?
E a mãe prosseguia “vês este tronco ? vês os cortes? Servem para se retirar a resina, e a resina fará cola” .. ah .. cola ! isso sim ele sabia o que era. Usava-a na escola para os trabalhos e para ficar todo peganhento nas partidas aos amigos. E mais à frente .. uma borboleta!
Olha filho .. tão linda .. não lhe toques ou podes magoá-la!
Credo .. isso não! Como poderia magoar uma coisa tão linda?

E assim se revela o sonho do menino. Queria ser uma borboleta! Estranho? Não importa. Sabia lá ele naquela altura que os meninos não poderiam nunca transformar-se em borboletas! Se as lagartas o faziam ..!
E borboleta porquê .. pensam vocês agora de sobrolho franzido.
Normalmente os meninos querem ser bombeiros, policias, aviadores e corredores de fórmula um ou até astronautas e jogadores de futebol, não é?
Pois .. mas este menino queria ser borboleta.
Nada a fazer.
Ele estava certo que um dia conseguiria. Apanhar uma fresta de vento e voar por cima das árvores, abanar as asas ao por de sol e deixar por elas passar todos os tons de luz. Encantar outros meninos que como ele, estava certo, ficariam pasmados com o seu esvoaçar. Era uma borboleta e mais nada!
Treinava em casa, em grandes corridas de uma ponta à outra, com os braços bem abertos como se planasse. Olha .. lá anda ele a fazer de avião! Ria-se o pai à chegada de mais um dia .. e o menino sorria por dentro, e pensava .. não é um avião Pai .. eu sou uma borboleta! Repara nas cores.

E lá estavam as cores.
Faces afogueadas do esforço da corrida, caracóis em desalinho alourados, caídos para os olhos castanhos claros que faiscavam na certeza de que estava bem mais próximo de conseguir o que queria: ser uma borboleta.
(...)